Tempo e Espaço

por - 15:47

100th Anniversary Of Einstein's Theory of Relativity


Estive vendo uma reportagem sobre galinhas que comem seus próprios ovos botados. Muitos culpariam os novos tempos e as maluquices nas quais vivemos hoje e que deixam todo mundo meio doidão, os hormônios das rações biologicamente manipuladas que elas comem, a pressão que é viver em um ambiente de abate e a expectativa que seus produtores colocam nas bichinhas para que produzam ovos de qualidade, caso contrário, pagarão com a vida para a sustentação de outras e de um mercado ainda maior. Não sei se dá pra culpar alguém por conta deste tipo de acontecimento, até porque acho meio leviano dar pitaco sobre a natureza sem umas boas observações. Sobre qualquer outra coisa, tá beleza, mas natureza não.



A noção que temos do espaço alheio é curiosa. Uma vez que não nos afeta, nos possibilita análises superficiais e simplistas de uma situação ou de situações. Temos a necessidade de ter uma opinião formada quando as vezes a coisa mais difícil é se dizer que não tem opinião. Pensar não é um exercício tão comum como se imagina, não se faz como quem respira ou pega um ônibus. A não ser que você seja o pinball wizard. Talvez não esteja sendo claro, mas falo de um pensar que leva mais do que segundos para se realizar. Um pensar que evoca dados de realidade e subjetividade, que respeita limites e que satisfaz o pensador, de modo que complemente da melhor maneira possível outros pensares.



Pelo amor da puta que pariu, não estou dizendo que meu modo de pensar é o melhor, principalmente porque não é, mas ultimamente sempre que sou apresentado a um pensamento de alguém, a questão temporal sempre é abordada de uma maneira ou de outra. Falamos que a nova geração está fodida, sem valores e sem limites. Eu concordo em partes, talvez porque não me lembre das pessoas dizendo as mesmas coisas da minha geração, mas não sei se é por aí que devíamos caminhar. Pensamos como os velhos que não queremos ser, e isso porque vemos os novos que não queremos ter. Espero que a geração atual não seja rancorosa, já que tanta gente mete o pau neles.



Independente dos valores que as futuras gerações não terão, as maneiras de pensar não podem ser niilistas, por menos favorável que seja a situação. Talvez xs mais coxinhas dos valores sejam os mais adequados de se manter. Falo da esperança e do respeito. O resto todo pode ser reavaliado, dependendo da ordem que julgarem necessário. Os problemas da geração atual não estão diretamente ligados à geração atual, mas sim à geração anterior. Por isso, devemos segurar as pontas até que consigamos exercitar este pensar com mais frequência.



Galinhas talvez não pensem, com toda a certeza não falam, mas me pergunto se a razão pela qual estão quebrando seus próprios ovos não esteja ligada a um fator mais simbólico aos seres humanos. Não acho que elas defendam o infanticídio, mas quebrar a casca de seus próprios ovos me remete a algo no sentido de incomodar o resto do mundo entendendo que talvez reavaliar o que acreditamos ser uma verdade absoluta pode não ser aquilo que acreditamos. “Talvez” galinhas não pensem, mas estão nos mostrando o quanto a capacidade de reflexão pode nos dizer com relação ao que achamos ser correto ou não. Pensou nisso? Então pense melhor.


Galinha

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