"O cimento das novas relações"

por - 15:11

pedreiro


Tive um insight numa daquelas conversas típicas de bar. Todo mundo tem eles o tempo todo, a vida é uma viagem cheia de sacadas e sacagens que acontecem o tempo todo, acredito eu. Ainda que esteja errado sobre isso, talvez não esteja sobre o que de fato compreendi na conversa, o que diz respeito à sociedade como um todo. Ninguém descobre coisas pequenas no bar, é sempre algo de proporções magnânimas e que promove a compreensão e a possibilidade de quebra de paradigmas, paz mundial e a porra toda. Atente-se ao fato de sempre estar reclamando sobre a vida, pois este é o elo que tem nos unido enquanto seres humanos nos últimos tempos.



Entre a decima segunda ou decima terceira garrafa, não consegui pensar em outra coisa que não fosse esta afirmação. Desenhei uma linha do tempo enquanto revisava toda a afirmação que acabara de construir no momento. Claro, tudo torpe e embriagado, não sou nenhum padre irlandês invasor de formula um para ser imune aos excessos de elixir etílico. Em tempos, falávamos de maneira despretensiosa sobre algo óbvio e que nem precisava ser citado como artifício para começar uma conversação. E muitos de nós ainda fazemos isso, claro. Mas por muitas outras vezes, percebo que a tendência é que a conversa tome um tom mais impositivo ou desabafado, como um “mas tá calor demais, né?” ou mesmo um “não aguento mais este calor!”, que iniciam um diálogo cujo tom não se altera num primeiro momento, mas que pode mudar se um dos indivíduos tomar uma atitude divergente.



Soa confuso quando se está sóbrio ou pensando simplisticamente, mas testei a teoria e ela procedeu neste caso. Em uma chuva absurda em um dos dias dessa semana, acabei parando na frente de um botecão rala bucho com um sertanejo duvidosamente universitário comendo solto. Não gosto do gênero em questão, mas meus fones estavam suficientemente altos para ignorar ao som ambiente, apesar da chuva fazer um estardalhaço. Removi meus fones e pensei “porra”. Segundos depois de tirar os fones, uma mulher chega perto e desfere: “puta merda, agora choveu mesmo... só porque saí cedo do trabalho”. Pensei rápido e respondi na mesma moeda, “é mesmo, agora fodeu”. Senti que ela iria continuar com as reivindicações ao natural, então me preparei. “Caralho, e eu tô sem guarda chuva! E essa porra chove e para a cidade toda”. Este era o momento de provar que a ciência social de bar teria sim sua efetividade e que Foucault e Sartre poderiam sim ter desenvolvido carreiras tanto academicamente quanto enchendo os cus de cachaça. Disse “Bom, pelo menos refrescou um pouco mais”. Ela concordou com a cabeça e atravessou a rua, coletando água suficiente para uma represa nova.



Concordo que para verificarmos a ciência dentro da observação social alcoolizada acaba sendo necessária a averiguação das premissas, mas poxa, é interessante como esta em muitas ocasiões faz sentido. Ainda mais em tempos de carnaval. Quem gosta, aproveita o feriado, quem não gosta, reclama da gliterização da bunda e da falta de programação na TV. Alguns fatores de aspecto mais cultural são levantados, como o famoso “O Brasil é visto como carnaval, futebol e samba”. Bem ou mal, falem de mim, já dizia alguém com carência afetiva. Mas de qualquer maneira, ambos os grupos encontram-se com outros que pensam de forma parecida. Em momentos de choque de pensamentos, o conflito tende a separar aqueles que pensam diferentemente. Nem sempre totalmente, mas de uma forma que o assunto se torne tabu e que não mais seja comentado. Pode não fazer completo sentido, mas poxa, é complicado fazer. E se não fizer, foda-se. Coisa de maconheiro! Academia é o caralho!


foda

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