Papo de Zineiro #02: Vapor X Fábio Cardelli

por - 11:00

VAPOR

A brincadeira foi a seguinte: o pessoal se reuniu num grupo do Facebook, como se estivessem numa mesa de bar e cada um indicou sua banda. Eu ouvi tudo rapidamente, escrevi algumas perguntas e foi. Aqui o que aconteceu.

A Vapor é uma banda de rock bem furioso, das mais obscuras de São Paulo! Maconha, pó, heroína, tudo que vocês possam imaginar... mas a culpa é do álcool! Aqui o papo:

Falem um pouco sobre a diversão de se tocar um bom rock...

Pra nós, tocar é um momento em que a gente conversa sem abrir a boca. É quando o mundo lá fora não existe. No rock a gente lava a alma. Essa é a grande diversão. Além de todo o círculo de pessoas que a gente vai conhecendo por ai, os amigos que vamos reunindo, a cerveja, o esgotamento pós-shows, os perrengues e as histórias pra contar. Rock é isso, história pra contar.

Qual a grande crítica aos vícios no seu álbum Culpem o Álcool?

Na verdade o nome do álbum é quase uma desculpa pelo que saiu nele. É o nosso primeiro registro, então não sabíamos o que a galera ia achar. Como a gente gosta de uma birita, a gente resolveu culpar o álcool pela cara de pau de lançar esse EP. Mas o EP em si fala mais de vícios comportamentais. São crônicas, questionamentos, poesia. Acho que não chegamos a criticar nada. Talvez de alguma maneira podemos despertar alguma reflexão em quem se identifica com as músicas.

Como tem sido a aceitação a um som furioso, mas acima de tudo, divertido?

Em geral a galera tem curtido nossos shows. Particularmente, acho nosso som muito mais interessante ao vivo. Talvez seja porque eu esteja tocando, né? (risos). Fico feliz de você ter tido essa sensação... furioso e divertido me parece uma combinação e tanto! Tentamos fazer música que as pessoas tenham vontade de ouvir de novo, que queiram mostrar para os amigos, que faça parte da vida delas de alguma forma. Ser divertido já é um grande passo pra isso. Mas, sinceramente, a gente tenta ser mais furioso do que divertido (risos).

Planejam lançar algo de forma física (CD, LP, K7)? Já planejam outro álbum?

Esse EP completou 1 ano em novembro. Ele nos ajudou muito a tocar por aí. Agora que a gente já está um pouco mais rodado e com músicas novas, planejamos lançar um full ainda esse ano e aí sim fazer uma versão física. Acho que o resultado vai ser bem diferente do Culpem o Álcool. Também estamos finalizando um 5-way split com algumas bandas ótimas aqui de São Paulo, a Hollowood, a Blues Drive Monster, o Chabad e a We Are Piano. Acho que vai ser um recorte bacana do que a gente tem feito e uma oportunidade pra gente divulgar essa nova leva de bandas independentes, na qual estamos inclusos.

Um recado pro pessoal que vai aos shows...

Muito obrigado! A gente só tem a agradecer a quem vai aos shows, principalmente hoje em dia. O Vapor sempre tenta dar o seu melhor ao vivo, tirando o melhor som possível, não esticando os shows desnecessariamente e torrando sua paciência (risos). E deixo uma dica: Tem muita banda boa tocando por ai. Dê uma chance e vá aos shows. A experiência do ao vivo é única. Seu MP3 nunca vai chegar lá.

fabiocardelli

Fábio Cardelli é um músico de São Paulo que após participar do ótimo Wasted Nation e do Cabezas Fltuantes, apresenta-se de forma solo. Segue um papo sobre passado e futuro.

Pra quem nunca ouviu o Cabezas Flutuantes, qual a maior diferença para seu trabalho solo?

O Cabezas nasceu de muitas mãos. O Registro, estreia do Cabezas de 2013, é uma colagem de composições de muita gente diferente, o próximo álbum vai ter um processo diferente, mas ainda mantendo essa ideia do "código aberto". Já meu trabalho autoral é uma construção da minha própria persona como compositor e intérprete. Sonoramente, o Cabezas hoje é mais fofo e mais brasileiro, o Fábio Cardelli é mais trovador e mais rock. Mas nunca se sabe o futuro.

Bem, aparentemente o projeto ainda está começando, visto que há poucas faixas, mas sinto uma sonoridade Syd Barrett/Fellini. Esse é o caminho?

Sim, considero que comecei de fato meu trabalho solo em 2012, quando comecei as prés de A Palavra dos Olhos (em vias de ser lançado) e fiz uma turnê na Argentina só voz e violão, onde pude sentir uma resposta de público que me mostrou que eu estava no caminho certo. Apesar disso, estou começando a dar mais as caras em 2015 mesmo. Gosto das referências que você citou, eu colocaria o Arnaldo Baptista nesse caldeirão também.

Pretende seguir o caminho de lançar vários compactos e ”selecionar os melhores aceitos” em um álbum?

Como já te adiantei, meu plano para 2015 é lançar um álbum de inéditas, A Palavra dos Olhos, que está masterizado, estou trabalhando na parte visual hoje em dia.

Comente um pouco de sua carreira, pelo visto tocou em várias bandas.

Bom, além do Fábio Cardelli e o Cabezas Flutuantes, que são minhas prioridades, ainda toco esporadicamente com a Visitantes. Lancei um álbum com a Visitantes em 2009 (o disco da lata), e outros dois em 2004 e 2006, quando a banda ainda se chamava Wasted Nation. Fizemos uns 200 shows pelo Brasil a fora. Fui também mentor e coordenador do coletivo Escárnio e Osso! entre 2003 e 2010: foi um coletivo por onde passaram mais ou menos umas 15 a 20 bandas de SP; fomos produtora, selo, blog e realizamos o Grito Rock São Paulo em 2008 e 2009. Fora isso, toco bateria e faço produção em outros projetos.

Recado pro pessoal que está te conhecendo agora.

Rapaziada, não tenham medo de se arriscar! Se arrisquem mais no amor, no trabalho, sigam seus corações. E se arrisquem a conhecer meu trabalho.

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Roberto Hollanda faz quadrinhos e zines desde 1997, tocou em várias bandas cover de Pearl Jam, organizou casa de show no Rio de janeiro em 2000, e agora além de publicar quadrinhos no mundo inteiro  toca no projeto Noise Pesadelo Portátil. A ideia é todas essas entrevistas saírem no formato de zine, ainda esse ano.

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