Carta aberta aos próximos quatro anos

por - 16:16

jet

Saudações, leitor do futuro. Me refiro ao futuro pois o eu-lírico desta dissertação está em um passado não muito distante e relativamente literal. Muitos estão também, mesmo fazendo parte do ex-futuro e atual presente, mas a grande questão é que possivelmente ao passo em que isto for lido, este aspecto não mais será relevante. Venho por meio desta celebrar o fim de tempos difíceis. Havia quem duvidasse da sobrevivência humana até que esta data chegasse, mas se sobrevivemos a tantas outras guerras e até as tantas jihads que enfrentamos ao longo da vida, sabia que sairíamos ilesos. Ou bem próximos disso.


A este ponto, não muito interessa o vencedor e o perdedor, mas sim o que virá em seguida. Bem verdade que grandes campanhas não se constroem com apenas boa vontade, mas com rios de dinheiro de procedência duvidosa em ambos os lados. Apontar os erros de um pode ser muito mais fácil que os próprios, da mesma maneira que polarizar o bem e o mal torna-se um artifício cabível a aqueles que não acham que o meio termo também é uma opção. A nova política, tal como a velha política apenas ficou na promessa, até porque, só vimos ataques, discussões infundadas sobre corrupção e a mesma ladainha da qual erroneamente aprendemos a nos acostumar.


De um lado temos o vendedor de carros usados, que se aproveita do artificio de que seu cliente não faz a mínima ideia de como funciona um motor, mas que sabe que o mecânico não é de confiança após ter cobrado muito mais dinheiro apenas para consertar algumas partes do carro já bem rodado. Do outro lado o mecânico, que apesar de ser custoso de se acreditar e de se recorrer, em muitos momentos se prestou a fazer o serviço necessário, talvez negligenciando outros, mas mantendo o vital rodando, independente dos preços. E no fim, não importa qual é ou foi o melhor. O que importa é o que você fará com o resultado decidido por todos nós.


Aprenda a respeitar a decisão alheia, isto será importante nos próximos quatro anos. Claro, se a opinião alheia for absurda, conteste veementemente, mas lembrando-se sempre de Marcelo D2 e mantendo o respeito. Esqueça-se de quem não fará nada por nós coletivamente. Sim, estou falando de Deus. Ele pode te ajudar em sua vida pessoal, mas sendo o mundo repleto de gente boa e gente má, não espere uma atitude imparcial em esferas de pensamento coletivo, em outras palavras, recorra a Ele apenas quando precisar. Apenas lembrando que da ultima vez que tentaram intevir socialmente, crucificaram o representante da época. No fim das contas aprendemos uma grande lição. Quer dizer, eu espero.


E ao vencedor da eleição apenas digo que não se sinta tão vencedor, afinal um cargo público de influência só pode ser ocupado por alguém que entende a necessidade de um povo de compreender melhor seu próprio carro. Questões morais a parte, o povo brasileiro se mostra novamente segregado e odioso entre seus semelhantes. Culpado? Luta de classes, óbvio. Se fossemos eleger um culpado menos óbvios, talvez a mania irritante do ser humano em replicar modelos supostamente bem sucedidos. Experimentar foi o que fez com que o Bombril tivesse mais do que um uso. A evolução está na diferença e na inovação e não no conservado, no mantido como está. Só espero que nos próximos quatro anos possamos perceber a importância disso mais claramente. E me refiro à bancada mais conservadora elegida no primeiro turno, apenas para deixar mais claro.

pepsi

Você também pode gostar

0 comentários