Mente Vazia Num Ônibus Lotado: A pé tá mais rápido

por - 11:09

Caminhar


Sou uma pessoa que gosta muito de andar. Em algumas vezes, para a maioria das pessoas, eu beiro a loucura, por caminhar 8km sem nenhum problema, mesmo que tenha que atravessar pontes e etc. Me faz bem pra caralho e muito mais para o lado mental da coisa do que por ter pernas torneadas. Mas há uma grande história por trás disso e é óbvio que envolve o sistema de transporte público da cidade de São Paulo, que onde moro, de uns três anos pra cá, se tornou esquisitão.


A região que eu moro está extremamente populosa. Em um curto período de tempo, eu vi uma das “avenidas principais” do bairro se tornar um local cheio de prédios, alguns que destoam totalmente com as condições do bairro (varandas com churrasqueiras). De qualquer modo, chegou gente pra caralho aqui. Essa rua tem apenas uma faixa. É quase que uma união da Lins de Vasconcelos com a Conselheiro Furtado. Para atender essa população, a SPTrans não fez nada.


O número de partidas das quatro linhas que atendem a região é o mesmo desde que eu comecei a andar de ônibus na cidade, isso em 2006/2007 e é óbvio que o local que já era caótico naquela época com a adição de vários prédios, mais gente nas ruas, mais pessoas dentro dos ônibus que continuam passando a cada 20, 30 minutos, gera uma loucura. Desde então, comecei a ir a pé para a maioria dos lugares que consigo. Até oito, nove quilômetros, eu encaro numa boa. Pego a garrafa de água, o fone de ouvido e vou cortando por ruas legais. Tenho um controle do meu tempo invejável.




Essa é uma mixtape que fizemos para andar a pé, se quiser baixá-la, clique aqui

E agora, você pode se perguntar o porquê de tanta introdução. É só pra te situar. Porque agora começam os exemplos. Vamos a eles. Se eu quero ir, por exemplo, até a minha faculdade, eu consigo fazer o trajeto em apenas 30 minutos. São quatro quilômetros. Se eu quiser ir até a estação de metrô mais próxima, cerca de 40, em um trajeto de 5km. O mesmo percurso, de ônibus, demoraria pouca coisa a menos, no máximo dez minutos. Óbvio, eu iria colado na porta, não importa o horário, em um veículo velho pra caralho, porque letreiro digital aqui na vila é ostentação, e ficaria bem puto.


De um tempo pra cá eu comecei a pensar no tempo de viagem de vários locais até minha casa e em como andar a pé quase nunca tem diferença, principalmente quando você precisa embarcar em quatro ônibus porque “a SPTrans está realizando uma reorganização para melhorar a qualidade do transporte”. Vamos parar pra pensar onde está o erro nisso tudo. Se eu preciso pegar três ônibus e cada um deles demora mais ou menos vinte minutos pra passar, e estão sempre cheios (eu juro que até de domingo à noite a situação beira o ridículo, de ficarmos quinze minutos esperando gente subir), eu perco mais ou menos uma hora do meu dia apenas esperando-os. Em uma hora, eu consigo fazer metade do trajeto, ou um pouco mais.


Eu já andei do Metrô Vila Mariana até o Itaú Cultural da Paulista, após esperar 30 minutos dentro do terminal, cheguei lá, aguardei mais vinte minutos e eis que surgiu o ônibus que eu estava esperando na Vila Mariana. Total de tempo sem o veículo passar: 1h10min. Agora, se eu preciso esperar tudo isso, embarcar em outra linha, depois em outra, quanto tempo eu vou perder? Há uma óbvia conclusão nisso tudo: de 2011 pra cá, pelo menos onde moro, não há vantagem alguma de fazer percursos de ônibus.


Claro que eu gostaria que a situação mudasse, mas a cada mês, a cada corte de linha mal feito pela SPTrans, a situação fica cada vez mais lamentável. Poxa, sábado, domingo, feriado, os veículos sempre cheios, com gente quase em cima do colo do motorista. E o que eu faço? Eu pego meus fones, meu disco preferido do Black Flag e desço andando, bebendo uma água, olhando as mudanças do meu bairro (e de outros), cortando as ruas, sentindo o vento na cara e sabendo que se eu atrasar, a culpa será apenas minha e de mais ninguém. E ah, o melhor de tudo: eu não pago nada.

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