Mastodon - Once More 'Round The Sun

por - 11:06

Passo Elétrico

Once More 'Round The Sun

Mastodon

Reprise (2014)

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A pior coisa de trabalhar acaba nem sendo trabalhar, mas tudo aquilo que você acaba fazendo antes, durante e depois dele. Tomar o ônibus é uma merda, almoçar é uma merda, enfrentar o sol do meio dia para ir comer é uma merda. Fiquei pensando sobre como seria uma viagem ao sol. Só de olhar pra ele o olho dói, imagina dar um rolezinho nele. Dias após a minha viagem, soube que o novo disco do Mastodon, do qual eu gosto muito, se chamaria Once More 'Round The Sun. Que viagem, viajei comigo mesmo. Trips a parte, o disco é bom? Resolvi ouvir e falar umas baboseiras sobre ele. Ah, liguei o “iron maidismo” no talo, apenas para constar.


De modo geral, percebe-se que foi um álbum pensado, de alta qualidade em termos de produção, até mais melódico que o último e ligeiramente mais maduro quando falamos das composições, o que é compreensível e esperado dentro do que as bandas normalmente evoluem conforme a existência. Aquela coisa do Brann Dailor estuprando a bateria não está mais acontecendo, ele parece muito menos preocupado em sair tocando tudo o que consegue e mais atento a manter batidas mais sóbrias, o que pode ser algo ruim ou bom, mas que pode ter conexão com o fato de que ele tem um papel muito mais cantante no disco.


Se tem algo que gostei e que pra mim foi o destaque do álbum sem sombra de dúvidas foram os solos, que ficaram umas maravilhas. Difícil de comparar com trabalhos antigos, mas com uma considerável melhora se pegarmos The Hunter, que em minha opinião foi fraco, com alguns pontos altos, mas ainda assim. Por outro lado, a banda ficou meio na zona de conforto quando o assunto foi a escolha do set para o disco. Em momentos, percebe-se a falta de um algo a mais que nunca chega, tipo quando você espera o caminhão depois de enviar os cupons da promoção do Faustão. Quando se tem a impressão de que Once More 'Round The Sun se tornará um daqueles álbuns épicos, ele falha e volta para a estaca zero.


O fato de ser mais melódico que os outros não tem absolutamente nada a ver com o fato de este ser um álbum mediano. Em praticamente todas as faixas mais melódicas, leia-se em 90% do disco, não percebi uma forçada de barra que os colocasse automaticamente na lista negra das bandas que usam auto-tune como se fosse sair de moda. Claro que os trabalhos vocais mais exacerbados deram uma queda no caráter mais progressivo da música que os caras fazem, o que explicaria a qualidade acentuadíssima nos solos, que estão uma uva.


É bobo ficar comparando discos, mas acaba sendo inevitável em algum ponto. Sendo o fã babaca que sou, classifico este como sendo um disco melhor que The Hunter, mas ainda pior que Crack The Skye, longe de um Leviathan. Pelo que acompanhei das notícias, arte da capa, os singles que saíram antes e do momento da banda, estava até esperando algo mais levado para um Crack The Skye mesmo, mas fui pego de calça curta com Once More Round the Sun, que é uma mistura das boas coisas de The Hunter com as coisas medianas de Blood Mountain e lampejos das coisas mais fodas dos outros álbuns.


E vale também comentar que os trabalhos vocais nos shows ao vivo estão bastante surpreendentes. Vi alguns vídeos de apresentações e ninguém parece ter tomado um banho de tecnobrega e enfeitado a voz com palhaçadinhas tecnológicas. Bill Kelliher, guitarra base, fez uma segunda voz em alguns backing vocals que fariam o Luciano do Zezé di Camargo chorar, de tão bonitos. Mesmo se o Timbaland tivesse produzido o álbum, duvido que ele seria tão bem cantado e, com isto, interessantíssimo. O sol talvez tenha efeitos místicos excepcionais para quem toca guitarra e quem quer cantar, porém, a sacada da energia solar ser uma boa saída não foi bem o caso para o Mastodon, que fez um álbum legal, mas que só vale o play de vez em quando.

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1 comentários

  1. ótima resenha. mostrou que prefere o mastodon pesado dos primeiros albuns, explicando o que acha de ruim nesse mastodon, sem dizer que.é uma merda só porque não é o mastodon que você curte.
    eu achei o cd menos tatuagem na testa, mas ainda assim muito mastodon. sou mais fan do meio termo que o crack the skye trás, acho o blood mountain muito mais do mesmo.
    abs

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