Impressões: Abril Pro Rock no Baile Perfumado, uma noite de homenagense reencontros

por - 11:09

Paulo Diniz
O primeiro dia de shows do Abril Pro Rock foi completamente diferente de tudo que aconteceu no formato das edições anteriores do festival, pelo menos nos últimos cinco anos. Além de um local novo para o evento, pela primeira vez realizando algo no Baile Perfumado, o dia foi para homenagear velhos nomes da música pernambucana, mesclando com algumas revelações da nova cena que tem características afins. Pouco mais de mil pessoas compareceram a tal “Noite Udigrudi” da edição 2015 do APR. Quando cheguei por lá - devido aos tramites de entrar na casa, esperar amigos que estavam juntos, entre outras coisas - já rolava o show da banda Caapora e acabei ouvindo a parte final do show de fora. Ou seja, perdi, fica pra próxima!

Quando entrei no palco do Baile Perfumado, Paulo Diniz e sua banda começavam os trabalhos. Tudo acompanhado de perto por um público, que se não era grande, parecia bastante interessado nele. Aquele clima “saudades dos tempos em que eu não vivi”, em que vários jovens entoavam os hinos da carreira do músico que começou o show com o maior deles “Quero Voltar Pra Bahia”, porém, em meio as conversas durante o show, Paulo Diniz reafirmava suas raízes pernambucanas e disse que fez uma música sobre a Bahia porque precisava ganhar dinheiro. A apresentação contou com um clima de improviso, com a participação do guitarrista Bubuska (que eu nunca tinha visto tocando fora do barco ou de um trio elétrico), e passando por alguns dos sucessos da MPB, dentre eles “Um Chope Pra Distrair”. Ao fim, um misto de curiosidade e satisfação em ter tido a oportunidade de ver no palco um dos músicos de maior sucesso do estado, numa oportunidade de ouro, já que ele não tem feito shows com tanta frequência.

ALmério

Despois foi a vez da apresentação de uma das novidades musicais do interior do estado, direto da efervescente Caruaru, o músico Almério, que iniciava os seus trabalhos no palco pequeno. Almério lançou um disco em 2013 e este trabalho foi a base para o show. Confesso aqui que o clima de novidade foi uma vantagem para o cantor e sua banda, fazia tempo que eu não via um grupo de completo desconhecidos em um palco. Interessante ver o uso – da maneira correta – de elementos datados da música pernambucana como a alfaia. A ótima percussão deu um frescor ao clima MPB e pop do disco do cantor caruaruense, além da própria performance dele à frente da banda. Os conterrâneos do camarada que acompanharam o show devem ter se emocionado com a participação de Helton Moura tocando o carro chefe do disco “Não há muito o que fazer”, fechando em altíssimo astral a apresentação.

Flaviola

Aconteceu então aquele momento mágico, que fazia tempo que eu não vivia em um Abril Pro Rock, mas que já aconteceu outras vezes. A apresentação do misterioso Flaviola, que para mim “estava morto e enterrado”, mas que renasceu depois de quase 20 anos longe dos palcos de Recife. Mesmo com apenas três ensaios, mas com uma banda de responsa, composta por Juvenil Silva, Juliano Holanda e Gilú Amaral (ambos da Wassab), o afilhado do Flavio Zé da Flauta, Paulo Rafael – único remanescente do Bando do Sol - e um camarada trazido do Rio de Janeiro para tocar teclado, que mandou muito bem. A apresentação começou com a banda fazendo um instrumental bem bacana, que deu o clima pra apresentação e teve início com o Flaviola recitando de maneira emocionada a letra de “O Tempo”, que quarenta anos depois, fez todo sentido. O cantor reafirmou diversas vezes que estava bastante feliz em estar ali, porém todo o distanciamento dele com a cidade, era reafirmado em tons de brincadeira, quando Flavio falava que não sabia ter público em Recife, já que nós shows de outros tempos só compareciam os familiares. A apresentação ainda teve espaço para homenagens a Lula Côrtes, parceiro musical dos tempos de Flaviola e para toda a vida. O show foi composto tambem por canções do clássico disco com o Bando do Sol, como “Desespero”, “Balalaica” e o frevo “Asas (Pra que te quero?)” que fechou o show em uma festa digna do carnaval recifense (por sinal, fica a dica para a prefeitura e a Empetur trazerem o camarada pra tocar seus frevos durante o carnaval).

