"Por uma festiva menos direita"

por - 15:21

COXINHA-DE-FRANGO


Quando era criança, vivia em festinhas de aniversário, daquelas cheias de doces, refrigerantes, música alta, adultos bebendo no canto, assando carne de segunda categoria e observando a molecada se acabar na brincadeira ou fazendo as famosas “coisas de adulto” que as crianças nunca podem saber o que é. Os pais usam a lógica de que crianças de mesma idade têm muito em comum, então só precisam se unir para serem amigos e brincar. Eles até tinham razão se nós, crianças, pudéssemos usar as mesmas premissas deles para o convívio social. E com certeza usávamos, só não tínhamos este grau de consciência.



E, vou te contar, como era bom usar altas doses de açúcar (bolo, brigadeiro, beijinho, guaraná, balas, doces de modo geral), correr e brincar até não conseguir mais andar e depois voltar pra casa ou dormir lá mesmo sem nem ao menos perceber e praticamente desmaiar de tanto cansaço. Curiosamente ou não, os adultos de antes, e de hoje também afinal, fazem exatamente a mesma coisa em seus ambientes sociais mais despojados, apenas substituindo açúcar por drogas, lícitas ou não. A atividade física se mantém presente, seja na forma de dança, sexo, ou mesmo o bom e velho ficar de pé curtindo a brisa. O cansaço sempre também existirá em algum momento e o grau de inconsciência sobre a noite anterior também, de certa forma.



Aprendemos desde cedo o quanto é importante ser “festivo”, independente de nossa posição social, o que curiosamente reflete como funciona a nossa estrutura de lazer especificamente. O “dar uma festa” é um ritual relativamente sagrado em nossa cultura e recentemente esta foi considerada mais aproveitada por apenas uma parcela da população, a de ideologias mais liberais. Acho engraçado como a esquerda foi atribuída como manjadora das zoeiras e das putarias, quando na verdade, isso parece independer totalmente de questões ideais. Mas claro, posso estar errado, considerando que posso estar inserido neste nicho, mesmo não sendo um grande pirolão. Da mesma forma que posso estar dentro do outro lado, exatamente por este motivo.



Metades à parte, as festividades não devem parar. Aos que consideram o “pegar mulher” como sendo algo exclusivo daqueles que atribuem valor ao “objeto de pegação”, devo parabeniza-los por serem inteligentes o suficiente para também lembrar que mulheres não se pegam como pokemons. Talvez por isso estes tenham mais sucesso com elas. A preocupação com a proliferação de uma direita mais festiva, a meu ver, denota o medo da extinção de uma direita, o que seria um tanto utópico. De todo o modo, é possível que assim não teríamos tanta gente de rabo preso e reclamando de tudo sem ao menos promover um debate a fim de se discutir as tão necessárias melhorias que queremos e precisamos. Ou seja, o clamor pela direita mais malandrinha acaba sendo válido.



Devemos ter cautela ao ler determinados escritos, este incluso. Alimentar uma discussão é importante, só é legal primeiro termos certeza daquilo que vamos falar. Direita, esquerda, meio, não importa muito no fim do dia, contanto claro que o devido respeito seja empregado. Infeliz é aquele que inveja a alegria do outro ao invés de ser alegre também. E parafraseando a grande pensadora, beijos aos ombros dos desejos reprimidos alheios.


luiz-felipe-ponde

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