Símbolos e nãobolos

por - 16:03

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Assisti novamente “V de Vingança” este fim de semana. Convenhamos que em 90% dos casos, a obra literária é superior à releitura nas telonas (com a exceção de O Iluminado e absolutamente todos os filmes de Jesus que passam no natal), mas me atentei mais a detalhes referentes à execução desta vez. Por exemplo, à dificuldade de se derrubar um ditador conservador extremista direiteiro, que era totalmente apoiado por ele mesmo e por todo um povo amedrontado, mas que continuava o apoiando. Igualmente curioso é o fato da perseguição com relação ao homossexual estar engendrada ao discurso direita do partido de Susan (Sutler no filme, para facilitar a antipatia ao partido). Não obstante, a perseguição à cultura, no filme marginalizada e dita transgressora por transpor a realidade velada e passível de reflexão.



Por mais que o filme seja pior que o quadrinho, vale dar uma assistida para ver como as coisas acontecem. Além disso, em qualquer uma das obras, percebe-se a preocupação gigante em compreender, proteger e manter viva a discussão ideológica dos símbolos. Desde, no filme, um grande exercito preocupado em proteger um símbolo máximo de controle, como um relógio gigante, como à discussão sólida com uma estátua, no quadrinho, sob a luz de uma ideologia tida como libertadora. Os símbolos carregam muito mais do que se observa, afinal de contas, a arte se utiliza de fantasia para expressar conteúdos legítimos.



No mundo real, podemos observar claramente instituições sólidas e igualmente frágeis com seus respectivos defensores, lutando bravamente para que estas se tornem eternas e intocáveis, como quem perdura a eternidade da carne, osso e espírito. Valores, eles dizem. Por outro lado, observamos aquilo que estes abominam e condenam aos estreitos escamosos do caminho do bom Deus. A contra-cultura, que come da banda podre e que se opõe sem se opor aos tão frágeis e indefesos valores da família e da religião. Com isso, o embate épico das duas existências é travado, de modo que tanto um como o outro não vivam com a paz que poderiam experimentar , puramente por acharem que são existências opostas uma a outra.



Por mais óbvio que pareça, o medo da extinção daquilo que se acredita acaba sendo o motivo principal de tal embate. E se faz assustador um mundo com apenas uma verdade absoluta. Somos muitos, portanto exigimos que muitos sejam os caminhos pelos quais possamos caminhar. Da mesma forma que não optar seguir um caminho não deva significar a destruição deste. E é isso que muito da arte de hoje em dia tem demonstrado. Principalmente porque hoje também temos todo tipo de expressão artística rolando solta, desde a mais massificada, a mais erudita. Para todos os gostos, jeitos, tamanhos, lados. O silêncio pode ser uma forma de expressar uma situação, mas o silenciar também nos conta sobre algo que vai do medo e pode chegar até a razão.


focinheira

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