Três perguntas e um novo single da Burro Morto

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Burro Morto
A primeira vez que ouvi a Burro Morto eu estava passando num bar no centro histórico de João Pessoa, não lembro bem se a banda se apresentava ou uma música do seu primeiro EP tocava no lugar, mas lembro que parei na frente e fiquei ouvindo até o fim e depois alcancei meus amigos. Deste dia até hoje mais de cinco anos se passaram, o grupo mudou de formação, lançou um álbum com um filme incrível e virou uma das referências para a música instrumental brasileira. Estou falando do segundo trabalho da banda, o excelente Baptista virou Máquina (baixe aqui), na época de sua criação eu já tinha uma boa relação com os integrantes do grupo, tanto que tive acesso ao disco antes mesmo dele ser lançado e coloquei na internet no primeiro dia do ano de 2011, com a ingênua intenção de trazer boas vibrações ao ano que se iniciava.

Algumas semanas atrás, estava numa van indo pra Natal com um integrante da Burro Morto e tive o prazer de ouvir em primeira mão os novos caminhos trilhados peloa banda depois de longos três anos e meio. O single “Lúcifer Colômbia” tem uma batida incrível e um tanto diferente do que caracterizou o grupo paraibano. Na música, podemos ouvir instrumentos de sopro, sintetizadores que parecem duelar com os instrumentos mais orgânicos, uma viagem a um mundo novo e ao mesmo tempo antigo, resgatado com grande maestria pelo quinteto.



Aproveitando a oportunidade, mandei três perguntas para a banda, que foram respondidas por Leo Marinho e dão dicas do que mudou desde os tempos do EP Varadouro na Burro Morto, mesmo que eles continuem pelo bairro movimentando o estúdio Mutuca, e o que está por vir no futuro da banda. Por sinal, se vocês estiver em Jampa, sábado tem showzão!

Eu queria saber no que mudou sonoramente a banda Burro Morto, desde aquele primeiro EP até hoje?

Do primeiro EP pra cá se passaram mais de sete anos, integrantes saíram e outros entraram e com isso naturalmente a vibe do som que fazemos foi mudando. Houve também um amadurecimento que veio com as apresentações que fizemos nesse período e que se expandiu depois com a produção do Baptista Virou Máquina, que foi um disco conceitual e cujo processo de criação foi um mergulho de exploração estética.

Nos fale sobre este hiato entre o Baptista Virou Máquina e este novo single. Já se passaram três anos, queria saber o que mudou na banda.

Após o lançamento do Baptista, começamos a compor novas músicas, procurar timbres diferentes, explorando outras instrumentações, por exemplo adicionando o trompete em alguns trechos e usando mais sintetizadores e samples. No ano passado começamos a pré-produção de algumas dessas músicas que estavam surgindo, mas nesse período a formação da banda mudou, com a saída de Haley Guimarães, que tocava os synths, e a entrada de David Neves na guitarra e synth. Daí em diante recomeçamos a pré-produção desse material novo, o que resultou em 12 músicas. Portanto, a formação mudou e agora estamos com duas guitarras, todos tocam sintetizadores em trechos diversos da músicas, usamos samplers também e tudo isso aumentou nossas possibilidades criativas. Iremos lançar mais um single antes do carnaval e em seguida um álbum cheio.

Queria que você me falasse um pouco deste novo single "Lúcifer Colômbia" e se ele dá uma boa ideia do que vem por ai no novo trabalho da banda?

"Lúcifer Colômbia" é inspirada na guitarrada psicodélica peruana dos anos 60, mas em uma roupagem moderna, explorando o uso de samples cortantes, um lead synth agressivo delineando a melodia, o baixo minimalista tecendo o alicerce em conjunto com as congas e o groove pesado de uma bateria acústica que soa quase eletrônica, tudo bem pra frente. Essa música dá um relance do teor do trabalho novo, no sentido de mostrar um pouco do aprofundamento na mistura de elementos orgânicos, de nossas influências da música africana, do rock psicodélico e do funk com a adição dos sintetizadores e samples, em uma sonoridade mais pesada e dançante.

CAPA por Leandro Luna

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