Mente Vazia Num Ônibus Lotado: Será que vai rolar de novo?

por - 11:06

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O lugar onde moro está complicado. Na semana passada, consegui contar quatro assaltos em quatro dias somente na minha rua. Estatística mais confiável que da Secretária de Segurança Pública de São Paulo, somente a do povo. Entre os roubos que aconteceram nessa semana, ao que tudo indica, eu fui o primeiro. Estava chegando em casa às 22h30 de um sábado, quando fui abordado por dois jovens numa moto. Moleques de tudo, me pediram a mochila, o celular e a carteira, que não tenho. "Carteira eu não tenho não, mano. Se quiser me revistar, fica à vontade". Fugiram a milhão. No dia seguinte, mesma história. Segunda-feira, meu primo estava no ponto de ônibus e...? Isso aí, dois moleques numa moto, única pista. Na terça-feira, em frente a minha casa, outro roubo, ao meio-dia.

Você agora deve se perguntar porquê estou contando o quão chato é morar no lugar onde vivo e qual a relação disso com o transporte público de cada dia. Simples. Depois que fui roubado, todo santo dia, quando estou próximo a minha casa, eu tenho certeza que vou ser assaltado novamente, porque as estatísticas são as seguintes: se você estiver passando na rua onde moro, a chance de ser roubado é de aproximadamente 80%. Não existe mais aquela história do "lugar errado, hora errada". Aparenemtente, qualquer hora é errada ali. Passou, dançou. Outro dado: em um raio de 1km do lugar onde moro, teve mais assalto no que em todo o bairro do Cambuci.

Esses tempos embarquei no último dos três ônibus que preciso pegar para ir até qualquer lugar da cidade. Esperei por quarenta minutos, me espremi no domingo, às 23h, lembrei da propaganda do Haddad, das respostas automáticas da SPTrans dizendo que não há problema nenhum na linha passar a cada 1 hora e estar sempre acima da capacidade de lotação do ônibus e claro, do assalto. Comecei a matutar, a achar que aquele dia, novamente, eu ia ser roubado. Talvez pelos mesmos moleques, mas nesse caso, eu poderia argumentar. "Ou, tá tirando, vocês levaram tudo ontem. Tem mais nada não". Se fossem outros, cairia naquela história que a sua mãe sempre comenta. "Até provar que nariz de porco não é tomada". Mas voltei o caminho todo com isso na cabeça. Se na estatística divina, do amado senhor Jesus, eu teria a sorte de ser assaltado duas, três, quatro vezes, na porta da minha casa e isso vai sendo recorrente.

Até agora, quase duas semanas depois do fato, eu não fui roubado de novo. Por quê? Nem Deus sabe. No dia da eleição, o maior movimento na rua por causa dos vários colégios eleitorais que ficam ali, roubaram a bolsa de uma mulher. Agora é continuar o pensamento dentro do coletivo, olhar para os lados, agradecer a população de São Paulo por ter reeleito o Geraldo Alckmin, e esconder bem as garrafas de água, afinal, daqui há alguns meses, vai ser mais interessante para o pessoal levar esse bem tão escasso na capital paulista do que o meu celular. Enquanto isso, minhas voltas de ônibus continuam sendo feitas com a mesma pergunta na cabeça: será que eu vou ser o próximo?

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