Nota sobre lutas e bandeiras levantadas

por - 15:13

marcha


Não sei quanto a você, mas vi um pessoal desconfortável com o fato de o carnaval ter coincidido com o dia internacional da mulher. Assuntos devidamente delicados na medida em que lembramos de como tais mobilizam, para o bem ou para o mal, o imaginário popular. Sinceramente, achei este carnaval menos escandaloso em termos de nudez do que qualquer outro. Bem, não assisti a todos os desfiles, mas minha impressão neste ano foi de um carnaval mais comercial pra gringo ver do que sexual para o gringo “comprar”. Se quiserem tirar o estereótipo de país extremamente sensual e tropical, que reclamem com aqueles que puxavam as cordinhas de Carmem Miranda, que vende o Brasil desta forma desde que muitos de nós nem éramos nascidos. Hollywood é um lugar filho da puta, concordo.



Impressões a parte, o incômodo foi maior por esbarrar na luta dos direitos das mulheres, no julgamento do Blade Runner para saber se o replicante será ou não desligado para sempre após ter matado a namorada, no aflorado debate sobre o machismo em suas formas mais inexpressivas, porém presentes, e na incapacidade de empatia de muitas parcelas da sociedade branca, cristã e capitalista nesta balada sertaneja da democracia. Acho que consigo compreender o incômodo, no entanto, não dá pra escolher uma hora para se criar consciência daquilo que devemos e/ou deveríamos ter discutido muito anteriormente, visto que os episódios de racismo tem se evidenciado cada vez mais nas grandes mídias, revelando suas faces “escondidas” desde sempre.



E no fim das contas, quem sou eu? Um homem, cuja ignorância não cabe dentro de um disco do Ted Nugent. Isso porque Ted Nugent é horrível. Mas como qualquer marchinha de carnaval, abro alas àqueles que sabem pelo que estão lutando, aliás, vocês têm meu apoio. Uma vez que não provoquem a insatisfação da dúvida que em momentos me toma, seja por atos babacóides ou por pura falta de nexo em atitudes não-diretamente conectadas a ações lógicas. Todos têm e podem ter seus acessos randômicos, reconheço, mas manerem aí. O dia internacional da mulher não é o dia em que você feminiliza e fragiliza, mas que você conscientiza e manda o cara com uma rosa ir tomar no cu.



Por mais que possa estar errado em muitos momentos, paro e volto a pensar no que posso ter feito de errado. Descubro o que pode ter sido? Muitas vezes não. Diferentemente daqueles que se permitem reivindicar aquilo que lhes é de direito. Estes não devem errar, pois estão em maior número e, espera-se que, consigam pensar mais e mais rápido. E não importando o feriado ou a data comemorativa, possamos vencer o maldito do Ted Nugent e suas roupas escrotas de crocodilo.


ted

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