Impressões do 2º dia do Festival Abril Pro Rock

por - 14:09

APR2014

O dia do metal é sempre sucesso de público e não apenas por causa das bandas. O pessoal do hardcore e punk também comparecem bem e metaleiro adora celebrar, ainda mais quando tem grupo bom. Quando cheguei na entrada Chevrolet Hall, o mar de gente já era visível, e ainda era bem cedo, para quem queria ver as atrações gringas do final. Ao fim da noite, cerca de 7500 pessoas estiveram no espaço para acompanhar os shows do sábado. Neste texto, você irá ler visões de três pessoas diferentes sobre algumas apresentações deste sábado. Como me atrasei, perdi o Dunes Hill, o Krow e o Monster Coyote, mas o brodagem George Frizzo viu a banda de Mossoró e conta como foi.

Monster Coyote APR 2014

Uma das características essenciais que os festivais alternativos possuem é, ou pelo menos deveria ser, a revelação de artistas novos de qualidade os levando a se apresentarem a um público maior do que estão acostumados. E o Abril pro Rock com certeza é um dos que trabalha com isso muito bem. Vindos de Mossoró, o trio Monster Coyote se encaixa perfeitamente nesse perfil, e provaram porque é uma das novas promessas do stoner rock nacional. O som enchia os ouvidos de quem chegava ao festival naquele momento (como eu que perdi a primeira banda) e conseguia hipnotizar de imediato. Ele se mostraram uma banda coesa, e bastante entrosada, embora a pouca idade do grupo, conseguindo impressionar com riffs pesados de guitarra e andamentos sabatianos o público que se reunia em frente ao palco esquerdo do Abril Pro Rock.


Desalma APR2014


Desalma fez um dos shows mais coesos e brutais que vi neste sábado de Abril Pro Rock. Me atrevo a dizer que foi uma das melhores apresentações pernambucanos que já vi no dia de peso do festival. Usando como base o repertório do disco lançado no ano passado (o Foda-se), o quarteto destilou todo seu veneno metaleiro com influências de Pantera e por que não, Ratos. A participação do Bongar apenas elevou o barulho, mantendo o nível bem alto. A banda foi bem recebida pelo público, que rodava sem parar.


Pelo calor absurdo, fui tomar uma água e deixe Diogo Galvão vendo o show do Conquest (que vi de longe, esperando o Olho Seco) e o do Mukeka, que não tive muita vontade de sacar. Comecemos pelo fodástico Conquest For Death.


Conquest For Death APR2014


Logo após ter entrado, o show que pego foi o dos americanos/resto do mundo do Conquest For Death. Já tinha visto a banda da outra vez que vieram pra cá (Festival DoSol de 2012) e estava ansioso pra vê-los de novo. O problema foi o som. Não estava bom, sem definição e por conta disso foi bem difícil compreender algumas músicas. Porém a banda não parecia se importar (e parecia não saber do som dos PA's) e meteram mola. Mais uma vez mostraram pra mim que são uma das bandas mais legais de hardcore para se ver ao vivo, eles tem energia pra caralho. 


Olho Seco APR2014


Do lado, começou a apresentação de mais uma lenda vida do punk nacional. O Olho Seco entrou no palco com trinta e quatro anos de punk rock para demonstrar e já pegou um público rodando e fazendo mosh antes mesmo do final da primeira música. Em todo instante, Fábio, o vocalista da banda, exaltava o público. A homenagem a Redson (ex-Olho Seco e frontman do Cólera) foi bem bacana. Um dos melhores momentos foi quando a banda tocou “Isto é Olho Seco”, mas o show foi recheado de clássicos. Tratou-se de um daquels momentos históricos do Abril Pro Rock. Quem viu, viu!


Mukeka APR2014


Depois foi a vez do Mukeka Di Rato, e Mukeka no nordeste é jogo ganho sempre. A banda mais escrachada do hardcore nacional toda vez que vem faz a alegria do clube da criança junkie que tem por aqui. Não tem muito que esperar do grupo, nem esperar que toquem direito, visto que Pitu Cola existe e Mozine e Crew já tem o conhecimento dessa iguaria. Na hora do palco, tudo beleza, bom set de músicas tocando todas as fases da banda, do Pasqualin ao Atletas de Fristo , boa performance, só que mais uma vez o som do APR ficou a desejar e uma bagunça de volumes embaixo e microfonias prejudicaram um pouco a apreciação das pedradas que os capixabas tocavam, mas o show foi bem feito.


