Impressões: O primeiro festival Catamaran em Natal

por - 15:09

I Festival Catamaran
No último sábado (18 de outubro) aconteceu a primeira edição do Festival Catamaran, criado pelo pessoal do selo Catamaran Discos, em Natal. Além de várias bandas legais das terras potiguares, o evento ainda contou com a participação dos grupos Necro (AL), Quarto Astral (PE) e Rieg (PB), com quem eu fui para o evento, então, pra mim o festival teve início ao meio dia do sábado, quando me reuni com as bandas Necro e Quarto Astral e parti para João Pessoa, onde encontraríamos o pessoal da Rieg, o brother Diogo Galvão e o fotógrafo Rafael Passos.

Viagem longa, algumas paradas, muito equipamentos e alguns atrasos, chegamos na frente do Galpão 29, na rua Chile, bairro histórico da Ribeira, quase às 19hrs da noite. E pra nossa sorte, o festival tinha tido um pequeno atraso, assim não perdemos nada. Sendo assim, no palco menor teve início o primeiro show da noite, com a banda instrumental potiguar Ruído de Maquina, o grupo mais novo do evento. Posso dizer que eles são promissores, uma mistura de post rock com nuances mais pesados, riffs e alguns solos de guitarras, tudo muito bem ensaiado. Ouvi por lá que eles têm poucos shows, mas já mostra um ótimo potencial.

I Festival Catamaran

Depois deles, no palco maior foi a vez do trio Mad Grinder abrir os trabalhos. A banda é de Mossoró e se a Ruído de Maquina mostra um novo nuance no independente potiguar, a Mad Grinder faz exatamente o tipo de som que fez Natal ficar mais popular neste começo de novo século. Vocais gritados em inglês, guitarras altas, bateria insana, seguindo aquela onda grunge rock com uma pitada de stoner e muito barulho. Um dos cabeças do grupo, Rafaum, é um dos nomes mais produtivos da cena do estado, tem um selo, cuida do espaço DoSol de Mossoró, além de já ter passado por diversas bandas.


Veio o ponto negativo da noite, na minha modesta opinião. Mas talvez o palco pequeno não tenha ajudado a Orchestre Noire. Ou talvez eu tenha esperado demais, devido ao ótimo debut de estreia do grupo lançado neste ano. O grande lance é que ao vivo a banda soa muito solta ainda, um pouco verde, mesmo tendo integrantes que já passaram por outros projetos na terra do sol. O quarteto não conseguiu transportar o clima dark e o esmero nos detalhes sonoros vistos em Grokar. No show, a guitarra, os apetrechos do pedal, a bateria, a vocalista e o sopro pareciam estarem tocando sozinho. Acho bastante interessante os caminhos da banda em estúdio, seria bem interessante eles conseguirem reproduzir isso ao vivo.

I Festival Catamaran

Já a Velociraptors sabe bem como reproduzir seu som ao vivo com maestria e animar todos que acompanhava a apresentação no palco grande. Aquela mistura roqueira do Hellacopters funciona bem com a experiente banda. Guitarras rápidas, vocais gritados e bem encaixados, um pouco de sujeira, mas não muito. Me lembra um pouco a Butcher Orchestra. Pareceu a banda mais à vontade no palco durante todo o evento, como se estivessem tocando para os amigos.

I Festival Catamaran

Volto pro palco menor e vejo uma quantidade boa de pessoas esperando o início do show da Mahmed (Natal), que tem integrantes mais experientes, um EP na praça e está preparando seu novo disco. E o público interagiu muito durante todo show com o grupo, seja nas músicas do EP, como nas novas composições. A Mahmed faz aquele rock instrumental mais calmo, com alguns solos de guitarra, teclados colocados nos seus devidos lugares. É como se você estivesse andando por um lugar massa, tipo uma praia. Seria a trilha sonora ideal do seu passeio e assim foi o show, com geral viajando no som.

I Festival Catamaran

Depois da Mahmed, no palco grande aconteceu o melhor show da noite na minha modesta (e imparcial) opinião. O quarteto Zurdo, projeto criado pelo amigo Henrique Geladeira (ex Calistoga), inicia um show redondo seja em qualidade de som do palco, seja na execução dos instrumentos. Isto porque o baixista era novo, fez apenas dois ensaios para o show e mesmo assim funcionou tudo muito bem. Daniel Nec fazendo uns barulhinhos eletrônicos no meio das músicas e tocando uma corneta, me remeteu ao SP Underground, um pouco mais Fugazi. Interessante da Zurdo é que é tudo tão bem amarrado, que as estranhezas e possíveis erros se tornam acertos. O som é linear e quebrado, tudo ao mesmo tempo agora.

I Festival Catamaran

Um pequeno intervalo e o rock já comia solto com o trio alagoano Necro no palco menor, com um público atento desde o início da apresentação. Hugo Morais (O Inimigo), justificou o interesse pelas bandas de fora pelo fato de nunca terem tocado em Natal. Acho que boa parte do público pensou igual a ele. O grande lance é que o rock cru, alto e bem feito do grupo foi muito bem recebido. A mistura do vocal masculino com o feminino ajuda a manter o clima setentista e psicodélico. O Necro, apenas com três integrantes, consegue ser mais barulhento que muita banda.

I Festival Catamaran

O outro trio de fora do Rio Grante do Norte da noite, a pernambucana Quarto Astral, segue um caminho diferente do Necro. A linha psicodélica segue presente, mas a banda trabalha bem as baladas e a virtuose do guitarrista e vocalista Thiago Brandão. É um som mais rebuscado e calmo, porém lógico que tem os seus momentos de barulho. Acredito que o trio foi a atração preferida do público nesta primeira edição do festival Catamaran. Digo isso pela receptividade e atenção dos presentes para com o palco e a performance do Quarto Astral, que agradeceu a atenção e distribuiu adesivos para os presentes.

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O duo Red Boots, fechou o palco pequeno e a presença de atrações locais no evento. O espaço parecia um inferninho, que só ficou mais semelhante com o som violento da banda. Com a Red Boots o show sempre é redondo, bem feito e muito barulhento. Não existe momento balada, não existe vocal calminho, durante quase uma hora de show a banda parecia um trator passando por cima de tudo.

I Festival Catamaran

Fechando a ótima primeira edição do Catamaran, o som mais diferente da noite toda e talvez o mais calmo e bem formatado. Quase um ano atrás vi esse novo momento como banda Rieg no festival Mundo e achei o show bem bacana. Em Natal o show só parecia mais encaixado. Os apetrechos eletrônicos, a batida envolvente da bateria e som instigado do baixo colocou o público que restou no evento pra dançar. O vocalista da Rieg parece fazer uma ponte entre a música moderna e a já tradicional experimentação da música paraibana. Os vídeos são sempre muito bem encaixados no contexto do show e nas canções apresentadas. É muito difícil não ficar prestando atenção no palco durante a apresentação ao mesmo tempo pop dançante e experimental do trio.

Passava das três e meia da manhã quando a Rieg deixou o palco, aplaudido pelos resistentes da maratona e parecia satisfeito com seu show. De maneira geral, todo mundo aparentava satisfação com o que aconteceu durante toda a noite do primeiro (espero) de muitos festivais do selo Catamaran discos. Não apenas pelas boas apresentações ou pelo ótimo espaço do galpão 29, mas também pela iniciativa de mostrar que dentro de toda a efervescência de espaços e shows da capital potiguar, existem sempre bandas diferentes e precisando de um espaço para se expressar.



Todas as fotos feitas pelo paraibano Rafael Passos, mais videos no nosso canal do youtube!

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