House of The Rising Sun #2

por - 14:06

foxygen


Tem duas posturas comuns por aí que me incomodam bastante: de um lado, aquela ladainha de que “o rock morreu”, propalada, em geral, por gente que parou de ouvir música faz tempo e está curtindo esse velório desde o final do século passado; no canto oposto do ringue, o pessoal que se deslumbra com qualquer artista novo que aparece e prefere festejar toda a contemporaneidade a se dar ao trabalho de separar o joio do trigo.


Não tenho mais o mesmo entusiasmo (e nem tempo o bastante) para acompanhar as novidades musicais que brotam todos os dias na internet. Mas mantenho, sempre, a esperança de que a humanidade continue produzindo coisas bacanas. Se existe uma fonte da juventude, ela certamente está ligada a essa busca constante por aventura. Por isso, apesar de não me encantar com grande parte do que chega aos meus ouvidos, apesar de frequentemente sair dos muquifindies que frequento avaliando os shows como “legal, mas ainda muito ingênuo”, continuo dando chance aos novinhos.


Do ano passado pra cá, três bandas de moleque me fizeram reafirmar a crença em um futuro musical interessante. Tá certo que todas têm a ver com velharias psicodélicas que me atraem. Mas estes garotos me conquistaram pela irreverência; por não serem meros paga-paus de clássicos, atualizando aquilo que tanto nos encantou em sons de outras épocas.


Primeiro foi o Foxygen, que me ganhou já no título do álbum: We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic. Botei no celular e ouvi, religiosamente uma vez por semana, durante todo o ano de 2013. A única resenha que consigo pensar para este disco é: deu uma vontade absurda de ir para São Francisco agora (não aquela vontade que sempre existiu de pegar uma máquina do tempo e ir para lá no final dos anos 60). A cada clipe que saia me apaixonava mais pelos caras. Daí, teve esse vídeo do La Blogothèque que me fez querer ser amiga deles para sempre:



Depois, numa madrugada qualquer, fui parar em um vídeo que me intrigou muito: como é que nunca tinha ouvido falar desse Temples? A imagem na tela parecia de alguma banda antiga que, por algum motivo insondável, tinha passado batida nas minhas pesquisas nesses anos todos. Mas só havia mesmo três vídeos num canal oficial do YouTube e a promessa de um novo vício. O disco de estreia, Sun Structures (outro nome ótimo), saiu só no começo deste 2014 e foi boa companhia em minhas caminhadas no escaldante verão paulistano. Afinal, se é pra derreter, bora fazer isso direito, né?



E, por fim, o Boogarins. Já estava todo mundo falando neles – e isso contribuiu para eu ir a um show na Casa do Mancha (meu muquifindie favorito), em dezembro, com uma enorme vontade (juvenil, é verdade) de discordar do hype. Mas não deu. Tinha visto uns dois vídeos deles apenas e achado ok. Ao vivo, fiquei de cara. Toda banda brasileira que se enreda pela psicodelia e sabe se diferenciar dos Mutantes merece respeito. Os que conseguem enxergar Júpiter Maçã além da aura de “doidão” merecem crédito extra. O Boogarins, além disso, tem boas letras. Sai do show achando os caras melhores do que o hype que pintaram. As Plantas Que Curam virou audição recorrente e comemorei a extensa turnê que eles estão fazendo pelo mundo como uma vitória da nossa geração.



Podia passar meus dias lamentando não ter vivido a virada dos 60 pros 70; ou me recusar a reconhecer a bagagem que construi ao longo dos anos pesquisando e apurando meus critérios e achar (quase) tudo lindo e maravilhoso. Mas prefiro evitar comportamentos extremados e continuar por aí, buscando a juventude eterna em canções.

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