Uma noite de vandalismo policial

por - 12:08

quinto atro contra a tarifa SP

Sem confrontos. Foi assim que terminou o 5º ato contra a tarifa, que teve início e fim no Largo da Batata. Nada pacífica foi a dispersão dos manifestantes que continuaram a protestar dentro da estação Faria Lima do metrô. Para liberar as catracas, a polícia mais uma vez usou de toda sua inteligência e atirou balas de borrachas e granadas de gás lacrimogêneo no saguão de entrada da estação.

A passeata durou cerca de três horas e passou pela Avenida Rebouças e Marginal Pinheiros até retornar ao seu local de início. Depois de um jogral convocatório para a manifestação da quinta-feira em frente ao MASP, os manifestantes e o MPL comemoraram mais um ato que teve começo, meio e fim.

Minutos depois, já dentro da estação Faria Lima, um grupo de pessoas continuou a gritar palavras de ordem, entre elas o “libera, libera” para que a catraca fosse aberta. Quando todo mundo achou que não ia dar em nada, alguns jornalistas tinham ido embora e outros já guardavam seus capacetes, o que já parecia improvável aconteceu: policiais da Força Tática começaram a empurrar os manifestantes para longe das catracas. Nesse momento um tiro de bala de borracha foi disparado, seguido de uma granada de gás lacrimogêneo.

quinto atro contra a tarifa SP

O gás, mais imparcial que qualquer pessoa ali presente e sem ter para onde se dissipar, atingiu os presentes sem se importar quem estava de farda, com crachá de imprensa, lutando contra o aumento, ou apenas no lugar errado e na hora errada. Policiais e manifestantes correram em busca de ar fresco, mas quem estava do outro lado da catraca não teve a mesma sorte. Encurralados e sem ter para onde correr, senão para um cordão de policiais com escudo passando por onde o lacrimogêneo estava mais concentrado, tiveram que buscar refúgio no fundo da estação.

Presos sob a mesma névoa, os funcionários do metrô abriram as portas da área restrita para quem não conseguia sair da estação. Lá dentro o que se via eram pessoas buscando por ar e tentando se livrar daquela sensação de ardência e de asfixia. Do lado de fora, uma galera oferecia soro e leite de magnésia para aliviar os efeitos do gás. Enquanto isso, duas funcionárias de um quiosque sofriam sozinhas, sem poder largar seu posto com o dinheiro do caixa ali.

Depois do caos criado pela polícia, chinelos e sapatos podiam ser vistos nas escadas que davam acesso à plataforma, além de passageiros sem saber para onde ir, sem ter trem para sair dali e com medo de subir e dar de encontro com mais gás lacrimogêneo. Hoje vai ser maior.

quinto atro contra a tarifa SP

Você também pode gostar

0 comentários