Um respiro de novidade: conheça o Exhale the Sound

por - 11:06

Exhale The Sound 2014

 

O Exhale the Sound Festival teve sua primeira edição no ano passado em Belo Horizonte, no belo estado de Minas Gerais, que para nós é um celeiro de bandas legais. Mesmo ainda estando na sua segunda edição, o festival já impressiona por sua excelente curadoria, além do modelo do evento e da iniciativa de seus realizadores de fazer o festival por conta própria, sem auxílio público nenhum.


Neste ano, o evento vai acontecer nos dias 10 e 11 de outubro no Centro e Quatro, e pelos dois palcos passarão 25 artistas. Entre as bandas, nomes como Carahter, Bemônio, Facada, Herod (Layne), Son of Witch, Ereção de Elefante, e mais outras pepitas da música brasileira, torta e barulhenta. Além dos grupos, o festival ainda vai contar com uma feira independente, com curadoria da Ugra Press.


Resolvemos bater um papo com o Pedro, um dos camaradas responsáveis pelo evento e entender um pouco como funciona a escolhe das bandas, de onde surgiu a ideia do festival e esclarecer algumas dúvidas para quem estiver a fim de chegar. Se eu fosse vocês, não perderia nenhum dia ou bandas da parada.


A primeira pergunta é básica: por que criar mais um festival no Brasil? De onde surgiu a vontade?

O intuito do festival é agregar em um mesmo espaço, várias vertentes da música “torta”, não se limitando a estilos específicos. O foco principal do festival é a música, mas, além disso, fazemos questão de abrir o espaço para outras manifestações artísticas (artes, filmes, documentários e publicações independentes) que tenham de alguma forma, relação com a proposta do evento. Por isso acreditamos que o Exhale the Sound Festival seja algo diferente do que costuma rolar no Brasil, não sendo “apenas” mais um festival e sim uma experiência.


A ideia de se criar o festival surgiu da vontade de trazer a Belo Horizonte bandas que até então nunca tinham vindo a cidade e que provavelmente não teriam espaços nos festivais e shows que costumam acontecer por aqui. No início imaginávamos algo com aproximadamente oito bandas, mas o crescimento saiu do nosso controle, e na nossa primeira edição, recebemos 22 bandas dos mais variados estilos de várias partes do Brasil.


No site diz que vocês têm um intuito completamente diferente do que é feito na cena underground do Brasil. Que pensamento seria esse?


O diferencial do festival é a mescla dos estilos musicais em um mesmo evento. Na edição de 2014, teremos do grind ao black metal, passando pelo drone, o post-rock, o crust, o punk e vários outros estilos, sempre valorizando o trabalho autoral e de qualidade feito no Brasil.


A ideia do festival é ser sempre com bandas nacionais ou pode ter alguma de fora? Como organizar estruturalmente tantas bandas?


Não temos nenhuma regra quanto a ser exclusivamente com bandas nacionais. Nosso foco atualmente é valorizar o trabalho autoral e de qualidade produzido no Brasil. Caso um dia o festival venha a ter condições financeiras para arcar com a vinda de uma banda estrangeira, acreditamos que seria uma experiência interessante tanto para o público quanto para as bandas nacionais.


Quanto a organização, prezamos pela qualidade desde a escolha do local até a estrutura de som que será usada no evento, tudo isso de forma independente sem ajudas de leis de incentivo nem de patrocínios.


Como fazer isso, sem ajudas de leis de incentivo nem patrocínio? Da o caminho aí.


Tendo um emprego que no final do mês te dê uma remuneração pelos serviços prestados, ai economiza daqui e dali, ai é possível.


Você nunca teve experiência com festivais? Qual seu background musical?


Tivemos nossa primeira experiência ano passado com o festival e esse ano iremos repetir a dose, de forma mais profissional.


Mas antes disso, vocês nunca realizaram ou ajudaram em outras empreitadas musicais por aí?


Sim, todos os envolvidos no festival participam de alguma forma na organização de eventos underground em BH.


Ouvi de várias pessoas (que vão ao festival para curtir ou tocar) que a ideia de festival lembra muito uma espécie de Roadburn brasileiro. É por aí? Vocês pensam no futuro? Até onde o festival pode ir?


Realmente, um dos nossos principais inspiradores é o Roadburn, desde a identidade visual e artística, mas principalmente pela diversidade musical do evento.


Pensamos em levar o festival muito mais além, mas infelizmente isso não está inteiramente em nossas mãos. Para que o evento tenha vida longa, o apoio do público é essencial, pois não podemos colocar nossos esforços em uma atividade que nos traga prejuízo. Não almejamos nada além de um "zero a zero" no final das contas.


Como é a logística do festival? Tanto para as bandas quanto para o público? (pro pessoal que vai de fora já se ligar nos esquemas)


O local de realização do evento esse ano é no centro de Belo Horizonte, ao lado da estação central de metrô e próximo a todas as linhas de ônibus da cidade, além de estar a poucos minutos de caminhada da rodoviária. Para quem vem de avião, a melhor forma para se chegar ao centro da cidade (Rodoviária) é pegando o ônibus da empresa Conexão Aeroporto que sai da porta do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins).


_Cartaz 1.3_ETS2014


Esse ano são quantas bandas no total? Quantos palcos? São dois dias né? Quantas horas de som?


Pela nossa experiência na primeira edição, resolvemos fazer o evento em dois dias para melhor comodidade do público. Esse ano, serão 25 bandas no total, sendo sete bandas na sexta-feira (10 de outubro) e 18 bandas no sábado (11 de outubro). Na sexta-feira iremos utilizar o segundo andar do espaço CentoeQuatro que terá as portas abertas a partir das 19:00hs e no sábado iremos ocupar o primeiro andar, com dois palcos e áreas para as feiras de distros, selos e publicações independentes a partir das 14:00hs.


Eu queria falar sobre curadoria, porque acredito que vocês tem que estar muito ligados pra fazer o cast que estão fazendo na música brasileira experimental e noise. Vocês têm contatos em outros estados ou fazem tudo na internet mesmo? Vocês já viram as bandas ao vivo, por exemplo?


A maior parte dos contatos é feita através da internet, principalmente com a galera que está mais afastada geograficamente de nós.


Grande parte das bandas já vimos e as que não vimos, buscamos informações a respeito da qualidade apresentada, principalmente das apresentações ao vivo.


Então o ao vivo é importante, independente do som ser bom. Isso é bacana. Mas vocês estão ansioso pra alguma atração específica desse ano (ou algumas, já que tem muita coisa bacana)?


O som ser bom é fundamental, mas o que é bom para um pode não ser bom para outro. Na nossa visão, todas as bandas que participaram ou irão participar do festival são de excelente qualidade. Estamos ansiosos com o festival inteiro, não somente as apresentações, mas todo o universo que gira ao redor dele.


O que falta pra fechar o festival? Já sabem de alguma publicação que vai estar disponível na feira independente?


Já está praticamente tudo fechado, restam apenas alguns detalhes. Sobre a feira de publicações, esse ano teremos a curadoria da Ugra Press que irá selecionar os trabalhos que estarão presentes no festival. Não sabemos de nada dessa parte das publicações, confiamos muito na Ugra Press e tenho certeza que virá muita coisa boa.


Valeu o contato pessoal, espaço livre pra falar o que você quiser.


Agradecemos de verdade o apoio e o interesse no festival e contamos com a presença de todos. Acompanhe nosso site e nosso perfil no Facebook para atualizações e qualquer dúvida, só escrever que teremos prazer em responder.


 

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