O shuffle e os momentos da sua vida traduzidos pela música

por - 11:06

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Quando o seu relacionamento com música ultrapassa uma barreira comum de “eu escuto para passar o tempo, é um hobbie”, e se torna parte de sua vida, de momentos importantes e etc, alguns sons ficam marcados para o resto de sua existência mundana em cima desse planeta bonitão chamado Terra. Você já parou pra pensar nisso? Eu reparei só há uns meses.


Eu possuía um smartphone ‘de entrada’, aqueles baratos, com funções limitadas e processadores que não conseguem serem bons como o meu Sempron 2300+, guerreiro velho. Depois de observar o quão prejudicial estava sendo para mim usá-lo – socialmente e psicologicamente falando -, acabei aposentando-o antes de alguém me roubar, o que no meu bairro é uma vantagem fantástica.


Após engavetar o aparelho da Motorola, tive que voltar a usar um player antigo. Eu tinha duas escolhas: chorar para minha mina me emprestar seu iPod Nano antigo ou pegar meu shuffle, deixá-lo umas dez horas plugado no USB e voltar a usá-lo. Existe uma diferença grande em ter um aparelho que reproduza músicas somente no aleatório e outro que não. Escutar um álbum é absorver uma obra por completo, ouvir músicas em uma ordem desconexa, é uma experiência incrível e já falamos disso aqui.



Deixei o shuffle carregando e me prometi que eu não alteraria os sons que estavam ali dentro, tinha cerca de nove ou dez meses que eu sequer tinha encostado nele. Precisava sair e fazer a longa caminhada semanal de 7km. Coloquei-o no ouvido e saí para a rua. A primeira coisa que eu ouvi foi “Bitch Don’t Kill My Vibe”, do Kendrick Lamar. Havia um tempo que eu não escutava de fato aquele som, e eu fui transportado para um momento da minha vida. Na sequência, Black Flag e eu me perguntei “caralho, há quantos meses eu não ouvia essa música?”, “Gimme, Gimme, Gimme”.


Durante todo o trajeto fui pensando nisso, em como uma música pode te resgatar para um espaço-tempo totalmente diferente e te fazer pensar em momentos, sentimentos e crenças de uma época de sua vida. Hoje, uns dois meses depois, eu ainda não tirei nenhuma música que está dentro do shuffle. Continuo usando-o como player e a cada caminhada, um pedaço da minha vida vem à tona em minha mente. Musica (medicina es).

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