Política, bipolarização e ódio

por - 15:09

Dilma

Finalmente acabou! Provavelmente você leu isso pelas redes sociais na noite de ontem e até hoje pela manhã. Isto deixa claro que muito brasileiro ainda não consegue aguentar e falar sobre política, ou apenas que o brasileiro não entendeu ainda o que é isso. Mesmo porque o ato político não acaba, você é um ser político enquanto respirar. O que me parece é que existem sempre lados em qualquer disputa, tal qual num jogo de futebol e não acho que seja bem assim. Por isso, não vou repetir aqui o quão legal parece ser ver o brasileiro interessado por esse assunto, porque na minha opinião, as pessoas não tem o menor interesse pelo nosso modelo político.

Digo isso porque vi nessas eleições muitas pessoas pensando no próprio umbigo e não num modelo de propostas que poderiam ser positivo para o Brasil. E quando vejo tanta gente pensando apenas em si ou nos seus para escolher a pessoa ou o modelo pelo qual todos nós viveremos nos próximos quatro anos, isso não me deixa feliz, muito pelo contrário. Isso é só mais uma prova de que pensamos em política como uma disputa esportiva, inclusive escolhendo o ser e não o todo, em que apenas um ganha e os demais perdem e não é bem assim.

O ganhador da corrida eleitoral vai governar não apenas para os seus eleitores, mas para toda uma população, sempre pensando no melhor para o todo. Não se trata de quantos títulos meu time (partido) tem sobre os demais e sim o que de positivo foi feito com esses bons resultados nas urnas para toda a população. Então, quando vejo que até as mídias tradicionais e super populares usam o horário nobre ao vivo para falar em bipolarização de um país de acordo com o voto, não posso achar isso legal.

Um país enorme tem suas diferenças culturais, seus sotaques distintos, seus rítmos e danças folclóricas e paramos por aqui com as diferenças entre os de uma mesma nação. O resto é apenas gosto pessoal, que não se limita a região, estado ou cidade que a pessoa mora. Eu posso curtir sertanejo e não morar no centro oeste. Eu posso gostar de forró e não ser nordestino, escutar funk e não ser carioca e nem morar no Rio de Janeiro. Na realidade, a quantidade de torcedores do Flamengo no nordeste e norte do país, deixa claro que as escolhas de interesse não tem nenhuma relação com a divisão geográfica na qual vivemos.

Então quando se pensa na escolha do presidente do Brasil, o responsável por guiar toda uma nação ao longo dos próximos quatro anos e não apenas os estados que votaram nele, não se trata de suas escolhas regionais ou sua classe social. Para mim, todo este longo processo não fortaleceu em nada nossas relações como país, apenas enfraqueceu nossa união. Ao longo de todo o processo eleitoral que vivemos nos últimos quatro anos, nunca vi tanta incitação ao ódio, tanto leviandade com as informações, tanto preconceito e tão poucos momentos propícios a se discutir o que queremos para o todo e não para a parte. Atitudes impensadas apenas alimentam a discórdia e o ódio em toda a população, e isto só piora quando o ato leviano é bem pensado e, por isso, maldoso.

Eu sou nordestino e hoje posso dizer abertamente que votei na Dilma neste segundo turno por acreditar que o modelo político que vem sendo implantado no pais nos últimos anos é melhor que os demais. Porém, no primeiro turno votei em Eduardo Jorge, por gostar da postura do médico, assim como algumas ideias do programa de governo dele e também porque acreditei que seria benéfico um segundo turno: seja para o governo atual ter ciência que existem problemas que precisam serem resolvidos e também pela necessidade de um embate mais especifico, para quem sabe esclarecer mais a população.

Dilma não ganhou por causa do nordeste e do norte, Aécio não perdeu por culpa do norte, do nordeste e nem por Minas Gerais, tão pouco pelas cores que seus partidos representam. As cores do meu time nunca serão mais bonitas que as dos seus, na realidade são apenas diferentes. São escolhas que fazemos como pessoas que nos diferenciam, e existem características que nós colocam no mesmo grupo (sociologicamente falando). Tais características podem ter vindo com nossos antepassados ou escolhidas por nós durante a nossa vida e crescimento.

Agora eu não sei o que pensar, talvez esteja um pouco arrependido, depois de tantos preconceitos expostos, tanto ódio declarado principalmente nesse segundo turno. Mas continuo pensando que o erro é primário ou pelo menos precoce. O pensar em si e não no todo. E isso pode até ser legal, engraçado ou divertido para legitimar seu time de futebol, mas na hora de escolher algo mais global e importante, pense no todo e não no seu. No fim das contas, todos nós perdemos, como bem disse o Gregório Durvivier (que sempre escreveu bem e parece ter sido o que mais ganhou em todo esse processo).

Caso o ódio seja sempre maior, você tem um mundo todo para conhecer, então não apareça na minha cidade no nordeste durante o carnaval incrível ou para curtir aquela praia fenomenal. A não ser que você repense suas raivas e perceber que o problema está dentro de você e não nos outros.

Classe Idade Média # 16Arte de abre por Aina Azevedo e esta do final por Kiko Dinnuci.

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1 comentários

  1. "Caso o ódio seja sempre maior, você tem um mundo todo para conhecer, então não apareça na minha cidade no nordeste durante o carnaval incrível ou para curtir aquela praia fenomenal. A não ser que você repense suas raivas e perceber que o problema está dentro de você e não nos outros." - PERFEITO!

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