Notas de uma Copa Canábica: Os erros por convicção

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Em uma escala de mensuração existe uma seleta forma de errar que talvez, talvez até seja uma palavra incerta dentro desse contexto, que certamente é a forma mais dolorosa de erro, o erro por convicção. Tipo mais doloroso, daqueles que apenas o pensar meramente em sua gênese e forma, provoca contrações lacrimais no mais seco canal dos olhos, seu teorema, o mais informal e devastador, é baseado em certezas de vida, em verdades concebidas no mais íntimo entrecanto, sozinho pensamentos, o erro por convicção nada mais é que uma agrura da alma tão perene e aguda, que quando se torna palpável, mostra-se uma navalha afiada, que corta em finos pedaços, o mais endurecido coração, renovando a tristeza dentro de pulmões repletos em vis metais sórdidos.


Dentro dessa Copa do Mundo, assim como tudo que se relaciona ao futebol que é intimamente ligado à vida, existem variadas formas desse tipo de errata do ser humano. Foi um desses que fez Zuñiga, ao tentar dividir o lance com o jogador brasileiro, retirar Neymar do mundial, o atleta colombiano pela convicção de que ganharia o lance, ergueu demasiadamente o joelho, esperando apenas matar a jogada, porém, assassinou a esperança do camisa dez em terminar a Copa como artilheiro e quiçá como campeão em campo. Outra convicção errônea é a de nosso técnico, que insiste em deixar Fred no time, um farol com as luzes apagadas sem alumiar o caminho do porto seguro dentro das redes adversárias, morta luz, são convicções errôneas, as mesmas que permitem o governo brasileiro pensar que o alegrar corações brasileiros copeiros iria revestir a memória em amnésia sobre os desmandos da entidade máxima e mafiosas do futebol, a FIFA e sua quadrilha de vendas de ingressos, com apoio de cartolas e celebridades que compram caríssimos bilhetes de cambistas oficiais e postam suas fotos em redes sociais. As convicções que no jogo contra a Colômbia mostraram a Seleção, apesar de seu melhor primeiro tempo dentro do certame, um time de batedores e marcadores implacáveis, a convicção de Felipe Scolari sobre a força fez o time erradamente bater demais nos colombianos, o resultado, uma fratura de vértebra em nosso mágico anjo de cabelos amarelos e pernas finas.


PROTESTO/MARACANÃ


Os erros de convicção da oposição, que como sempre tem a certeza de que a tragédia do perder um título mundial pode florescer o medo do povo.


Assim, o mundo cartesiano roda, as almas tentam acertar-se através de erros tão poderosos quanto à direita pugilista de David Luiz, acertando seu gancho na pré-forquilha do arqueiro colombiano. As convicções são armadilhas perigosas, levam a alma humana ao abismo e muitas vezes nos afoga, os erros causados por elas tem a mesma intensidade das ações e tão devastadoras quanto. Reverberam aos berros dos escribas, aqueles que mitificaram Neymar ou aqueles que o tratam como canalha. As convicções, sempre as malditas convicções, abençoam o pior de nossas consciências, criam ilusões de grandeza que derrapam em gramados úmidos e arrancam pedaços de pele no concreto, elas sempre serão as sedutoras doutoras de querer cada vez mais, e como sereias, aprisionam as almas, até a putrefação total de todas nossas esperanças. Um joelho, um cotovelo ou a escravidão do ponto de vista, todas essas nuances apresentaram-se na Copa do Mundo.


Porém, como a moeda em duas faces iguais e distintas, essas convicções também acertam, muitas vezes, menos do que imaginamos ou desejamos, porém acertam, temos quatro exemplos dentro dessa competição que a partir de hoje irão degladiar-se. Os finalistas, quatro, Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda. Cada um com seus teoremas de certezas, cada qual em seus escudos, estampando nos rostos de seus jogadores as mesmas vontades, as idênticas forças dentro da alma em cada respiração.


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A messiânica em manto azul e branco, com seu filho de Deus Messias, clamando por um troféu que há tempos em ausência adoece uma nação inteira, contra eles a manada de leões holandeses, caçando em bando, esperando a presa com seus estratagemas de matilha, enquanto a caça aproxima-se de seus domínios, eles vagarosamente entrelaçam olhares e seu líder Robben determina a velocidade enquanto Sneijder abate a presa. A matemática exata das engrenagens robóticas kraftwerkianas dos alemães, as calculadas malandragens aprendidas durante a estadia ao sol litorâneo nacional, a força de uma simpatia calculada para ninguém perceber quanto afiada é a navalha, força devastadora de seu ataque, pode matar com um sorriso nos olhos.


Por fim os retalhos brasileiros, a convicção de que a camisa mística possa aos poucos blindar as matizes dos erros de nosso time, a força uterina de quem nasceu no cansaço do apanhar, nas mais pobres e escondidas esquinas, o ferver sinapses durante a vida que insiste em mostrar-se cada vez mais carrasco, retalhos de um time em erros de convicção que, entretanto, poderiam tornar-se o outro lado da moeda e talvez surpreendessem as equações precisas da Alemanha.

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