Sobre o proletário e a chefia

por - 16:44

chefia


Estive lendo umas estatísticas. Parece que quase metade dos brasileiros que trabalham querem trocar de emprego. Bem, eu não os culpo. Estou dentro desta estatística e com certeza vale comentar que apesar de estranha, acho que ela pode ser plausível. Recebemos ordens dos nossos pais, professores, policiais, médicos, responsáveis e depois por pessoas que somos obrigados a chamar de chefes. Não precisamos ama-los, mas verdade seja dita, se não rolar um mínimo de empatia, tudo se torna mais difícil. Tal como quando escolhemos o político que vai usar dos seguranças para te coagir quando você protestar por algo que ele não fez.



Figuras de autoridade só servem pra te colocar no lugar onde você não pertence, a não ser que você ache que é um imperador romano. O chefe acaba sendo só mais um filho da puta para culpar a você pela ineficiência da empresa, para ser incompreensível quanto a nova divindade criada pelo homem, o trânsito, para negar que suas opiniões a respeito da firma são importantes e para cancelar suas férias em dezembro.



Posso até ter problemas com figuras de autoridade, mas quantas pessoas você conhece que tem bom relacionamento com o patrão e que vivem bem com ele? A sociedade é tão cruel que criou a esta figura para ser odiada e para impulsionar o movimento do “eu farei melhor que aquele filho da puta quando for chefe” e promover a melhoria dos processos a nível subatômico. O que é engenhoso, mas ainda um indício forte de que se precisamos de tais artimanhas, estamos mal das pernas. Se o ódio realmente fosse a melhor alavanca de progresso, poderemos comemorar a cura de doenças e os primeiros carros voadores ao fim do conflito em Gaza.



Não devemos também ser ingênuos. Ao trocar de emprego, trocamos também de chefe e isso não necessariamente vai ser uma coisa boa. Gente babaca está em todo lugar, mas a renovação do babaquismo em nossas vidas em momentos pode ser benéfico, até porque o tempo de detecção de um idiota é totalmente variável. Além disso, é totalmente construtivo conhecer novos babacas, pois assim aprendemos a lidar muito melhor com os mais variados tipos de idiotinhas.



Pensando bem, acabo de falar que ter chefes pode ser algo bom. Sim e não, eu colocaria, mas cá entre nós, modelos a serem seguidos e não serem seguidos são valiosos em nosso crescimento. É preciso ter alguém para odiar, ou seremos obrigados a odiar gente igual a gente. Claro, não que gente idiota em cargo de gestão não exista, mas enfim. A vírgula do conflito na luta de classes deve ser no mínimo questionada tendo em mente que o chefe se não for um deles, também é um dos nossos. Azar o deles, mais dinheiro e mais prestígio na carreira profissional compensam a raiva do proletário revoltado que escreve no domingo a tarde.


prole

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