Hibira APR2014


Hibria foi uma surpresa. A banda de heavy metal era uma que tinha certeza que iria detestar e por isso nem me programei para ver o show deles, mas aos poucos enquanto bebia e conversava com amigos o som foi me chamando a atenção e comecei a perceber que tava era bom o negócio. Não gosto do tipo do som dos caras, porém ao vivo a coisa funciona muito bem. Aquele tipo de grupo que é melhor ao vivo do que em disco, e que ótimo ainda ter bandas que conseguem surpreender no palco até quem não goste do seu som. O show poderia ter sido impecável se não fosse a parte do "abaixa, abaixa" feito micareta que fizeram. Assim não dá galera.


A banda mineira Chakal é outra que tem bagagem no mundo do metal. A sonoridade passa pelo thrash, o vocalista diz que eles são mal, mas achei tudo muito lugar comum. Não achei a apresentação ruim, mas foi longe de ser alguma coisa que ficará na lembrança.


Havok APR2014


Das bandas que tocaram no sábado, o Havok foi o que mais dividiu as opiniões de quem eu conhecia que viu o show. Alguns amigos acharam foda e outros um saco e entendo ambos os lados. O Havok é uma banda de thrash americana que é meio que fruto dessa onda atual de thrash que tá rolando, e é bem conhecida por isso. O show começou morno mas depois engrenou e o grupo é sim muito competente. Músicas muito bem feitas, o vocal do maluco é bom pra caralho, e algumas faixas me lembraram muito o Kreator. Agora seguinte: nada de novo, não que seja mau não apresentar nada, já que o próprio público metalhead as vezes é bem intolerante a inovações ao que se refere ao um som bem clássico como o thrash. Preferia o Violator.


Daí George Frizzo voltou pra falar dos dois totens que tocaram na edição deste ano do festival, Kataclysm e Obytuary, quando já passávamos da uma da manhã do domingo.


Kataklysm APR2014


Queridinhos entre os adoradores do metal extremo o Kataclysm fez um show direto e incisivo. A banda ao vivo dá a impressão de um trator passeando pela sua cabeça, mesmo que isso venha apenas de uma guitarra, um baixo e uma bateria. Fizeram um set mais voltado aos trabalhos recentes com mais enfase nas partes cadenciadas e pesadas deixando um pouco de lado o material antigo e mais exporrento. Os radicais estranharam, mas com certeza ganharam mais fãs. A reserva do life de energia já estava no finzinho. Depois dos shows do Havok, Olho Seco, Mukeka Di Rato, Chakal, Hibria cansaço já se mostrava nítido nas faces dos Headbangers que permaneciam em pé. E mesmo com o Kataclysm ainda tocando no palco esquerdo, um grande grupo já se espremia em frente ao palco direito que em alguns momentos a lenda do Death Metal mundial, os americanos do Obituary se apresentaria. 


Obituary APR2014


Uma pequena pausa entre os shows e como que recebendo um life novinho em folha a massa banger semi Walking Dead ressucita dos mortos ao ouvir os acordes iniciais de "Infected". John Tardy brada seu primeiro urro inconfundível e o publico entra em catarse. Pra alguns um sonho para outros o encontro com os deuses do metal do Obituary. O que se viu em seguida foi uma banda afiada executando um repertório que misturava classicos de seus três primeiso albuns, "Slowly We Rot" "Cause Of Death" e "The End Complete", entre uma e outro nova, justificando o nome da tour "Classic Set-List Take Over" (set list clássico Assume o Controle), transformando a segunda noite de Festival Abril Pro Rock num dos marcos históricos para o metal nacional! Parabéns Abril Pro Rock!


PS: Todas as fotos retiradas do FLICKR da Agência Pavio e feitas por Marcos Hermes.

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