Um chat com o Carlos Issa e o novo single da banda Auto

por - 14:09

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O Auto é uma daquelas lendas da música underground brasileira. Desde os tempos dos anos noventa, quando circulava bem pelo hardcore nacional com os seus trabalhos lançados em fita k7. De lá até aqui muita coisa mudou na formação da banda e no som que o grupo faz atualmente. Podemos perceber isso na canção “My Crime”, single lançado hoje pela Submarine Records, com nuances de experimentalismo e eletrônico por camadas musicais interpostas, que combinam muito com o vocal um tanto gutural e bem encaixado no caos criado pela banda.


Aproveitamos o lançamento do single para falar com um dos integrantes da banda, Carlos Issa (Objeto Amarelo), uma das lendas do experimental nacional com mais de 10 anos de música torta. No papo, falamos do processo de gravação para o LP do Auto que sairá em maio pela Submarine Records/ Norópolis, influências sonoras, entre outras coisas. Saca aí.


• Quando eu conheci a Auto, ela era uma banda de hardcore. Hoje em dia tem nuances de instrumental e eletrônico, essa mudança parece bem natural. Queria saber o que restou do hardcore na banda?


Carlos Issa: difícil esse, Diego. Bom, acho que sou o único da banda que veio do lado guitarra da SST (risos). Era um hardcore mais pro Minuteman e Black Flag, que pra mim é mais rock mesmo.


• Eu tenho uma teoria (pouco trabalhada), mas eu vejo que praticamente todo universo experimental brasileiro veio do hardcore. O Hurtmold, o Labirinto, o Auto, todo mundo tinha nuances de hardcore lá na adolescência de skatista. Como você vê esse caminho?


Carlos Issa: cara é isso mesmo o que acontece. O experimental diy é o mais produtivo hoje em dia.


• Mas não é um lance meio anacrônico? O hc/punk são três notas, o instrumental e experimental é bem mais trabalhado.


Carlos Issa: nem sempre. As vezes é muito mais simples, uma pessoa só, poucos pedais, sons retos e abstratos. Muito mais simples que baixo, guitarra, voz, bateria e etc. É que você pegou o Hurtmold e Labirinto. Acho que o punk e o hardcore são experimentais na essência. Quando você tira a camada política, o discurso, as letras, e observa a invenção sonora, todas dão algum passo além. A ética punk é experimental, o som muitas vezes reflete isso. A diferença no final é a seguinte: a estrutura é igual, mas tem um caminho que vai da canção pra abstração.



• Esse single novo do Auto é a linha do disco que vem em maio? Quantas faixas tem? Os outros temas são maiores? Qual a melhor música do álbum pra você?


Carlos Issa: sim, esse single tem muito do disco todo, sonoridades abstratas, abrasivas, e um equilíbrio maior entre todos os sons, tudo ali tem o mesmo valor. São cinco faixas, todas longas, entre 4 e 10 minutos. Pra mim, a melhor é "Feast".


• O que tem de Objeto Amarelo no Auto? O que tem de Auto no Objeto Amarelo?


Carlos Issa: eu levei pro Auto o lado abstrato e horizontal do Objeto Amarelo, uma tentativa de equilíbrio entre todos os sons e uma variedade sonora maior, tentei envolver mais instrumentos e processos. Do Auto vem o convívio, é tudo mais imprevisível.


• Isso tem a ver com composição também. Então como é o processo de composição do Auto? E o disco foi gravado onde?


Carlos Issa: ligamos os instrumentos e começamos o som num processo aberto até algo bom pra todos surgir, daí paramos, repetimos e definimos a música. Gravamos no estúdio do Bernardo Pacheco, guitarrista do Elma e masterizamos com o Fernando Seixlack, também do Elma. O disco é quase um split.


• Valeu aí pela disponibilidade Carlos, tem mais alguma coisa importante pra falar sobre esse momento do Auto e que eu não perguntei?


Carlos Issa: pô, valeu você Diego! Acho que é isso, cara. Do jeito que as coisas estão caminhando, o Auto parece uma banda que se formou agora. Tá todo mundo muito instigado e feliz com os sons e com as possibilidades daqui pra frente, tipo um mundo novo, mesmo. O fato da Submarine e da Norópolis estarem ajudando cria um ambiente muito produtivo também, essencial pra trabalhar música assim por aqui.




AUTO - CCSP - CINZA.TV from CINZA.TV on Vimeo.

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