"Eu sou um ex-contínuo..."

por - 15:06

ex


Já viu aquele cara que anda de moto na rua e parece até que faz questão de passar fazendo um barulho infernal? Pois é, a vida insiste em me jogar alguns desses na frente. Nada contra a potência, ou falta de, que seu veículo dispõe, mas a questão as vezes é que isso pode incomodar o resto do mundo que não está andando de moto. Não quero parecer indelicado, só estou tentando preservar minha saúde auricular (que eu insisto em destruir com os fones de ouvido que uso para fazer exatamente o inverso daquilo que os amigos motoqueiros barulhentos fazem).



Falo isto porque existem casos e casos. Uns realmente fazem barulho por falta de opção, mas esses dias passava na frente de dois motoqueiros de domingo estacionados conversando. Digo motoqueiro de domingo por ser um titulo autoexplicativo. Aliás, maldita seja a Harley Davidson. Um deles disse “tem que fazer barulho, senão ninguém te percebe” enquanto o outro riu como uma hiena. “É verdade, quem olha paga um pau e fica pê da vida”. É, quanto ao motivo da raiva, podemos conversar, mas eu discordo. Tive uma vontade excruciante de perguntar o porquê de tal conceito, além claro, desse fogo na bacuínha de fazer os outros te olharem.



Pincelando psicologia no assunto, em alguns momentos, as pessoas gostam de jogar substitutos quando o questionamento é relacionado ao valor que este lhe atribui. Se seu amigo gosta de falar que tem uma lamborghini e anda com ela pra lá e pra cá como forma de mostrar o quanto fodão ele é, muito provavelmente ele não se sente fodão e por isso resolveu tentar te convencer de que ele é. Claro, não posso afirmar que todo caso é assim porque a subjetividade do amiguinho sempre vai ser dele e nunca dirá respeito à ninguém, a não ser claro que você tente pincelar psicologia nos assuntos, coisa que não é tão legal de se fazer.



Quando fui menor aprendiz, passei por maus bocados neste sentido. Todos se sentiam no direito de me menosprezar por eu ser um menor aprendiz. Detalhe, era um escritório de engenharia. O que apontei de lápis pra quem se dizia no topo da cadeia empresarial não foi brincadeira. E todos se justificavam por serem engenheiros e por serem muito bem sucedidos, enquanto o menor aprendiz tinha que “saber o próprio lugar e agradecer por estar aprendendo”. É, aprendi sim.



E independente de qualquer coisa, seres humanos deviam se lembrar de que são mortais, dinheiro não é tudo, barulho é barulho e seu cargo não tem nada a ver com educação. Infelizmente, nossa sociedade branca, cristã e capitalista é complicada e toda essa babaquice se sustenta nos alicerces da hipocrisia. Bom para eles, ruim para mim, que continua andando a pé e longe do ramo da engenharia. E sem moto. Mas caminhando sempre para uma melhora constante, sermão por sermão, a fim de buscar uma sociedade mais humanizada. E antes que me esqueça, eu sou um ex-menor aprendiz, mas você que se sente superior por ganhar mais e por fazer barulho com sua moto gringa superfaturada é um filho da puta!


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