A importância do ressurgimento de Flaviola

por - 11:05

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Há alguns dias estive debatendo com um amigo sobre a minha intenção de ir para a primeira noite do Abril Pro Rock 2015, que acontece no próximo sábado (18), no Baile Perfumado, a despeito da ida dele à segunda noite – dia 24, no Chevrolet Hall – e sobre qual seria a mais importante atração do evento, mesmo sabendo a subjetividade enorme que essa escolha carrega em si para cada um. Essencialmente, estava me referindo à importância histórica das pessoas e grupos que irão se apresentar como headliners na “noite Udigrudi”, assim tem sido chamada, e a confluência com os artistas que estão movimentando já há alguns anos o rock do Recife, indiscretamente influenciados por aquela geração dos anos 1970. Mesmo sabendo que outros fatores – menos triviais para mim, diga-se de passagem - podem ser maiores para a tomada de decisão de outra pessoa. Em especial, me refiro à “ressurreição” – numa associação infame à celebração cristã - em pleno mês de abril do poeta e músico Flaviola, que lançou no ano de 1974 seu único e cultuado disco ‘Flaviola e o Bando do Sol’.

A produção do festival não poderia ter acertado mais. Acompanhando o aclamado retorno de um dos grandes ícones daquela época com a recriação do show ‘Perfumes y Baratchos’ num Teatro de Santa Isabel mais uma vez lotado, a Ave Sangria retornando com grande parte da formação original e o estoque de gás renovado foi o mote. Paulo Diniz também é um nome que deve ser lembrado. Mas é no nome de Flaviola que reside boa parte da carga de mistério, experimentação e poesia daquela turma. Por que apenas um disco? Quem são o bando do sol? O que andou fazendo este tempo todo longe da música? São perguntas que sempre me passam pela cabeça quando o escuto, mas ao mesmo tempo entendo que elas não necessitam respostas. Me surge também a curiosidade da ausência de Flaviola em discos de contemporâneos como Lula Côrtes e Marconi Notaro. Talvez seja essa pouca interatividade que tenha influenciado fortemente no resultado final, uma música com ares noturnos, solitários, introspectivos e enfumaçados, embora cheias de contribuições.

Acompanhado por ótimos nomes atuais - que certamente são seus fãs em algum nível - como Juliano Holanda, Gilú Amaral e Juvenil Silva para reinterpretar o Bando do Sol, Flaviola retorna em bom momento para abraçar uma oportunidade que talvez não tenha tido e, quem sabe, dar continuidade ao trabalho na música. E assim o Abril pro Rock retoma a faixa como um dos mais importantes festivais do Brasil.



Texto por: Vitor Gabriel Colaço da Veiga Pessoa, ganhador da promoção para o sábado do festival Abril Pro Rock.

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