Phil Cohran, a Black Music e o experimentalismo

por - 11:06

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O músico americano Kelan Philip Cohran se apresenta no Brasil, mais precisamente em São Paulo, nos dias 28 e 29 de junho (sábado e domingo), no Sesc Belenzinho. Se você nunca ouviu falar no Phil Cohran, ele tem uma carreira extensa que começa nos anos cinquenta e já fez parcerias com diversos artistas incríveis, novos e velhos, entre eles Sun Ra e Hypnotic Brass Ensemble (banda dos filhos deles). Além disso, o camarada ainda inventou um instrumento chamado Frankiphone e toca trompete como poucos.


Quem organizou a passagem do artista pelo Brasil foi o pessoal da Norópolis, com quem temos uma ótima parceria e convivência. Isso foi mantido mais uma vez, quando o Fred fez o contato para que fizéssemos uma entrevista com um dos nomes relevantes da música negra americana. Falamos com ele sobre a relação que tinha com o Sun Ra, o Jazz e a música brasileira.


Eu duvido que você que está por São Paulo não vai se jogar pro SESC (ainda tem ingresso) no final de semana e sacar algum dos shows do camarada depois que ler a nossa entrevista. Segue o papo abaixo e saca a aula de música livre e experimentalismo.


Como foi tocar ao lado do Sun Ra?


Phil: Éramos todos iluminados. Eu sei que ele é um mestre, fazia as musicas e nós tocávamos juntos. Mas nós tivemos que tocar com o baterista John El Hardy, ou com o baixista Ronald Barkins, ou John Gilmore no tenor, Marshall Adams no Alto, Sun Ra no piano, e eu no trompete. A gente se inspirou uns nos outros. Eu escrevi um artigo chamado "O Músico Espiritual” e está em um dos livros do Sun Ra, o Traveling the Space Waves : Sun Ra. The Astro Black and other Solar Myths, nas páginas 53 e 54. Escrevi em cortesia e era um chamado para novas instruções. Em seu livro, ele diz “...o lugar certo, na hora certa, planeta errado, Chicago."


Por que fazer jazz é importante até hoje, dentro e fora dos EUA?


Phil: Mais uma vez, jazz não seria o nome correto, nós devemos chamar do nome correto, que é “Black Music”. Porque está vindo de pessoas negras, que vieram para cá da África. E é essa a origem da música, nós estamos desenvolvendo e progredindo com ela desde que chegamos aqui. Agora isso é “Black Music” e se adapta as nossas necessidades.


É importante agora, porque encoraja as pessoas a serem criativas. Facilita uma mente mais criativa. E é isso que as pessoas precisam, porque vão enfrentar várias situações diferentes e é a criatividade que vai os salvar. Esta é a diferença para a música country, a gospel e a clássica. Todas as nossas músicas são criativas e as criamos no momento em que tocamos.


Pra você, o jazz é um tipo de música popular? Ou sempre será de nicho?


Phil: A música é importante porque pode levar as pessoas de um estado para outro. Tem sido a minha observação de que as pessoas ouvem os cantores mais do que escutam seus pais.


Categorias e nomes não legitimam nada em príncipio, porque os nomes que eles colam às pessoas muitas vezes são reducionistas, subtraem a majestade da grande arte. Gostaria de pontuar que os africanos criaram e tocaram música criativa desde o começo dos tempos. Então, nada é novo. Esse "jazz", o que chamam de jazz é musica realmente libertadora porque é intelectual e muito difícil de tocar.



Como veio a ideia e por que a necessidade de criar o Frankiphone?


Phil: Bem, tocando com Sun Ra, ele é uma pessoa bem criativa e ele sempre experimenta novos instrumentos, e me incentivou a experimentar. Então, eu juntou o primeiro Frankiephone e foi um sucesso, e eu venho tocando com ele desde então.


Por que não seguir com a Sun Ra Arkestra para Nova York e permanecer em Chicago?


Phil: Porque eu percebi que Sun Ra estava um pouco distante de mim. E eu queria seguir o meu próprio conceito, por isso, quando a oportunidade surgiu e eles estavam se preparando para ir. Eu disse que iria aproveitar esta oportunidade para seguir meu próprio caminho. E assim, eu comecei a tocar a mesma nota por oito dias. É muito importante ter seu próprio conceito de música, se você quiser escrever e criar músicas. Então foi isso que eu fiz. Eu criei mais de 700 composições e tentei ficar próximo dos sons antigos o máximo possível.


Quem são seus ídolos? Existe isso de ídolo?


Phil: Eu diria que Sun Ra é um dos meus idolos, Mike Shan é um dos meus ídolos. Eu tenho vários ídolos, porque existiram vários grandes artistas e eu amo qualquer boa apresentação. Zarlino, que me inspirou muito, eu ainda tenho algo do Galelio, Duke Ellington certamente me inspirou. Charlie Parker e Dizzy Gilespie também...


Depois de tocar em diversos projetos e com tantas parcerias, existe alguém (vivo ou morto) com quem você queria ter tocado/composto músicas? Quem?


Phil: Oscar Brown Jr. foi um deles. Ele era um grande talento. Ele entendia do assunto, por isso era sempre um prazer tocar com ele.


O que você conhece da música brasileira?


Phil: Bem, eu conheço o Gilberto, e a música dos anos 60 e 70. E conheço o Quilombo ou a terra sagrada, que eles forneceram para si mesmo na floresta e montanhas de Palmares. Eu também vi o filme, Xica (da Silva) e Pixote.


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