"Sobre 'Selfies' e recordações"

por - 15:06

neymar


Há um tempo estou tentando me familiarizar com o termo “selfie”. Não sei quanto a você, mas toda vez que ouço alguém chamando uma galera para uma selfie, acho que ela vai se masturbar e todo mundo vai assistir. Bizarro em muitas ocasiões, atentem-se que disse “em muitas situações”, mas pensando bem, ambos os propósitos são relativamente narcísicos e necessários para se manter enquanto ser humano. Tanto a masturbação como a aceitação alheia são saudáveis para que o ser humano se sinta minimamente acolhido socialmente falando.



Por estar tentando ao máximo acompanhar a copa do mundo, que obviamente seria citada para cobrir a cota de saco cheísmo até o fim do evento, estou sempre vendo nossos amigos da crônica esportiva citando esta como a “copa da selfie”. Se produzisse filmes pornô, teria o título vencedor do AVN em minhas mãos. Convenhamos que nossos amigos jornalistas esportivos são verdadeiros MCs e DJs, dado o nível de freestyle da coisa, mas o conceito apresentado na selfie sempre existiu, porém com outro nome. Auto retrato pra mim sempre foi um nome suficientemente explicativo, o que prova que meu ponto tem certo fundamento.



O fato de muitos estarem tirando as famigeradas fotos de si mesmos em um lugar nos sussurra algo ao ouvido. É difícil criar estatísticas, mas a necessidade de se mostrar inserido em um lugar sobre um determinado ângulo pode nos falar mais ainda sobre a tendência de imortalizar momentos que, circunstancialmente, já seriam inesquecíveis, desestimulando gradualmente a capacidade de se recordar de tais momentos em futuros distantes. Faço isso de vez em quando com o meu computador para limpar o espaço que posso utilizar com outras coisas. Ou pior, apenas para manter o espaço vazio e ter a possibilidade de ocupa-lo com nada. Percebe a analogia?



Então a “copa da selfie” marca também o símbolo de uma sociedade que evidencia sua decadência em termos de capacidade de recordação e até mesmo de subjetividade. Nem todos os momentos são importantes a ponto de serem recordados, imagino eu. Se fossemos capazes de recordar tudo aquilo que já vivemos, provavelmente não mais viveríamos. Ou não mais nos entorpeceríamos para nos esquecer. Poético, não? Atribuímos significados a símbolos, mas me pergunto se somos capazes de simbolizar absolutamente tudo aquilo que desejamos. E pensando bem, estamos próximos de descobrir. Quem vive de orgulho, morre de saudades e quem bate selfie demais... não consegue segurar os grandes momentos da vida, entende?


broxa

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