Os melhores discos de 2014 por Diego Albuquerque

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RECIFE ANOITECE
Eu gostei do ano de 2014, não apenas na música brasileira (por isto, entenda qualquer estilo). Foi um bom ano, bem refletido nas mixtapes temáticas que soltamos aqui pelo altnewspaper e também nas demais listas de melhores do ano. Esta provavelmente vai ser o último Top 5 + 1 gringo de 2014 que você irá ler por aqui e, como vocês deveriam ter percebido, não repetimos discos por lista. Isto ajuda a diversificar ainda mais o ano, trazendo algumas surpresas boas (ou não).

Talvez pela procrastinação ou pelo enorme número de afazeres que tive durante o ano, perdi a chance de falar de alguns discos que gostei bastante, mas já foram trazidos em outras de nossas listas. Resolvi fazer uma retrospectiva sonora de 2014, com o que eu mais escutei e curti ao longo do ano, porém realmente não curto este lance de colocar em ordem de importância. Ou seja, minha ordem vai ser de audições ao longo do ano, e se eu ouvi muito é por que gostei do que ouvi. Segue a lista e reclame nos comentários!

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Este trabalho entrou aos 45 do segundo tempo, provavelmente por conta do single “My Crime”, lançado em Março e ouvido exaustivamente por mim. Crossfire saiu online no dia 15 de dezembro, apresenta cinco faixas e cabe perfeitamente em vinil (que sairá agora em janeiro). O trabalho marca o retorno e a nova formação da banda, assim como o novo momento sonoro. Se você curte a combinação de orgânico e apetrechos eletrônicos, com um vocal bem inserido num esquema noise experimental que alterna momento de calmaria com barulho, este é pra você!

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Outro belo registro de 2014 veio do Paraná, com uma das melhores bandas de instrumental do país. A ruído/mm não é de decepcionar e isso acaba aumentando o nível de exigência dos discos da banda. Porém, eles parecem não se importar muito com isso. Rasura é o quarto disco do quinteto e apresenta oito composições que são juntas uma aula de música instrumental que chamam de um tal de post-rock. As melodias te fazem passear em um mundo que eu não sei se é concreto, abstrato ou que está dos dois lados ao mesmo tempo e agora. As peças de pianos estão presentes, o clima meio frio também, mesmo que intercalando com o rock e riffs altos de guitarras.

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Panda Eyes – Dream Police
Panda Eyes é uma banda do Recife, com nomes da cena local mais antiga unidos a integrantes de outros projetos mais recentes, fazem um som na linha do indie rock com um pé no shoegaze com enorme eficácia. O primeiro disco cheio do grupo saiu no meio do ano com oito belas canções. Os vocais, teclados, baixo, guitarras e baterias juntos tem uma simbiose pacifica e muito bem elaborada. É praquelas pessoas que curtiram muito o indie rock nos anos noventa e tem saudades do que não existe, mas ainda existe e é muito legal. As letras do Daniel e o vocal arrastado funcionam muito bem com toda a produção do disco, que funciona tanto no calor recifense como nos dias de chuvas paulistano e por isso entra aqui.

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Podemos dizer que esse foi o melhor ano da vida da banda Huey. Tudo conspirou a favor, desde um CD incrivelmente bem gravado e produzido. Ótimas composições instrumentais pesadas que só melhoram ao vivo, lançaram um festival instrumental onde deu tudo muito certo. Uma analogia bacana para o Ace seria a de um nocaute em um lutador profissional, primeiro ele fica um pouco surdo, mesmo que bem anestesiado. Quando descobre que está vivo, fica bem feliz com a experiência e repete novamente. No caso do fã da música, o dano é bem menos traumático e bem mais prazeroso, que apenas melhora caso você consiga ter acesso ao vinil, onde as sete canções só crescem e ficam bem mais bonitas.

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HAB foi uma das gratas surpresas de 2014. Tudo bem que não se trata de integrantes novatos na cena e sim uma reformulação e criação de um novo projeto com velhos conhecidos de outras bandas. O som instrumental suingado mostrado tanto nas faixas completamente instrumentais do disco, ou seja, nas que existem um vocal meio que repetido em mantra, mostram quão cuidadoso é o processo de composição do grupo. Na gravação do debut, Marcos Gerez está no baixo, Guilherme Valério fazendo guitarra e vocal, Marco Nalesso na Guitarra e Mauricio Takara na bateria (ao vivo, a batera fica por conta de Thiago Babalu). Provavelmente foi o disco que mais ouvi em 2014, que saiu em vinil e CD artesanal pela Desmonta. Os loops de guitarra parecem dançar na minha cabeça, em total congruência com os demais instrumentos e por isso foi o melhor disco que ouvi neste ano.

E um gringo:

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Run The Jewels - Run The Jewels 2

Já falei isso, mas não custa repetir. Desde que comecei com o Hominis Canidae, tenho cada vez menos escutado discos gringos. E quando escuto, normalmente me mantenho na minha zona de conforto. Ou seja, em estilos que tenho mais apreço como a música instrumental e experimental. Neste ano resolvi fugir disso, falando do projeto de rap e hip hop Run The Jewels. Agradeço ao Tiago Ferreira pela matéria que saiu no Na Mira do Groove, onde conheci o som, e ao Fernando Lopes por ter disseminado o link do na mira no twitter. Run The Jewels é um projeto dos rappers Killer Mike e EL-P, conhecidos por outros trampos com OutKast e Das Racist e que mandam muito na cena americana, segundo Paulo e o pessoal da extinta +Soma que piram nos caras mais que eu. Porém, não posso negar que o RTJ 2 funcionou muito bem, seja nos beats fodásticos, nas letras bem encaixadas ou nas participações especiais do trampo. Além do som ser foda, você ainda pode baixar de graça no site do projeto.

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