"Somos todos bananas"

por - 15:04

bana


“Musica es medicina”. Concordo plenamente. E como todo remédio, se usado de forma aleatória, pode fazer um mal danado, motivo este pelo qual não gosto de Teatro Mágico. Ou vai dizer que você adora tomar benzetacil na bunda? Meio cabisbaixo da vida, resolvi ouvir um pouco de Pixies para ver se mantinha o ritmo e resolvia tudo com um suicídio rápido e imediato. Sem resultado, ouvi dois discos deles até chegar à Monkey Gone to Heaven. Fiquei com ela na mente.


No mesmo dia, soube da campanha antirracista acerca da situação que os jogadores de futebol vem encarando desde, sei lá, o início do racismo, sobre serem comparados com macacos. Racismo acontece e todos já devem ter vivenciado, praticado ou visto algo relacionado acontecendo, mas o negócio muda de figura quando alguém tem a brilhante ideia de aceitar a condição racista que vem sendo imposta por aqueles que acham correto comparar seres humanos a macacos. Porque quando a maioria fala, ela tem razão, certo? Acho que não, mas se a maioria estiver fula da vida e com tochas e rifles prontos para pegar quem discorda, aí posso até concordar.


A parte complicada da história, que ainda não está completa, entra em cena quando na verdade a brilhante ideia de aceitar a condição de macaco veio de uma campanha publicitária. Mexeu com dinheiro, aí tudo fica nebuloso e obscuro, como se alguns ideais não fossem pautados em cima dos alicerces econômicos. Nem quero entrar no mérito de quais são estes, aí fica a seu critério pegar o martelo e o diapasão para destruir os falsos ídolos, mas “somos todos macacos” me parece uma ideia vinda do Danilo Gentili e da sua audiência reaça e fã de Ultraje a Rigor.


O fator econômico abre precedentes a se questionar e a se especular em níveis estratosféricos. Imagine se tudo isso não foi pensado para que aplaudamos jogadores comendo banana quando os gringos gastarem dez dólares as comprando na porta dos estádios. Imagine o mercado de bananas, financiado por atores e apresentadores globais, que se beneficiarão com os produtos do capitalismo desenfreado e da fragilidade do ser humano sendo transformada em cifrão. Quantos outros comerão as bananas plantadas pela desigualdade que está sendo fomentada? E as criancinhas? Pararam de pensar nas criancinhas do nada?


Não são de indumentárias que precisamos para combater aquilo que está enraizado na mente da sociedade. Infeliz é aquele que se sente superior por irrelevâncias tidas como relevantes por conta da história, que aliás, tacha o homem branco como sendo um verdadeiro ignorante, mas que não é levada em conta, visto que outras diferenças se tornam mais características. Mas é como observamos, enquanto uns imitam a Suíça e acreditam que vão combater algo com artigos compráveis via internet, outros vivem a Africa do Sul em pleno Apartheid e continuam a ter que engolir os preconceitos socialmente aceitos ou não e que continuam assolando esta terra.


Talvez algumas ações não sejam tão extremas como soam, quando falamos de especulação, mas é bem verdade que muitas das atitudes tomadas pela "alta cúpula" deviam ser pensadas a fim de cessar pensamentos desrespeitosos quanto a irrelevância relevante que é a cor da pele de um cidadão. O brasileiro já é segregado por questões mínimas, estimular isto é dar um tiro no pé. Atitudes irreverentes que desmistifiquem estigmas antigos são sim interessantes, bananas são comestíveis, independente do contexto em que ela é oferecida, mas vender uma camiseta por 60 mangos é uma atitude fora da compreensão humana. E aí eu falo que o Luciano Huck é o anticristo e ninguém me ouve.


huck

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