Papo de Zineiro #1: MIND MOVIES x BUFFY´S PREGNANT

por - 15:13

A brincadeira foi a seguinte: o pessoal se reuniu num grupo do Facebook, como se estivessem numa mesa de bar e cada um indicou sua banda. Eu todas rapidamente, escrevi algumas perguntas e enviei. Aqui o que aconteceu no primeiro papo de zineiro.

Mind Movies

MIND MOVIES
Fale sobre o prazer da remixagem...

É algo desafiante, especialmente quando o artista remixado está na ativa e pode te dar uma resposta sobre como ele viu a sua obra reinterpretada por outra pessoa. Mesmo quando não está, ele (a) pode ser alguém cujas músicas, da forma como estão, representam muito para um número grande e variado de pessoas (até para mim mesmo) e expor a elas algo que já estava estabelecido de uma maneira e que, a partir do momento que remixei, assume outra forma, acarreta uma outra tensão.

No entanto, é também um exercício, de colocar sua criatividade à serviço de um campo que, de certa forma, é restrito, pois, no fim das contas, é a música de outra pessoa que você está disposto a oferecer uma visão sua. Nas minhas primeiras experiências, eu interferia muito em transposição de acordes, distorções de vozes, cortes e outros aparatos. Era legal? Sim. Mas eu sentia que a associação entre o que fiz e a fonte que utilizei estavam muito subjetivas, então decidi me aprimorar, retirando excessos e passando a andar um pouco mais ‘na linha’ da composição. Daí, mesmo tendo feito isso, percebi que ainda ficava uma ‘cara’ do Mind Movies ao que me dispus a fazer, e isso foi o mais gratificante, e agora o que há para corrigir são questões mais técnicas como mixagem e masterização.

Outra coisa que gosto de fazer é andar em outros caminhos, e pode ser que eu ‘cave’ espaços nas músicas onde acho interessante que hajam certas ênfases, como no remix de ‘Break The Wall’, do Lembraille. Às vezes ocorre também de encontrar um certo potencial pop que acho interessante vir à tona em certas obras, como em ‘4 de Agosto’, da Felicia Morales, e ‘Light Scheme’, do Sounds Of Sputnik feat. Ummagma.

Além de tudo isso, remixar é uma forma de levar meu trabalho a outros públicos através da conexão com outros artistas.

Quais equipamentos que prefere usar?

Eu uso o Ableton Live e uma ou outra coisa do Reason, na imensa maioria das vezes uma peça de kit de bateria, que depois recebe algumas modificações. Só recentemente consegui ajustar meu velho notebook de guerra pra rodar os dois ao mesmo tempo e obter mais recursos, mas ainda estou engatinhando nisso.

Apresentações ao vivo, tem ocorrido?

Não, até porque como as mixagens e (os arremedos de) masterizações que faço não soam bem em sistemas maiores de reprodução de som, como P.As ou qualquer coisa fora dos headphones, que é onde trabalho. Talvez eu gastasse muito tempo e dinheiro indicando a mixadores e masterizadores o que quero, então prefiro pesquisar e aprender a fazer esses processos por conta própria para que, se não conseguir fazer um produto final satisfatório, que ao menos eu saiba o que exigir.

O que uma pessoa já pode esperar ao baixar o Dreamtronica?

Ela não deve esperar. Deve agir e baixar logo, que é de graça (risos)

Bem, não gosto muito de indicar como deve ser feita a acepção do que faço, prefiro que o ouvinte tenha sua experiência e construa sua própria visão, pois se eu, como criador, já mostro um produto com um viés, estou restringindo a interpretação do público, que poderia, no máximo, discordar ou concordar com o que eu disse, deixando a coisa na base do ‘sim’ ou ‘não’.

Gostaria apenas de entrega e imersão.

Outros discos, projetos futuros?
Estou tentando, aos trancos e barrancos, produzir material novo para um disco ou EP. Parece obra pública faraônica, é um ‘começa e para’ danado, mas, enfim, é o que está sendo possível fazer, concomitantemente com outros remixes (um ou dois nesse início de ano, se o segundo ficar pronto), que sempre assumem o foco quando aparecem, pois faixas autorais, nesse momento, são uma segunda prioridade, por exigirem mais calma.

Recado pra geral.

Ouçam, comentem, sigam, espalhem para os amigos e, se não gostarem, que indiquem aos inimigos (vai que eles gostam - RISOS). Queremos estar aí.

BuffysPregnant


Citações são a maior inspiração de suas composições?

Uma das minhas maiores inspirações, sim! Se tu reparar ali, boa parte vem de algum filme, entrevista ou da literatura, o que nos leva direto para a pergunta dois...

Te incomoda a política? Direita, esquerda, tudo torna-se uma forma de refletir sua composição?

Continuando a primeira pergunta, uma das minhas grandes motivações pra criar são as coisas que me incomodam, na "Ex-contínuo", por exemplo, foi a morte do José Wilker, "Meus pêsames pelo dia de hoje" é uma gravação de um senhor falando no metrô (o incomodo nem sempre é uma coisa ruim). Agora, a "Vou cheirar a cocaína do Aécio" é um som forte que a galera costuma comentar bastante, ela foi lançada um dia depois das votações do segundo turno de 2014 pra presidente.

Voltando a pergunta, a política em si não é algo que me incomoda, acho que desde a hora que nós acordamos e colocamos o primeiro pé no chão já estamos fazendo política, o que realmente me incomoda nisso tudo é a forma que as pessoas levantam a bandeira que acreditam, o que rolou muito nessas últimas eleições - e acredito que esse esquema só tende a piorar.

Rio de Janeiro tá muito fechado pra esse tipo de som ao vivo?

Na verdade não! Claro que poderia ser uma coisa muito maior, mas por aqui nós temos o Novas Frequências - que é um festival anual -, e o Quintavant, que é um evento constante; e o centro de tudo isso costuma ser a Audio Rebel e a Comuna, ambos em botafogo. A galera que curte esse tipo de som acaba se encontrando nesses points.

Pensa em lançar disco? Ou só faixas na rede?

Até então venho lançando as faixas separadas pela urgência de soltá-las no soundcloud, mas um disco é uma coisa que estão nos planos pra esse ano, venho conversando bastante sobre isso com o André Buda. O Buda é um amigo que começou a leva de músicas minhas com participações externas, normalmente algum amigo me envia um áudio e eu trabalho em cima dele que deve rolar mais nesse disco.

A ideia é soltar o álbum no esquema pague-o-quanto-quiser do bandcamp e também em CD-R artesanal!

Um filme que você poderia fazer uma versão dele inteiro:

Poderoso Chefão! Ainda tenho a pira de fazer alguma coisa usando a música tema e algumas cenas de toda trilogia. Sendo um pouco saidinho, gostaria de adicionar aqui que ainda pretendo trabalhar alguma coisa em cima do livro Pornopopéia, do Reinaldo Moraes.

Harsh Noise e recado pra galera...

Quero agradecer quem leu até o final, agradecer o Roberto pela iniciativa e falar que 2015 tá aí pra eu tentar desgraçar a cabeça de você de todas as formas possíveis.

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Roberto Hollanda faz quadrinhos e zines desde 1997, tocou em várias bandas cover de Pearl Jam, organizou casa de show no Rio de janeiro em 2000, e agora além de publicar quadrinhos no mundo inteiro  toca no projeto Noise Pesadelo Portátil. A ideia é todas essas entrevistas saírem no formato de zine, ainda esse ano.

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