O primeiro dia do A Música Muda foi legal

por - 11:05

[caption id="attachment_24837" align="aligncenter" width="640"]Macaco Bong - Por Fernando Augusto Lopes Macaco Bong - Por Fernando Augusto Lopes[/caption]

Em uma quinta-feira chuvosa e fria, resolvi partir para o SESC Pompeia para conferir a primeira noite do Festival A Música Muda, que no dia, tinha como atrações a banda matogrossense Macaco Bong e os argentinos do Falsos Conejos, grupo que inclusive tem uma média de shows alta aqui no país. E que viva o intercâmbio cultural com os hermanos.


Bom, confesso que o horário do show me deu uma desanimada. Moro longe da maioria dos lugares que envolvem cultura, as condições de transporte pública são bem precárias e os índices de assalto por aqui estão lá em cima, mas de qualquer maneira, fiz um rolê e consegui chegar às 21h27 na Rua Clélia.


Fiquei um tanto assustado com a quantidade de gente que estava ali principalmente para ver o Macaco Bong. Eu tinha achado o Artista Igual Pedreiro um disco bom, só que o This is Rolê, na minha opinião, foi um álbum fraquíssimo. A apresentação do trio de Cuiabá não me dava muito ânimo, aquela altura. Já o Falsos Conejos, depois do tanto que ouvi o Diego Albuquerque falar, tinha esperanças de ser uma boa escolha para fechar o primeiro dia do festival.


Quando subiu ao palco, o novo Macaco Bong, que agora tem Bruno Kayapy (guitarra), Eder Uchôa (bateria) e Igor Jaú (baixo), fez com que o frio que fazia lá fora deixasse de existir um pouco. Era notável a felicidade do guitarrista do trio em estar ali, principalmente depois de todas as tretas envolvendo a banda nos últimos tempos (saiba mais aqui).


Na apresentação, o grupo tocou duas faixas novas que estarão no próximo álbum deles, “Kiss From The Bong” e uma outra, que não anotei  o nome e achei que a memória ajudaria, que como podem ver, não deu muito certo. Em quase uma hora no palco, a banda fez com que o público, frio, se mexesse, quisesse mais e comentasse “o som é do caralho”. O baterista, em um momento bem bonito, tocava sem parar, de pé. Kayapy estourou uma corda de sua guitarra e continuou. Igor Jaú segurou bem os momentos, fazendo inclusive com que o barulho de seu baixo batesse direto em meu peito.


O que a apresentação do Macaco Bong deixou claro pra mim foi que se o último álbum, This is Rolê, soou como uma compilação de coisas aleatórias na minha cabeça, as novas músicas dão um rumo muito mais interessante na carreira do trio. O show me surpreendeu bastante e fez com que, assim que sair o disco novo, eu vá ouvir. No final das contas, ter se afastado do Fora do Eixo fez um bem danado para os caras.


Entre a pausa de uma banda e outra dei uma saída e quando escutei uma guitarra, voltei para a Choperia do SESC. Os Falsos Conejos já estavam no palco e pude notar um esvaziamento na plateia. O que vi do show deles, posso dizer que foi bem massa, mesmo com um público mais frio ainda do que no Macaco Bong. Não sei se foi o tempo, a garoa, o horário ou a quinta-feira, mas a galera que estava lá, parecia desanimada e poxa, não podia ser com o som.


Vi apenas cinco canções dos argentinos e tive que ir embora por causa do transporte público. Eram 23h10 quando deixei o SESC Pompeia, ao som de uma música instrumental bem executada ao vivo, com seriedade por parte do guitarrista, que estava realmente concentrado no som.


Quando fui embora fiquei pensando numa coisa. Talvez seja só frescura de quem se fode muito com transporte público e um bairro com alto índice de violência, mas creio que se o horário do show fosse pouca coisa mais cedo, tipo 21h ou 20h30, é bem provável que o Falsos Conejos não tivesse um público menor do que o Macaco Bong.


Hoje o Labirinto divide o palco da Choperia com o Mouse on The Keys (Japão). Por ser sexta-feira, acredito que a galera não vá embora tão cedo, mas vamos ver, estarei atento aos companheiros das várias periferias de São Paulo.


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