O Caminho Centro Norte Pós Eleições

por - 11:06

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As pós-modernas mucamas não sentem
sentadas sorvendo-se de cigarros estantes
Passando seus braços nas axilas aristocratas senis
não sabem ou por tempos demais anestesiando-se
Não mais tem sabor dissonante dos tons claros opressores
que os mantém em suas jaulas, assoviando quilombolas rimas
Pacíficas nos bancos vestindo seus gorros azuis e amarelos
ouvindo o gorjear dos pássaros narigudos cocainômanos
Despejando ameaças de demissão se os escravos
não se comportarem,
Árido calor nos trilhos
o calçamento que transpira cimento
uma mulher cambaleante apoia um homem trôpego
enquanto agentes de saúde tentam em vão
convencer os moradores de rua a saírem debaixo do Minhocão
seus tronos ameaçados por jalecos higienizados
por sorrisos felizes de quem ama a alma humana
a felicidade de atendentes trabalhando pelo árido Estado
o mesmo que no cair da noite deixa sua Polícia assassiná-los
enquanto os olhos da população
escassos pela seca
acompanham com compaixão a incerta desapropriação do sonho



Mal sabem esses andarilhos
que os moradores de rua são na verdade
os que mais conhecem a palavra liberdade
a prisão que enforca o cotidiano

Passa longe de seus olhos crackeados
deixados de lado por Alckmin
que mentiu e enganou os votos pela água
plataformas forradas com propaganda
Vejam a palestra informativa
alistem-se na Polícia
nada melhor do que um plano higienista
onde o negro pobre aprende a matar
outros negros pobres
o Estado de mãos limpas
e a consciência sempre imunda

...sua liberdade consiste no fato de ele ser bem adestrado e inclinar-se de bom grado diante de tudo que a autoridade representa...”
Página 69, Estatismo & Anarquia
Mikhail Bakunin

Botecos exalando solidão & desespero
aglomerados na Rua das Palmeiras
entrada triunfal pelos andaimes lisérgicos - Barão de Tatuí
trapezistas e seus cobertores de primavera
sujos pela poluição da seca intermitente
os restos de almas humanas libertas de outrora urrando
o ar seco espalha-se por restos de livros presos

A máquina e seu óleo reacionário
oitenta por cento de brancos dentro do Congresso
a bancada da bala esperando de pau duro desde 64
a bancada evangélica currando bois dourados
a poeira extrema da direita nazista
esconde-se por aventais brancos pedindo dignidade
Meus pulmões acumulando líquido
excrementos de ácido e maconha redentores
os pobres, negros, ciganos, coletivos periféricos ouvidos por Haddad
mortos em Pinheirinho
execrados no Moinho
queimando nas favelas

O dinheiros viajando por dentro de testículos
escondidos em medidas provisórias
os apoios ecológicos aos detentores da opressão
árvores vivas servem como túmulo às liberdades mortas

“...onde todas as questões são conduzidas por uma classe por essência burguesa, composta de homens ditos políticos ou políticos especuladores, enquanto as massas proletárias são quase tão oprimidas e aterrorizadas como nos Estados Monárquicos...
pag. 79

Torres de fábricas desativadas sangrando
as confabulações dos traficantes na Praça Vila Boim
Procurando lucro no flat de estudantes da FAAP
ice quebra dentes deteriorados do descompasso
O cogumelo desidratado e hidropônico
polvilhando uma fita VHS
A cocaína britânica agora ocupa sua água
São Paulo nem ao menos tem lágrimas

É preciso o messianismo de Sérgio Vaz
A luta de Toni C.
A rima de Inquérito e Racionais
A cadência de Sabotage
A lucidez de Cartola
A anarquia de Bezerra da Silva
é preciso o aglomerado humano de todas as favelas
o sangue desalojado dos coletivos
a estrutura genética de todos
com as almas dos que permanecem no meio do tiroteio
Balas de borracha espalhadas
de mãos dadas ao santos de papel eleitoral
a burguesia acasalando com escapamentos
espirrando Ebola aos sem máscaras da Guerrilha
dentro de ex-terreno livre da realidade virtual
o espetáculo manipulado das pesquisas
o som exalando pelos motores na avenida escura
clama o silêncio que os anunciantes de rádios preferem não ter
Marighella estendido dentro do carro baleado
de braços abertos Jesus Cristo crucificado
Amarildo decapitado São João Batista

36 milhões votaram em Aécio cobertos de convicções
analfabetos funcionais chamam nordestinos de burros
a SS paulistana clama o Holocausto sertanejo
enquanto Alckmin ejacula dentro da boca Oppus Dei

Asco corroendo vísceras
feridas abertas de um tempo escravocrata
permanentemente lembrado pelos pendões pedurados
na Ponte das Bandeiras
enquanto Dilma aperta o cerco desnudo do xingamento
Aécio aperta o cartão pelas alianças
o fim das reeleições
apenas quando estiver terminando seu segundo mandato
atraso nas plataformas dos trens superlotados superfaturados

Ebola fingiu chegar ao Paraná
descansou na América do Norte
infectando o rabo de Mickey Mouse, o rato nazista
o céu sem nuvens em Santana
aridez mórbida no terminal de ônibus
pombas giramundas defecando nas calçadas
excretando o voto dos paulistas
“... Estado, seja ele qual for, mesmo assumindo as formas mais liberais e mais democráticas, está necessariamente fundado na supremacia, no domínio, na violência, isto é, no despotismo, camuflado se se preferir, mas neste caso ainda mais perigoso...
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Como Landays afegãos
Disse me que seria mulher
Enquanto estuprava meu corpo a sofrer

Homofóbicos convertendo lésbicas universitárias
em pontos de ônibus escuros

Assombrando uma liberdade de escolha
as cinzas de fuligem escravocrata em xícaras finas

O estrondo da manhã que teima em nascer
enquanto espera-se o aborto legalizado do destino

Varrendo todas as calçadas soltas na Rua Barra Funda
explosões de imbecilidade dentro do debate

Enquanto Eduardo Jorge chupa a glande da direita
enquanto nossas liberdades são ameaçadas

Quando colocam deus acima do amor universal
os solavancos estreitos de uma flor de girassol

As verdes gramas nascendo por entre o concreto do Elevado
catracas cantando mantras esquizofrênicos

A população pronta para uma epidemia
disseminando cuspe e ódio por todo o lado

Carros almoçando piche
caminhões dentro do centro estendido
em horário proibido

O rush de penicilina açoitando o fígado
enquanto senhores de terno pregam o extermínio

Canções de ambulantes
cantigas de ciranda em jazz
Mingus acena por entre os dentes
Lecter espera que lhe abram a jaula
e possa comer todos nós

Perdidos no tiroteio assombrado
entre malditos imbecis e suas convicções de merda

A luta que chama é aquela que não se vê
cantada por Dylan
renomeada por Malcolm X
é preciso deixar passar a favela
deixa-la consumir o asfalto central
enquanto retiramos o periférico
e transformamos em tapete
para que eles marchem
nós juntos deles como aliados
como irmãos em armas
como duas entidades amalgamadas
que para sempre se ensolarar-se-ão
eles que nunca dormiram
e nós que tentamos nos manter acordados
nesse mar de racismo comandado por imbecis reacionários.
... visando a abolição de toda exploração e de toda opressão política ou jurídica, governamental ou administrativa, quer dizer, a abolição de todas as classes por meio do nivelamento econômico de todos os bens e da destruição de seu último bastião,
O Estado...
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