"A marcha do 'não entendi'"

por - 15:07

64


Já devo ter dito em mais de uma ocasião o quanto apoio marchas populares e o quanto acho que elas podem ser confusas por carregar mais de uma motivação, que por sua vez, refletem uma salada democrática difusa e sem o crédito merecido, culminando em banalização ou pura inocentização de uma causa específica. Não sei se acaba sendo uma impressão mais pessoal sobre o que têm acontecido em boa parte das passeatas que são organizadas cujo tema é o fim da corrupção, mas verdade seja dita, são protestos cujo romantismo acabam se enaltecendo por demais e o objetivo por de menos.



Aí fiquei sabendo de uma marcha pró-64. E não estamos nem falando de uma galera que amava o Nintendo 64. Antes fosse, aliás, nunca tive um Nintendo 64, mas adoraria poder zerar o Mario pegando todas as estrelas. Imagine um pessoal, que nunca viveu o regime militar de 1964, mas que por alguma razão, sente falta deste tempo. É desta passeata que estamos falando. Bom, não tecerei comentários sobre a movimentação, até porque seria hipócrita de minha parte não defender a liberdade de expressão que tanto defendi em outros momentos, ainda que o motivo deste eu não concorde. Eles devem ter uns motivos bons, além do ódio comunista e do pedido de intervenção militar no Brasil.



Detalhe igualmente preocupante é a oposição frente a este protesto nefasto, que mostra o quanto as pessoas podem ter, no mínimo, alguma consciência do caos que seria uma intervenção militar. Até porque, parando para pensar, já estamos vivendo em uma. A auxiliar de serviços gerais arrastada, o caso Amarildo, a batalha da consolação, a supressão de greve dos carcerários, a violência policial a qual estamos submetidos há muito tempo me faz pensar se a passeata “64 foi legal” não foi um tanto redundante. Daí o descrédito no qual as passeatas caem naturalmente, conforme vimos ao longo do último ano. Não diria que é um efeito saudável, visto que elas perdem força conforme percebemos este movimento, mas para certas movimentações, é importante frisar o quanto isto pode ser benéfico.



De todo o modo, é importante lembrar que durante a ditadura, TODO tipo de passeata era violentamente retaliada. Até porque muita coisa acontecia debaixo da fuça dos militares. Tom Zé e o olho cego que o digam, apenas para ilustrar. Ou seja, me questiono se uma passeata pró golpe militar em pleno golpe militar seria violentamente suprimida ou apenas uma completa perda de tempo para ambos os lados. Mas enfim, o direito de protestar vale para todos aqueles que sentem a necessidade de faze-lo, tal como o meu direito enquanto cidadão é legitimar ou não meu apoio com relação aos mesmos. Afinal, protestos de cidadãos são feitos por cidadãos interessados. Em minha singela opinião, uma passeata pró-estado não passa de uma propaganda de dolly guaraná. Portanto, findo aqui com o seguinte: prefiro jogar Mario 64.


mario

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