Os quadrinhos incidentais do Grant Snider

por - 11:07

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Se você nós segue nas redes sociais, já deve ter visto alguma arte do americano Grant Snider. Vez ou outra eu compartilho alguns dos trabalhos dele dentro do site Incidental Comics, que sigo no Tumblr. Grant tem um desenho incrivelmente imagético, além disso, fala de diversos temas interessantes que passam por diversas áreas da vida.

Por ser fã do trabalho do camarada, resolvi fazer contato com ele para uma entrevista por email. Ele prontamente se mostrou disposto e após alguns e-mails e um enorme tempo tentando traduzir da melhor maneira o que foi dito pelo Grant, eis aqui o resultado da nossa troca de ideia. Divirta-se e conheça um dos melhores quadrinistas contemporâneos que eu já ouvi falar, suas influências e sua vida nos Estados Unidos.

Leia aqui a entrevista em inglês (read de interview in english)

Como foi sua infância e adolescência? O que você gostava de fazer?

Eu tive uma idílica (bucólica) infância rural/suburbana do centro oeste americano. Eu gostava de desenhar, ler, andar de bicicleta ao redor da cidade, e ler um pouco mais.

Quando você descobriu que queria trabalhar como cartunista?

Eu comecei a desenhar histórias em quadrinhos e desenhos para uma publicação da minha universidade. Eu queria ter uma visão artística, fico emocionado com a possibilidade de existirem pessoas interessadas em meu trabalho, e meu jornal da universidade teve baixos padrões de aceitação de desenhos animados para a publicação.

Fazer política/questionamentos sociais nos quadrinhos ou fazer quadrinhos pensando neste objetivo?

Sou cético sobre a eficácia de charges políticas tradicionais na mudança de opiniões ou iluminando os eventos atuais, embora eu ache que alguns quadrinhos mais longos obtiveram sucesso ao assumir as normas sociais e desenvolvendo um jornalismo ilustrativo de grande valor. Dito isto, não é meu objetivo especifico fazer isto com meus desenhos.

Você se considera um artista? E criativo?

Às vezes eu me sinto um artista, outras vezes eu me sinto criativo. Isto normalmente acontece após algumas xícaras de café. Quando o zumbido da cafeína se esgota, estou de volta para me sentir como um cartunista comum.

Eu sei que você gosta de poemas (literatura), eu sei que você curte o Murakami. Quem são seus ídolos?

Na ficção, eu amo ler histórias surreais, fantásticas, narradas de forma direta: Huraki Murakami, Kelly Link, George Saunder. Na poesia, eu procuro sagacidade e uma imagem forte, como nos poemas de Billy Collins. Nos desenhos, eu admiro uma voz inconfundível e a qualidade no traço: Roz Chast, Tom Gauld, Matt Groening, and Saul Steinberg.



InciDENTAL
Quadrinhos incidentais? Acho eles tão bem pensados e feitos. Nos explique o titulo do seu site/tumblr.

"Incidental" soa tranquilo e despretensioso. Não faz qualquer proclamação ousadas e permite que o leitor adicione seus próprios pensamentos. Eu peguei o nome do termo “música incidental” – música de fundo que acrescenta atmosfera a um filme. Além disso, ele contém a palavra "dental", e eu sou um dentista, bem como cartunista.

Você acredita em autodidata ou para conseguir algum tipo de objetivo é necessário o estudo teórico?

Eu prefiro a autoaprendizagem orientada para cursos estruturado, provavelmente como resultado por ter passado dez anos como estudante no ensino pós-secundário. Acredito que o processo de fazer conexões entre algumas ideias para si mesmo é extremamente poderoso.
Como é a vida de quadrinista por aí? Os jornais, a venda dos posters do Incidental Comics e as revistas te sustentam?

Trabalhos pagos para revistas, livros e jornais e minha loja de posters me fornece uma renda moderna. De dia, eu trabalho como ortodontista, que ajuda bem mais a minha família, pagando empréstimos estudantis, a hipoteca da minha casa, etc. Seria possível trabalhar apenas da minha produção artística, mas eu teria que pegar bem mais trabalhos para ter renda, e nem sempre os trabalhos são projetos criativos e satisfatórios. Eu prefiro realizar o meu trabalho pessoal no meu próprio ritmo.

Você ainda acredita em dragões?

Sim. Uma das minhas frases favoritas é da Ursula K. Le Guin: "As pessoas que negam a existência de dragões são frequentemente consumidos pelos dragões. De dentro."

Você já trabalhou com a Folha de São Paulo, como foi esta experiência? Produziu alguma coisa exclusiva para o Brasil?

Foi emocionante ter meus trabalhos publicados internacionalmente em um grande jornal. Na verdade, eles viram o meu desenho "Conflito na Literatura"e se ofereceram para traduzir para o português e relançá-lo.

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Ser pai influenciou seus desenhos?

Sim, mais do que eu imaginava. Ser pai colocou a importância do meu trabalho criativo em perspectiva e me forçou a ser mais rigoroso com relação ao tempo para trabalhar nos quadrinhos e também me proporcionou momentos de estranheza e hilaridade que eu descaradamente inclui em quadrinhos parentais.

Você tem quadrinhos sobre música, vida, literatura, trabalho, entre outros. Tem alguma linha que você queria desenvolver no seu trabalho e ainda não fez?

Dois assuntos que eu gostaria de explorar mais são design e filosofia. Estou interessado nesses assuntos, mas não sei muito sobre eles, o que faz deles uma perfeita fonte de inspiração!

Obrigado pela disponibilidade, espaço aberto para falar bem, reclamar da vida ou fazer um desenho para nós!

Grant Snider IC

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