Impressões: Ecco Sounds Festival 2014

por - 16:08

Ecco Sounds Festival
No último sábado, no Baile Perfumado, em Recife, aconteceu a primeira edição do Ecco Sounds Festival, uma nova alternativa para o público da música pesada no estado de Pernambuco. No line-up nomes como Matanza, Ratos de Porão e DFC passaram pelo palco animando bastante os presentes. Cheguei por lá de ônibus, tudo bem tranquilo pouco antes das 19 horas, sendo assim perdi as apresentações dos grupos Eu O Declaro Meu Inimigo e Desalma, mas fiquei sabendo que ambos mandaram bem.

Ao chegar na frente do Baile pude perceber um bom movimento de jovens no local, vários deles com camisas do Matanza e já alguns mais velhos com peitas do Ratos de Porão e DFC. A bilheteria funcionava tranquilo, não vi muitas bicicletas no local (um dos nortes do festival é a ideia da sustentabilidade e o meio ambiente). Na parte de dentro, stands de tatuagens, de música e produtos (camisas e livros), comidas vegetarianas, stand com diversas camisas e CDS das bandas que se apresentariam durante a noite.

IB ESF2014

O primeiro show que vi na noite foi do Infested Blood. Uma apresentação acompanhada de perto por um público interessado e ainda pequeno. A escolha do setlist passou por toda carreira da banda, mandando músicas da demo de 1999 (o poema musicado de Augusto dos Anjos), e alguns sons novos. Foi um show bem coeso, profissional e bastante brutal.


Ao fim do show da Infested, um telão apareceu e nele algumas informações sobre sustentabilidade feitas pelo festival, um vídeo em que pessoas falavam sobre vegetarianismo e como reduzir o consumo e a destruição do meio ambiente, além do uso de bicicletas no dia a dia como meio de transporte, ambos bem bacanas. Ah sim, também tiveram alguns vídeos com bandas de estilos parecidos com as que tocaram no festival.

Facada ESF2014

Veio a vez da apresentação do trio cearense Facada, uma das atrações que entrou em cima da hora, com a saída do DRI. O trio parecia bastante feliz no palco, agradeceu o público que compareceu para prestigia-los e mandou hinos como “Amanhã vai ser pior” e várias faixas brutais do Nadir, junto com algumas mais antigas. Cada vez que eu vejo o Facada, tenho mais certeza de que é a melhor banda do estilo no nordeste e um dos grandes nomes do grindcore no Brasil. Com certeza o público que queria ver o DRI, curtiu bastante o show do Facada, que saiu bastante aplaudido.

Nervosa ESF2014

Depois do Facada, a outra atração confirmada em cima da hora, com a saída do DRI, o power trio feminino de thrash metal paulistano Nervosa. Quando foram anunciadas, vi algumas pessoas reclamando da banda no evento (talvez pelas disparidades musicais com a atração que caiu), mas o que eu posso dizer é que as meninas mandaram bem e o público chegou junto desde o início da apresentação. A baixista e vocalista Fernanda Lira instigou bastante a galera, tanto que conseguiu dividir o público pra se quebrar, tal qual baile funk, num lado A e lado B. Não sou o maior fã do thrash não, mas gostei do que vi.

DFC ESF2014

A DFC era uma das atrações mais esperadas da noite, isso posso dizer pelo número de pessoas com camisas da banda por lá. O show da banda brasiliense me fez relembrar meus bons tempos de juventude, com aquela mescla de sarcasmo e temáticas sociais em letras diretas e divertidas. A roda de pogo foi a milhão, principalmente no final da apresentação, com a apoteótica “Molecada 666”. O show passou por diversos trabalhos do grupo, inclusive a demo lançada há 22 anos, mais velha que muito moleque que estava na roda. A banda agradeceu da produção até ao mesário de som pela noite incrível.

Matanza ESF2014

Passado a euforia punk hardcore com a DFC, foi a vez do show cada vez mais profissional e redondo dos cariocas do Matanza. O profissionalismo também pode soar um tanto chato de vez em quando, mas para o público da banda, as frases feitas e constantemente repetidas nos shows do grupo por aqui, soa como uma espécie de ritual para os integrantes do clube dos canalhas. O que eu posso dizer é que do primeiro show do Matanza no Recife (faz tempo) para esse, pude ver uma evolução no vocal do Jimmy, no cara da mesa do grupo (que ajuda muito o próprio vocalista) e até a performance no palco, mais tranquila. Eu não tenho mais paciência para eles, mas o público entrou na onda pesadamente, em alguns momentos me lembrando as antigas micaretas. Foi uma festa só na roda de pogo e em todo os lugares do Baile Perfumado.

RDP ESF2014

O último show da noite começou de supetão e sem apresentações prévias no telão, mesmo porque, trata-se de uma das melhores bandas de música pesada do mundo e que não precisa de apresentações. O Ratos de Porão carrega o peso de mais de 30 anos de carreira e um dos criadores (aperfeiçoadores) do crossover mundial. João Gordo, Jão, Boka e Juninho misturam gerações da música pesada brasileira e passam toda ferocidade de um hardcore rápido e brutal.

João Gordo aproveitou a ocasião para exaltar o nordeste do Brasil, e dizer que se por um acaso ocorresse uma separação do pais, ele provavelmente viria morar por aqui. No repertorio do show, músicas do novo e ótimo disco Século Sinistro, além de clássicos como "Crucificados Pelo Sistema", entre outras pedradas. Não foi o melhor show do Ratos que eu vi, mas também não me lembro de ter visto numa apresentação ruim do grupo. O público estava cansado, mas respondeu bem as falas do Gordo, que ao fim agradeceu a presença de todos.

Pensando no público indo pra casa cansado, porém bastante feliz, acredito que este será o primeiro de muitos anos deste novo festival, que já parece fazer parte do calendário da música pesada da cidade do Recife e tem tudo para crescer cada vez mais.

Todas as fotos por Simony Rodrigues e retiradas da fanpage do ComunicaAe!

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