Impressões: Festival No Ar Coquetel Molotov 2014

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Coquetel Molotov por Flora Pimentel
No último sábado aconteceu a 11ª edição do No Ar Coquetel Molotov. Neste ano, diferente das últimas nove edições, o evento teve apenas um dia, reunindo uma maratona entre dois espaços: o Red Bull Music Academy, por onde passaram diversos DJs brasileiros e dois gringos e um palco da Skol no galpão da Coudelaria Souza Leão, onde rolaram vários artistas nacionais e internacionais.

Vou começar falando do espaço da edição deste ano do festival, que mudou completamente o conceito, já que saiu de dentro de um teatro para uma área enorme da coudelaria, quase na divisa entre Recife e Camaragibe. Um lugar bacana, cheio de verde, mas de difícil acesso para quem tentou ir de transporte coletivo, ainda mais depois que começou a chover. A parceria com o aplicativo do táxi funcionou, mas várias pessoas se arriscaram a ir de carro e de bicicleta, totalizando um público de três mil e oitocentas pessoas ao longo das 12 horas de atrações.

Logo na entrada ficavam os carros estacionados e dava pra ver a bilheteria embaixo de alguns toldos. Após comprar o ingresso/pegar pulseira, a pessoa entrava para um espaço em que pegaria uma van que a deixaria no local das atrações. Posso dizer que a quantidade de vans foi mais do que suficiente para o público, ou seja, ninguém teve que esperar pra sair e depois de pouco mais de cinco minutos de subida no transporte, dava pra ver o logo enorme do evento na entrada do pavilhão, ouvir o som eletrônico da tenda e ver a cobertura da feirinha.

A tenda talvez seja o ponto negativo da edição deste ano do Coquetel Molotov. Ela era muito pequena, tanto que quando passei por lá, estavam apenas os expositores e o lugar parecia bem cheio. Difícil de se locomover, o espaço entre as barracas não existia, me senti numa feira de ciências do colégio. A dimensão do espaço ficava ainda pior ao olhar para a tenda da feirinha de longe, cheio de nada ao redor lá na ponta e com a rural do outro lado. É o caso da organização pensar em dobrar o ambiente da feirinha nas próximas edições, tanto para o bem estar do público, com o dos expositores. Se pensarmos que é tudo novo de novo, tal qual foi dito pela organização antes de anunciar a mudança de espaço, este problema foi normal, dentro de toda megaestrutura do festival

COPO MOLOTOV por Flora Pimentel

O espaço principal de alimentação ficava entre o espaço da tendinha eletrônica e o galpão de shows. Lá a pessoa podia descansar nas mesas, se alimentar e adquiri o copo plástico para usar durante o evento. Tudo organizado, rápido. Talvez a quantidade do público e o fato deste ter sido rotativo, tenha ajudado nisso. Já que o espaço parecia estar preparado para muito mais gente, vide o número de banheiros masculino.

SeixlacK por Flora Pimentel

Sobre o palco RBMA, o lugar consistia em uma tendinha onde ficava o DJ e muito espaço de grama para o público curtir o som. A bronca era se tivesse chuva. E isso aconteceu em parte da noite, principalmente durante o set do Bok Bok (infelizmente), a atração que eu mais queria acompanhar ali. Quando conseguir parar para sacar alguma das atrações, pude ver parte do set do Dago Donato, misturando influências brasileiras com boas batidas. Foi bem bacana.

O outro destaque da tenda eletrônica foi o live set do Fernando SeixlacK, uma mistura de acid beat e house muito bem feita. Falando com o Fernando após a apresentação, ele estava felizão em participa do evento e ver a receptividade do público. Ainda bem que não tinha chuva durante o set dele. Além dos dois nomes nacionais, vi uma parte do set do Bok Bok, enquanto comia pizza (de novo, mais um ano, por que sempre apenas pizza?) e a chuva esfriou o público, mesmo que alguns se arriscaram a dançar na chuva e lama.

entrada do galpão por Flora Pimentel

No galpão, vi parte do show da Inky quando cheguei, aquele eletro rock cheio de nuances psicpodelicas e momentos calmos de barulhinho. É uma boa banda, foi uma boa apresentação, mas acho que ficaram meio deslocado dentro da programação do lugar. Depois deles, foi a vez do maranhense Phil Veras. Foi a primeira vez que eu vi o público mais interessado no que estava acontecendo no palco . Phil e sua banda pareciam bastante empolgados, mas o som não é dos mais animados. É um roquezinho meio folk, com o pé no pop e influência direta do Los Hermanos, inclusive no público. Não me empolgou, mas juntou uma galera na grade ao lado do palco para falar com o cantor.

Flora Matos Por Flora Pimentel

Os espanhóis do Russian Red entraram no palco cercados de expectativas por parte do público, talvez por ser a grande atração gringa deste ano, essa é uma banda que tem cara do Coquetel Molotov antigo. Um grupo redondo, com um som que se transforma ao vivo e vira um indie rock bem feito. Acho que o público curtiu bastante o show deles e eles saíram do palco feliz. Seguindo a maratona, veio na minha modesta opinião, a melhor apresentação da noite. Direto de Brasília, sobem ao palco Flora Matos e um DJ (não peguei o nome) e provam que duas pessoas podem ser uma banda. Flora dançou, cantou, pediu pro público chegar junto e ele respondeu bem a cantora. O DJ foi o grande monstro musical da noite para nós, com batidas firmes e com um entrosamento incrível com a cantora. O som da MC cresce muito ao vivo, bem melhor que no CD dela.

Karina por Flora Pimentel

Eu já falei, mas vou repetir. A cantora Karina Buhr talvez tenha a melhor banda do Brasil a sua disposição. Talvez porque existe a jambo band de Otto, mas o maestro da banda de Otto é Fernando Catatau, que também toca com a Karina. Junto com eles, nomes como Guilherme Guizado Mendonça, Clayton Martin, entre outros. O show era especial, uma homenagem a clássica banda Secos & Molhados e cheio de hits antigos como “Amor”. Karina é performática, entrosada com a banda, se apossava dos clássicos de Ney Matogrosso e cia e animou o público que em sua maioria estava lá para ver esta apresentação. Ao final do show, sobraram dez minutos e Karina aproveitou para tocar alguma de suas músicas atendendo a pedidos. O final do show foi apoteótico, com a cantora sendo carregada pelo público ao som de “Nassiria E Najaf”, do seu primeiro disco solo.

Depois disso, debandada geral por parte do público, que ou não tinha interesse ou estava cansado demais para aguardar o último show da noite. A desconhecida Aldo, The Band. Eu até vi o começo do show da banda e achei bem bacana a mistura de eletrônico com o indie rock, mas a o cansaço venceu e acabei não vendo a apresentação até o fim.

Neste recomeço de Coquetel Molotov, a organização parece ter ficado satisfeita com o resultado do evento, mas fica claro que parece outro festival. Tanto que no primeiro ano do Coquetel no teatro, o taxista pensou que estava acontecendo uma peça. Desta vez, o taxista deixou bem claro era uma rave! Com os anos, até eles descobrem o explosivo nome de um dos eventos mais interessantes do país!

Todas as fotos por Flora Pimentel

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