Inconsciência

por - 16:40

diva

Sempre somos agraciados com as palavras marcadas de um descontentamento inoportuno que paira os imaginários alheios. Natural. Não dá pra ficar feliz num mundo onde eu e meus parceiros de caminhada não temos tudo aquilo que sonhamos, tornando-nos automaticamente seres insatisfeitos. Desta forma, o botão mal costurado da camisa e a polarização política do Brasil se tornam a farinha do mesmo saco em que constantemente enfiamos a mão, levamos à boca e falamos “farofa de frango” a todos que estiverem próximos. Agradável, educado e bastante adequado para qualquer situação.

No entanto, apesar de adepto ocasional da arte de farofar com as questões latentes da sociedade, percebo o quanto uns tópicos ganham mais, pela falta de um termo melhor, farofagem do que outros. “Tudo agora é racismo”, era o que a névoa branca saída da boca do rapaz formava. Admito que me omiti em certas ocasiões racistas quando menor e que isso só ajudou que o imbecil que proferiu a crítica hoje a trouxesse com um ar de ganho de causa. Por favor, não entendam que acho certa a questão trazida pelo fulaninho, só acho que tal tópico é discutido como se o direito de nem ao menos se questionar sobre o assunto fosse louvável.

Não obstante ao discurso, volta e meia vejo pessoas manifestando o descontentamento em não poder se orgulhar da cor de sua pele, visto que estes ganhariam um pejorativo título de racista. Vale a pena discutir isto. Em São Paulo, um feriado foi criado, e comemorado por todos, diga-se, para a reflexão deste assunto. A questão real do preconceito veio há muitos e muitos anos atrás e continua como sempre foi. Inconsciente, aprendida de geração a geração. Tudo tem que estar como deve estar. Mudança é a destruição daquilo que conhecemos para algo que não conhecemos e isso não pode acontecer.

Talvez por isso segregar conscientemente seja digno de represálias. As piadas de loira, de português e de negro têm perdido a fama com o passar dos anos. Infelizmente, estas dão lugar ao preconceito mais afincado às vísceras daquele que se sente perturbado em seu direito de se manifestar frente ao que sempre conheceu como sendo o seu lugar. “De que daremos risada e quem oprimiremos agora?” talvez seja o que no fundo de suas sombras traga a verdadeira questão. E a resposta vem na forma de outros preconceitos, mais específicos e ainda mais segregantes. O pobre, o nordestino, o gay, o índio, o evangélico e até mesmo o opressor. Cada um tem as armas que carrega, por isso, dois pesos, duas medidas. O ataque é a melhor defesa, alguns dizem. E neste mesmo contexto a defesa também é um ataque.

Muitos morreram na tentativa de defender um ideal. Da mesma forma, muitos mataram defendendo ideais também e, deliberadamente, os que morreram podem ter sido alvos dos que mataram. A consciência negra não devia ser questionada no sentido da cor, mas do que representou, e representa, uma luta emblemática entre gente que quer viver com a igualdade de direitos morais e éticos e gente que quer viver como aprendeu a viver. Perceba que a igualdade a qual me refiro é fruto do entendimento das diferenças e do trabalho para que de fato a palavra que seja abraçada realmente seja igualdade. Quem vive de orgulho, morre de saudades e quem vive de saudades, não saúda o que vem a seguir. Pense no real significado da consciência que se deve tomar com relação a qualquer segregação.

django

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1 comentários

  1. se deus é xenofobico, porque o reles mortal não teria fobia?

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