Aninha Martins

Seguindo, foi a vez do nome mais conhecido desta nova cena pernambucana que se apresentou em meio a nomes clássicos de outros tempos. Aninha Martins subiu ao palco, com atenção de um público atento e apaixonado por ela. Se pensarmos na plateia, o jogo já estava ganho pra Aninha, mesmo com alguns problemas com o som no início da apresentação. Aqui, abro um parênteses para dizer que é louvável colocar um segundo palco dentro do Baile, que traz o clima de festival com apresentações em sequência, mas era nítida a diferença na potência entre os palcos e isso é um fator deveras negativo para quem se apresentava por lá. Mas este não foi um problema para a performática cantora e sua banda. Mesmo sem um disco lançado, o público cantava alto junto com a moça, músicas como “Salomão” e “Sábio Satanás”, o que só reafirma a urgência com a qual o disco da cantora precisar nascer. Mais uma vez, mesmo achando a banda de Aninha bem boa, não consigo ver uma sintonia clara entre os músicos durante o show. Eu não sei o que é, mas falta alguma coisa. Porém, isso não parece ser um problema para o público, que aplaudiu efusivamente Aninha e sua banda ao final da apresentação.

Ave Sangria

Fechando a noite, o nome mais importante e aguardado para os fãs da geração Udigrudi. A Ave Sangria subiu ao palco com todos os integrantes originais que estão em condições de fazer um show 40 anos depois. Paulo Rafael, Almir Oliveira e MarcoPolo foram acompanhados por Juliano Holanda no baixo, Gilú Amaral nas percussões e o performático Do Jarro na bateria. Além das canções do clássico disco do grupo (relançado recentemente em vinil e CD pela Ripohlandya) como “Seu Valdir”, a banda também tocou faixas que saíram no show ao vivo feito no Teatro de Santa Izabel – e também relançado pela Ripohlandya -, entre elas “Vento Vem”, em homenagem a Israel Semente. Ivinho, que passa por um problema de saúde, também foi lembrado e homenageado no palco do Baile Perfumado. Eu continuo achando incrível as antigas canções da banda, mas seria interessante ouvir alguma coisa nova, aproveitando que o grupo se encontra reunido e ativo ( se não for pedir demais!).

Ao fim, a ideia do Abril Pro Rock homenagear em vida alguns dos nomes do passado da música pernambucana foi bastante louvável e aprazível. Coisa que festivais da prefeitura e do governo do Estado, como o Festival de Inverno de Garanhuns e Carnaval, deveriam abraçar e repetir. Passava das três e meia da manhã, quando resolvi dar por encerrada a noite e posso dizer que quem compareceu a primeira noite da edição 2015 do APR deve ter ficado bastante satisfeito. Neste final de semana tem mais! Por sinal, caso queira tentar ir de graça para os shows, está rolando uma promo/ concurso AQUI, participe!

PS: Todas as fotos por Simony Rodrigues, exceto a de Almério por Alex Rodrigues

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2 comentários

  1. O que se falar de alguem que se passa por critico e chega atrasado perdendo a primeira atracao da noite? Sera um boicote ou sera que os meninos nao merecem uma simples mençao ao seu trabalho. Seja la porque razao foi esse esquecimento é uma pena.

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  2. Diego Albuquerque23 de abril de 2015 08:51

    Cara, sou um só, faço isso por diversão e nem faço critica, apenas passo minhas impressões do que eu vi! Ou seja, poderia ter perdido até mais shows.

    Eu poderia usar como base outro show da Caapora que já vi, que provavelmente enrolaria numa boa, como muito jornalista profissa faz pra jornal.

    Prefiro ser honesto e dizer que perdi.

    Obrigado pelo comentário,

    Diego

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