Em pé sobre as ruínas

por - 16:19

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Todos parecem ter aproveitado os últimos dias de Orkut como quem se despede de Levi Fidelix após as eleições, mas na verdade as coisas deviam ser repensadas, e com mais cautela, eu diria. Os lembretes que vi pipocando nas ~redes sociais~ refletiam bem dois tipos de pensamento. Um deles nostálgico, de certa forma amigável e talvez até um tanto incomodado com a célula embrionária das mídias sociais que hoje conhecemos. O outro pensamento acerca do fim do Orkut me soou uma piada de mau gosto. Não por seu conteúdo altamente discriminatório já acompanhante ao discurso da separação social que a internet causou em seus primórdios, a dita inclusão digital, e que por acaso ainda existe. Falo dos coxismos que sempre existiram e que só tem se evidenciado cada vez mais.


Mas estou bem de boa de trocar uma ideia sobre gente que acha que a internet e o darwinismo social não andam de mãos dadas. Inclusive, vim chorar as pitangas sobre como a primeira e a única rede realmente social se foi e possivelmente não mais voltará. Aquele que não se utilizou do Orkut para um fim que não fosse a troca de informações, de qualquer natureza, com outras pessoas ou para o relacionamento com um grupo ou galera que transa das mesmas noias, bem... por que você tinha um perfil então? Não precisa responder, afinal, já é meio tarde.


Na minha última visita ao Orkut, percebi como as coisas não haviam mudado desde as últimas atualizações de 2009, antes da grande imigração para o Facebook aconteceu. Contextualizando, até faz parecer um evento mais imponente e determinante em termos de funcionamento social do que se imagina. Talvez esteja sendo apenas um pouco dramático, mas foi o que aconteceu. Tanto que foi muuuito difícil falar com alguém que ainda utilizasse o Orkut. Tão difícil que não consegui. Tentei entrar numa comunidade, que era um conceito tão bacana que hoje o Facebook copia, com muitos membros para ver se conseguia algum contato. Nada. No entanto, acabei vendo como as coisas mais simples eram motivo de interatividade máxima. Desde uma opinião bombástica a um jogo mais ridículo que o da cobrinha no Nokia tijolão.


Mesmo fazendo o caminho inverso e entrando numa comunidade que frequentava, ainda não consegui contato com ninguém. Era como estar de pé sobre as ruínas do que um dia antes havia sido um império. Ou melhor, uma utopia. Quantos discos você baixou na comunidade “Discografias”? Ou quantas vezes visitou a comunidade de alguma banda e acabou descobrindo muitas coisas que nunca imaginaria sobre qualquer assunto? Hoje as pessoas lutam por reconhecimento e um like, mas antes a história era outra. Ter uma função social era mais importante. Claro, sempre tinha um filho da puta aqui e ali, o que também acompanha o ser humano desde o primeiro neandertal deu um porrete oco para o outro matar um mamute.


Espero que este não tenha sido um gostinho do que está por vir após o segundo turno das eleições, principalmente porque o Orkut sempre foi um rolê bacana e estamos vivendo na terra média na eterna luta entre orcs e elfos. Eu bem que queria entrar no mérito após tanta raiva sendo disseminada entre os dois guetos, mas apenas para garantir minha integridade e minha fé na sociedade, prefiro apenas alertar que é possível que estejamos por caminhar sob ruínas novamente. Mas olha o lado bom, a história é feita desta forma. Com começos e fins. E luta de classes no meio.


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