Atenção chegou Chatuba

por - 11:08

Chatuba+de+Mesquita+Bonde_do_Nike_Air

O funk é imprevisível, movimenta as massas com as letras mais expostas que se tem notícia no Brasil. Não é preciso fazer jogo de palavras como o Psirico, pode mandar a real e ainda assim fazer sucesso, mesmo depois de 10 anos. Um exemplo disso é o Chatuba de Mesquita, que apareceu na coleção de proibidões do Furacão 2000 no começo deste novo século e continua fazendo barulho até hoje. Colocando a comunidade (ops, isso é coisa de político), colocando a favela da Chatuba e o município de Mesquita (região metropolitana da cidade de Rio de Janeiro) no mapa.


O projeto teve apenas duas músicas e uma vinheta e mesmo assim conseguiu marcar seu nome no funk nacional. Também pudera, chatuba é sincero e manda a real sem medo. O funk era machista, a mulher um objeto e não existia o politicamente correto atuando com afinco na música nacional.  Ele é o precursor do funk ostentação, antes mesmo do termo ser popular. Ou você acha que todo mundo anda de Redley e usa pisante Nike Air por aí?


As letras são um caso a parte, principalmente se você for parar para analisar o português. Na real, antigamente não existia a letra online, ou seja, eu cantava “Andamos de Ré” (e não Redley). Mas "Mulequi Preiboy" e "Ranca" continuam sendo do mesmo jeito que eram quando escutava antigamente. O trocadilho do ovo que virou pinto é digno de Faustão nos tempos que era gordo e poderia ser bem usado num comercial do sustage! Se você foi adolescente ouvindo Chatuba e não tirou uma onda com algum amigo Marcelo, você não se divertiu. Eu tive o privilégio de fazer isso com um deles, enquanto comia um pastelão, inclusive. As batidas eram simples, mas funcionavam perfeitamente para o propósito sonoro e para a letra.



Segundo uma comunidade do Orkut que eu fazia parte (uma espécie de deep web das redes sociais), o funkeiro (não lembro o nome dele) que dava nome ao projeto e era auxiliar de pedreiro, morreu vítima de uma bala perdida quando voltava para casa em meio a um tiroteio entre policiais e traficantes na Chatuba. Até na hora de morrer, ele foi banal e representante da periferia carioca, morrendo igual a vários outros morrem até hoje em dia. Mesmo vivendo em comunidades e com UPPS (não acredita? Veja isso). Hoje em dia ele esta comendo cu e depois xereca no céu, onde não deve ter deixado nenhum cabaço no paraíso. 


Mas eu não sei se ele morreu realmente e seu legado continua, tanto que uns moleques, que devem viver no mesmo lugar onde ele viveu, lançaram uma compilação com músicas próprias em 2010. Uma tentativa de homenagear ou continuar o sucesso do funkeiro mais importante do esculacho musical carioca. O funk continua forte e bem representado (basta ver está lista feita pelo chapa Thiago Miazzo no matéria). Porém, para nós, ninguém chega perto da força que a frase “maquina de sequisso” teve! 


Se eu que moro no Recife e na época mal tinha internet, tive acesso ao som e ouvia ele tocando na rua por aqui na época (e até hoje), posso chamar isso de sucesso sim. Pelo menos entre os meus amigos de escola e colegas do bairro. Este post é uma homenagem, depois de ouvir voltando das compras na Avenida Norte (rodeada de morros e comunidades do Recife) um “Atenção Chegou Chatuba, vamo esculacha!” bem alto, numa espécie de remixe no carro ao lado. Isto prova que chatuba vive e vai viver pra sempre, enquanto tivermos liberdade na internet! Tanto que encontrei uma espécie de mashup utilizando Bonde do Sexo Anal com um clássico de James Brown, com o qual eu fecho este post para sua apreciação.


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