Impressões e pressões de uma manifestação

por - 16:44

[caption id="attachment_26242" align="aligncenter" width="640"]Contra a Tarifa Foto retirada do Facebook do MPL[/caption]
“Deu bosta!” – seguido de um grande estrondo de bomba. Quando me dei conta, estava correndo para a esquina, com os comerciantes fechando os estabelecimentos e outros desesperados tentando entrar para se proteger da putaria generalizada. Ao fim da rua, duas viaturas e pelo menos meia dúzia de policias armados com escudos e armas munição de borracha gritavam “volta!” para todos os manifestantes assustados que corriam para onde dava. Entrei num Extra com meus amigos e mais alguns manifestantes. Comprei um guaraná, pelo susto.

Meu ódio por policias era mínimo, juvenil, para ser mais exato. Coisa de moleque que cresceu jogando Road Rash e GTA ou ouvindo Racionais, NWA e Trilha Sonora do Gueto. Aliás, falando em GTA, acho que quinze mil pessoas haviam atingido a quarta estrela, porque a quantidade de pms nas ruas era absurda. No fim das contas, o ódio aprendido se tornou muito mais uma sensação de desconforto e desconfiança.

Curioso que em trechos da avenida percorrida, pedras e paus estavam amontoados, como se incitassem que alguém enchesse a mão e tacasse nos policiais. “Foram colocadas aí com certeza”, eu ouvi ao longe. Pareciam mesmo ter sido postas. Por um neandertal se protegendo de um mamute.

Vale contextualizar que não havia participado de uma passeata fortemente reprimida pela policia anteriormente. As que participei em 2013, que até ganharam nome bonito pra por nos livros de história, foram micaretas se compararmos com esta que compareci. E claro, por admitir que não sou veterano na linha de frente, tive que aturar os comentários dos “heróis calejados da revolução”. Não basta o ar de superioridade por já ter tomado mais pau da polícia que você, ele tem que te inferiorizar por ter aderido às causas populares só agora. Porque afinal de contas, não é possível apoiar uma causa de outra forma. Obrigado aos preocupados, aliás.

Nunca tinha parado para perceber como as coberturas da mídia são bizarras. Veículos deram números diferentes para os presentes na manifestação. O número mais confiável são quinze mil pessoas, facilmente. A polícia contou apenas três mil. Talvez sejam os acertados por bombas e tiros de borracha.

De todo modo, comparecer ao protesto foi uma experiência interessantíssima. Acredito que ela seria igualmente esclarecedora a todos aqueles que acreditam que as forças policiais são totalmente confiáveis, de que o povo não tem força, de que GTA força a barra na violência policial, de que você está de fato seguro quando disca 190. As verdades sempre chegam, tal como os nossos desejos mais profundos. Ou alguns deles, pelo menos.



[caption id="attachment_26241" align="aligncenter" width="795"]Agora é de R$3,00 pra baixo Foto por Diego Camacho[/caption]

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