"O que dizer sobre comédia sem graça?"

por - 15:18

praça


Estávamos eu e um professor , numa tarde qualquer, falando da academia e seus componentes que, quando em reunião por congresso ou bancada para análise de trabalhos científicos, devem ser estreitamente sérios mesmo quando o momento não cabe seriedade. Contou ele um causo em que o pesquisador havia apresentado um raciocínio X para a solução de uma situação Y do qual não havia sido eficaz em absolutamente nada, e que já havia sido tentado pela mesma outras quatro vezes. Na bancada, um dos avaliadores questionou inteligentemente, porém de forma jocosa e debochada. Este foi condenado veementemente por todos os presentes que acompanhavam a banca.


Compreendo que a seriedade em aspectos acadêmicos seja importante, tal como me preocupa a falta de humor em outros momentos, no entanto, por mais engraçado que tenha sido o tal comentário, o ambiente não dava possibilidades para que um intelectualizado simplesmente achasse graça da insistência, que deve ter um motivo, do pesquisador. Sou o primeiro a lançar a pior das anedotas na intenção de extrair a alegria da ironia, sarcasmos e tantas outras ferramentas de retórica que são possíveis, mas devo reconhecer que nem tudo tem graça, sobretudo quando você vai subir em cima de algo ou de alguém para mostrar o quanto destemperado você é.


Eis o motivo pelo qual repudio totalmente Danilo Gentili, Rafinha Bastos e toda essa corja pós-Seinfeld da comédia brasileira. Grande parte consegue romper as barreiras do tolerável numa piada e partir para a pura incapacidade de ser intelectualmente sutil. Tudo é uma forçada de barra, seja para algum lado ou para alguém. E como isto reflete na geração babacóide que acha bacana odiar gente que ouve funk, se acha inteligente por ouvir rock e por acompanhar tudo que acaba virando viral ou memético (na internet e até a própria). Eu lhes digo, se vocês julgam, serão julgados da mesma forma.


Vi por acaso alguns tecendo piadas da mais baixa estirpe sobre MC Mayara, MC de eletrofunk do sul do país, ter engravidado sendo menor de idade. E como as pessoas parecem ter achado graça com o fato, por conta de ser uma MC de eletrofunk. Não entrando no mérito, mas é como dizer que o modo de vestir de uma pessoa determinasse sexualmente se ela pode ou não ser atacada. “Ela pediu” e todo o tipo de marcha contra o sexismo vigente na sociedade numa luta que resume as ultimas semanas. Independente do gênero musical ser ou não erotizado, a questão é o rótulo que este dá a seres humanos, das mais diferentes classes sociais, etnias e credos. Não me salve mesmo.


E o que tirar de lição de um escrito mal escrito cujo autor mal sabe construir pensamentos acerca de sua própria indignação com a capacidade de um ser humano em ser babaca? A reflexão mais válida: “estou sendo um babaca também?”. Não responda, apenas feche a página, desligue seu computador e faça esta pergunta para o que tiver ao seu redor. Se seu disco do AC/DC te responder, desligue-o. E a propósito, aquela propaganda do Old Spice Brasil é uma merda.


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3 comentários

  1. Concordo com boas partes porém generalizar todo roqueiro como um "auto-elitizador" é uma bola fora. Eu sei que é uma realidade de boa parte dos "roqueiros" mas não se deve por sempre,tudo no mesmo saco, assim como os funkeiros que são inferiorizados pelos "roqueiros" supracitados.

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  2. Julgar é algo que mesmo não querendo já estamos fazendo.
    Sobre Rafinha Bastos, Danilo Gentili e tantos outros, falam o que bem entendem, e se falam merda, vem com comentários como: " Foi só uma piadinha ".

    Comentários cheios de preconceito e besteirolas acabam se transformando apenas em " simples piadinhas ".

    Conheci seu blog hoje e tenha certeza que estarei aqui todo dia.

    Parabéns pelo trabalho.

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