BADBADNOTGOOD - III

por - 11:08

III III

BADBADNOTGOOD

Innovative Leisure

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Quando lançou seu primeiro álbum, em 2010, o BADBADNOTGOOD assumiu o posto de “banda que mistura rap, jazz e música eletrônica com maestria”. De fato, é isso que eles estavam fazendo. Eram três moleques de conservatório, que se conheceram em Toronto, no Humber College, e podiam ir para uma onda “jazz certinho e chatinho pra caramba”, só que o rap salva almas. O gosto pelo hip hop de Matthew Tavares, Chester Hansen e Alexander Sowinski levaram os três para um caminho diferente, o que fez que o debut deles conseguisse ser sucedido por outro disco e consequentemente por mais um registro, III, que foi lançado em maio de 2014.

Enquanto nos dois discos anteriores o BADBADNOTGOOD fazia um monte de covers – temos de My Bloody Valentine a Kanye West, de Waka Flocka Flame a James Blake -, III, é o primeiro álbum totalmente autoral do trio e que mantém a ideia de “a banda que mistura rap e jazz com maestria”. “Triangue”, a primeira faixa, é a síntese de todo o trabalho do trio. O início jazz de cabaret e a levada aos poucos a um clima mais hip hop, seja pelo baixo de Sowinski ou pelas habilidades de Tavares em criar alguns beats, confirmam isso.

Em III, o ouvinte é convidado a entrar em uma viagem um pouco diferente das que foram experimentadas em BBNG e BBNG2. É como se aqui o ritmo acelerado e desgovernado que acontecia em “Bastard / Lemonade”, cover de Gummi Gace, abrisse espaço para alguns ambientes mais tranquilizantes como em “Eyes Closed” e “CS60”, em que quando você pensa que o grupo vai explodir seus ouvidos e talvez te fazer entrar em uma crise de epilepsia, eles preferem recuar e voltar a algo mais calmo.

O que fica nítido ao longo do álbum é que eles preferiram não serem tão experimentais no lado da fritação e sim se concentrarem mais em compor temas que conseguissem unir da forma mais coesa possível os dois elementos predominantes das canções do trio desde o primeiro disco: o jazz e o hip hop. Por isso faixas como “Differently, Still” acabam se tornando carro-chefe do lançamento: o piano se desconcertando algumas vezes, mas tudo técnico demais, a bateria indo mais tranquila e o baixo marcando os outros elementos como um plano de fundo, são características totalmente claras em III.

É claro que a falta de experimentação e estouro em alguns momentos do álbum decepciona um pouco quem foi atrás do disco pensando que fosse encontrar canções mais barulhentas e pesadas que “Rotten Decay” e “Bastard / Lemonade”. Mas III consegue manter o BADBADNOTGOOD no posto de uma ótima banda, que consegue unir elementos tão legais a uma única canção sem soar pedante, metido a experimental ou pior ainda, que dois estilos fantásticos e criado por negros, se tornem algo imbecil e mal executado na mão de três garotos brancos do Canadá.

III é muito menos inquietante que BBNG2, mas isso não quer dizer que seja para tocar no consultório do dentista ou dentro de um elevador. O álbum é um pouco mais técnico que os outros registros já lançados pelo trio e prima pela consolidação do grupo em unir o jazz e o hip hop. Talvez você possa ficar decepcionado na primeira vez que ouvir, mas a partir da segunda audição, o disco pode se transformar em algo completamente diferente e esta é uma das coisas geniais que acontecem com a música, não?

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