"Um balde de água fria"

por - 15:02

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Em algum momento da vida, entre a puberdade e a adolescência, você é obrigado a comprar, comer ou fazer coisas para ser aceito por um grupo de coleguinhas e assim começar o ciclo da aceitação e masturbação egóica que todos conhecemos como reconhecimento. Antes que você dispare, não adianta dizer que nunca fez algo parecido para fazer amizades desta forma, pois ninguém nasce barbadinho, usando Ray Ban, descolado, leitor de Miojo Indie e Pitchfork.


Independente da ação ou do produto, as pessoas acham legal fazer algo visado pela mídia para acelerar as relações sociais possíveis entre os indivíduos. E eu me incluo nesta, tenho um tamagochi até hoje. Mas no fim das contas a questão fica sendo: estamos falando de uma lógica restrita aos adolescentes pós-puberdade que precisam de ajuda para socializar? E a resposta pode ser sim.

Nas últimas semanas fomos bombardeados com uma moda de dois anos atrás, o desafio do balde de gelo. Poucos sabem, mas há uma causa social por trás da ideia brilhante de jogar um balde de água com gelo na cabeça, mas não vou entrar no mérito desta ainda. Independente de causa, enfrentamos uma outra verdade. A água em São Paulo está acabando. E acho que não é exagero nenhum em dizer que em questão de dias, estaremos fodidos. Governos desinteressados na população a parte, não somente a gestão divina e seu chefe da SABESP, São Pedro, tem a culpa no cartório. Não é preciso ser matemático para saber que água desperdiçada vai fazer falta quando tivermos que matar gente para beber sangue para não morrer de sede.


Doenças são foda. Ponto. Se precisamos de campanhas para nos lembrarmos disso, há algo muito errado com a humanidade. Mais errado ainda se estivermos desperdiçando ainda mais algo que pode nos tornar mais fodidos do que antes. Talvez esteja sendo mais específico para o povo de São Paulo que quer ser descolado e brincar de quem se importa com algo que nunca ouviu falar, mas pelo amor da puta que pariu, se quer ajudar uma causa, apenas ajude. Jogar um balde de água na cabeça hoje pode te matar amanhã. E todos aqueles amigos curtindo sua atitude serão os primeiros a bater na sua porta querendo beber o sangue do seu pescoço quando sampa virar Mad Max.


Profecias a parte, acho que vivemos o suficiente para evoluir nossos meios de conseguir aceitação alheia. Erudição, anti-consumo, simbolismo, ou qualquer ação culturalmente engajada transformaria nosso pequeno mundo em um lugar mais bacana. Subjetividade é a palavra que talvez possa ser a que estou procurando no momento, mas de todo modo, você não precisa fazer algo idiota para ser legal. Nem fazer algo legal para deixar de ser estupido também, se não quiser. Mas se quiser, você tem o meu respeito. E meu tamagochi agradece.


tama

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