"Educa a ação"

por - 15:49

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Como trabalho de conclusão de curso, tive a oportunidade de apresentar um projeto de orientação profissional para a escola onde estudei quando era mais moleque. Engraçado como guardo carinho por um espaço do qual não foi um mar de rosas em dois dos três anos em que fiquei lá. Perrengue todo mundo passa, mas felizmente percebo como não guardo mágoas de um lugar por conta de uma dúzia de filhos da puta. Sem contar que a possibilidade de ver tudo como era me deixou nostálgico e muito mais ligado nas coisas boas que vivi por lá, o que acaba sendo o que mais importa, afinal de contas.



Conversando com os professores, me dei conta do detalhe de que muitos que não estão mais ligados à educação pública provavelmente se esqueceram. Ou talvez só eu tenha esquecido mesmo. As escolas adotaram o estilo de escola em período integral utilizado em Recife. Achei fascinante como a proposta da escola havia se complementado com este fato, após breve conversa com os professores, no entanto a proposta não está totalmente clara para aquilo que foi proposto, pelo que entendi. O conteúdo enviado pelo governo dura apenas o semestre, além do fato de ser igual para segundos e terceiros anos, ou seja, aqueles que hoje estudam o segundo ano, já sabem o conteúdo que lhes espera nas matérias complementares que o horário integral disponibiliza.



Longe de querer falar que o governo, prefeitura, professores, coordenação docente ou o escambau estão errados. Cabem a todos estes se virarem para dispor de um ensino de qualidade, independente das politicagens às quais os órgãos públicos estão ligados, ainda que o ferramentário seja precário ou ausente e vejo que há muita vontade nestes em melhorar tudo isso. E pensando bem, ainda que não tão bem estruturada, a ideia do ensino integral é muito boa, mas se mal executada, considerando as expectativas com o material enviado às escolas, ela pode se tornar um ensino técnico todo escroto.



Fico puto quando vejo gente falando o óbvio e tentando justificar. “A educação no Brasil é uma droga”, eles dizem, “culpa da juventude que não quer nada com nada”, eles completam. Isso quando a coisa não fica mais bizarra ainda. “No Brasil é assim mesmo, ninguém quer estudar”. Podemos até não ser uma nação estudiosa em sua maioria, mas com certeza também não somos uma nação burra ou preguiçosa. Somos subestimados. E por nós mesmos. Uma merda, mas que deve ser cheirada de modo que nossos pulmões a transformem em superação. Soa bem “auto-ajuda”, mas quem disse que os clichês não estão corretos algumas vezes? Não precisamos de gente que aponta o dedo, mas de gente que levante o dedo e pergunta educadamente a fim de entender determinadas afirmações pautadas em descontentamento e sem fundamento nenhum.



Espero muito poder desenvolver este projeto na minha antiga escola. Principalmente por ver como a molecada tem um potencial que talvez não esteja sendo tão explorado, afinal, os gritos daqueles que não tem razão ecoam mais alto que a voz dentro de cada um que sussurra “você pode”. Novamente, soando clichê, porém, ainda esperançoso de que talvez um dia possa fazer mais do que escrever um texto sobre aquilo que percebo sobre a educação.


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