Os melhores discos de 2014 por Paulo Marcondes

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Os Melhores Discos de 2014 - Paulo Marcondes'

O que seria de um ano se não fossem essas listas? Provavelmente a mesma coisa de sempre, mas acredito que este é um exercício interessante, seja criando ou lendo. Este é aquele momento em que você estranha vários nomes, xinga um monte de jornalista bunda-mole e fica com um enorme ponto de interrogação na cabeça quando vê centenas de discos horríveis sendo colocados em primeiro lugar, como se quem seleciona isso fosse o Deus. Eu não ligo se você não concorda com o que escolhi, se para você, algum álbum com guitarras bonitas, gente branca, feliz e rica, instrumentos caros e letras pseudo-intelectuais fazendo poesia vazia, é o melhor de 2014. Para mim, esse ciclo fecha assim, com esses álbuns. Fique livre para postar sua lista nos comentários, por favor.


cadu tenorio - pupila


5-) VICTIM! – Pupila


Não há iluminação na parte interna dos olhos. Eu estou tentando decifrar isso até agora, a mensagem que explica o álbum, dita pelo próprio Cadu Tenório. O VICTIM! é noise e só neste ano lançou três discos, mas Pupila foi o que mais me chamou atenção. É notável, e admirável, os rumos que o projeto tomou. Se em Sexually Reactive Child o músico pautava a composição no trauma e no medo, neste disco, os rumos são diferentes: é mais orgânico, mais cru e é bem provável que por isso, tenha este nome.

Juçara Marçal - Encanado


4-) Juçara Marçal – Encarnado


Existe alguma vez que a voz da Juçara não toque alguém? Há alguma participação da cantora em qualquer som que você ouça e que não seja tão característico? Há ainda a possibilidade da união dela com Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Thomas Roher não ser algo incrível? Existe alguma chance de você não ter escutado esse disco e não entender nada que eu estou perguntando? Ouça.

Criolo - Convoque Seu Buda


3-) Criolo - Convoque Seu Buda


O Criolo chegou pesado em 2011 com Nó na Orelha e para muita gente, aquele disco foi um marco no rap daqui. Esperei até agora para saber o que ia vir no próximo registro dele e para minha surpresa foi algo que mostra apenas uma coisa: a cada lançamento, Criolo se mostra mais versátil e completo. Não importa se você chame isso de rap, mpb, reggae ou qualquer outra coisa, eu só te convido a fazer um exercício: coloque o Ainda Há Tempo pra tocar, e depois, esse disco. É o mesmo Criolo, só que muito mais evoluído, quer você queira ou não.

Paola Rodrigues - Perdida


2-) Paola Rodrigues – Perdida


A Paola Rodrigues foi a grande surpresa de 2014. Um álbum que lançamos aqui com exclusividade e faz parte de um dos movimentos culturais mais produtivos e ricos do país, a Geração Perdida. Tenho certeza que encontrarei muita lista falando que o disco mais estranho desse ano é algum post-rock que repete oitenta e nove vezes a mesma estrutura, mas para mim, é esse. Paola canta a revolução pessoal dela, como dissemos aqui. Ela convida você para entrar em uma casa escura e a cada música, cada vez que mostra um pouco de sua cabeça, sua mente e seus pensamentos, parece que um cômodo se acende lentamente, mesmo você não percebendo pelas bases sombrias e o tom esquisito dado pela produção do Vitor Brauer (Lupe de Lupe).

racionais mcs - cores e valores


1-) Racionais MC's – Cores e Valores


15 músicas, 35 minutos. Você pode chegar e falar que o grupo não é o mesmo do Raio X do Brasil, que escuta os caras desde 87, mesmo tendo nascido em 94. Faz parte querer ser old school. O Sabotage é muito melhor hoje, depois de 15 anos do Rap é Compromisso. Mas quem é sabe o que o cara ouviu. “Vendido”, “apareceu em filme”, “Racionais é rap da rua”. Hoje, não mais. Não mais? O que eu quero dizer sobre o álbum é que se tem uma coisa que os quatro pretos mais perigosos do Brasil têm é percepção do país e principalmente da cidade de São Paulo. Você quer que os caras cantem a revolução, a realidade da favela, e bom, está ali.

É bem provável que o seu único contato com a periferia seja do rap. Nunca pulou córrego, nunca soltou pipa com os caras, nunca sentiu de verdade, nunca esteve no meio. A periferia pra você é o estereótipo. O governo Lula não existiu. “Moleque mete o cano pra andar de moto”, me disse alguém confiável. Hoje, o Facção Central talvez não faça tanto sentido. “O que me faz roubar não é a pena branda, é ver a lata de arroz sem um grama”. Já foi. Quem desce a milhão de moto na porta da minha casa e leva minhas coisas, tá de pano de marca, tá de Mizuno. O moleque quer trocar a CG e pegar uma Twister, uma Falcon, vestir uma roupa melhor. O rolê não espera.

E se eu sou a rua? Longe disso. Só que ao contrário de quem anda de taxi, eu tô nela. Andando, dentro do ônibus, observando o Term. Jardim Angela e as senhoras com Galaxy na mão. Meus amigos tendo acesso à informática, faculdade e um emprego que não seja braçal. Cores e Valores é quase um álbum iluminati, cheio de coisa de fundo que muita gente vai demorar para sacar. E se você está aí reclamando, lembre-se sempre que existem três tipos de gente: os que imaginam o que acontece, os que não sabem o que acontece e os que fazem acontecer. O Racionais com certeza é o último, e você?


Gringo


swans - to be kind

Swans - To Be Kind


Como de praxe, eu costumo ouvir muito mais música nacional que gringa, mas 2014 foi terrível nesse quesito. Eu me lembro de poquíssimos álbuns internacionais que despertaram meu interesse. Na minha cabeça, o que veio quando pensei em elaborar essa lista foi o do Swans que me cativou. Comentei até com alguém “esse é um bom álbum”. E é só por isso que ele tá aqui. Mentira, é porque ele é tão foda quanto o The Seer, de 2012. É o Swans, e o disco tem duas horas de duração.

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