O mal estar das últimas semanas

por - 15:11

greve


Inferno é repetição. Imagine o quão doloroso seria viver sua vida novamente após ela ter acabado e o quão chato seria fazer tudo novamente, talvez até sem perceber que tudo que você está fazendo é exatamente como já fez. Pois é, se tem gente que já não gosta de segunda-feira mesmo sabendo que ela acontece toda a semana, temos aí o retrato do sofrimento de uma pessoa. Pense naquele dia ruim sendo vivido de novo, seja pela topada na quina com o dedinho do pé, ou porque choveu e sua meia molhou. Exemplos leves da rotina de qualquer um.


Joguei este psicológico só pra ilustrar que a greve do metrô veio e sob circunstâncias similares à greve de ônibus, muita gente ficou na mão pelo direito que os outros têm de deixar os outros na mão para não ficar na mão também. Se você acha que precisa protestar por algo que quer, quem sou eu para te repreender, mesmo que eu me foda no processo. Ser compreensivo não é característica somente minha, a população tem se mostrado solícita de modo geral. E confesso que o amadurecimento de todos tem se provado surpreendente de meu próprio ponto de vista. Talvez tenha subestimado as pessoas em minha volta e a isto me retrato quanto ao pensamento que tinha de que o caos seria total. Foi parcial.


Bem verdade que a mídia, inquieta, busca as cabeças dos organizadores da tentativa de organizar as coisas ao modo não-executivo, mas novamente, percebe-se que a população sabe bem discernir e ser empática com os semelhantes. Não são tantos os coxinhas que opinam sobre os assuntos que não dominam e esta greve foi a prova disso. Mexer com o povo não é fácil e o próprio povo sabe disso.


Deixando o discurso político genérico convencional de lado, acho importante citar que a Copa do Mundo pode fazer novas greves eclodirem. Pode e deve. Não que elas serão cruciais para que a imagem do Brasil seja maculada com o símbolo de um povo que não é organizado, que é violento, suburbano e de terceiro mundo. Aliás, a imagem é apenas uma representação dos símbolos que carregamos, em outras palavras, tudo interpretativo. O que estou prevendo com meu charlatanismo nada mais é do que a mensagem que o povo dá à alta cúpula como que por um sussurro delicado: “Quando você precisar de mim, eu não farei o que você quer. Eu lembro do que você não fez por mim.”.


O gigante é narcoléptico, sonâmbulo e sofre de maus noturnos, mas provavelmente sonha vividamente com o dia em que tudo será tão bom quanto seu melhor sono.


protesto

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