Papo de Zineiro #03: Marvelous Things X Beise

por - 11:08

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A Marvelous Things é uma banda do Rio de Janeiro (RJ), surpreende com um som suave e Folk, teclados, violões, ecos dos mais tranqüilos e psicodélicos momentos dos anos 70 no século XXI.

Fairport Convention, Hoelderlin, John Rebourn Group... Quão mais folk vocês consideram que seja o Marvelous Things?

Johnny: Apesar de algumas influências consideradas "folk", não considero a banda folk. Veja bem, não te culpo por pensar assim, porque realmente todas as nossas demos são acústicas. Mas é que carecemos de equipamento pra gravar algo mais elaborado. Espero que isso não soe como desculpa (risos). Nossas maiores influências vêm do progressivo e do experimental. Pink Floyd, Gentle Giant, Bacamartes, Renaissance, Sigur Rós, são grandes influências do progressivo no nosso trabalho. Mas também puxamos muito pro experimental. A dupla CocoRosie e a cantora Rio en Medio inspiraram a maioria das composições que fiz pro EP As Quatro Estações. Grande influência também foi o Daniel Johnston. No entanto, tenho como influência forte nas minhas composições o Elliott Smith, cantor que sou grande fã, e a Cat Power, que me fascina. A banda também aprecia muito Jazz Fusion, MPB (Novos Baianos é nossa favorita), Led Zeppelin, Radiohead, David Bowie... Temos um cover do Bowie no nosso Soundcloud. Considerando o que me inspirou pras músicas que escrevi pro EP, diria que esse material se parece muito mais com o dessas cantoras experimentais que com os artistas folk que influenciam meu trabalho no geral.

Recepção do público carioca...

 Johnny: Somos uma banda pequena até o presente momento, pouca gente conhece... Quem mais dá suporte são nossos familiares e amigos. Principalmente o pessoal que estudou no mesmo colégio que a gente, já que a banda se formou quando todos nós ainda éramos estudantes do Ensino Médio. Nenhum deles ficou fã da banda, mas sempre nos ajudam a divulgar. Meu melhor amigo e um amigo dele são fãs reais da banda, a maior parte das execuções do Soundcloud são deles. Porém, os dois são de São Paulo. Fora isso, não conseguiria listar outros. Talvez eles estejam escondidos por aí...

É difícil uma banda independente conseguir algum sucesso considerável em poucos anos. Nos juntamos em 2012, e nossa primeira formação era mais indie rock, visto que a vocalista era outra e havia um baterista. Em um primeiro momento, o Matheus [guitarrista] nem chegava a fazer parte da banda (a guitarrista era eu), ele entrou mais tarde. As músicas eram outras, o público atingido era outro. Meses mais tarde, depois que a vocalista e o baterista saíram da banda, é que nós três nos juntamos e resolvemos fazer outro tipo de música, algo que combinasse mais com a gente. Apesar das dificuldades de ser banda independente, não almejamos procurar por gravadoras ou qualquer tipo de patrocínio que vá interferir no nosso processo criativo. Preferimos produzir nossos discos sozinhos, e vender nossos produtos de forma igualmente independente, sem um "mecenas". Compartilhamos de outra perspectiva nesse quesito, e estamos felizes e satisfeitos tomando conta de nossas finanças e projetos sozinhos.

Algum disco em intenção de lançamento?

Matheus: Atualmente, estamos trabalhando no nosso primeiro EP, As Quatro Estações, sem previsão de lançamento. A ideia de fazer um EP sobre o tema veio em mente quando nos questionamos sobre o porquê de o Pink Floyd não possuir nenhum álbum sobre as quatro estações, e ficamos frustrados com isso. Na verdade, boa parte das nossas ideias surgem quando não encontramos músicas que satisfaçam uma determinada vontade. Assim, quase tudo o que criamos surge a partir do "e se...". Por exemplo, em 2013, quando eu estava obcecado por contraponto e pelas obras de Bach, queria fazer um álbum que resgatasse a fuga utilizando como pano de fundo o jazz. Nunca fomos a fundo com o projeto e, de fato, nunca chegamos a discutir sobre isso, porque demandava um conhecimento que nós não tínhamos e equipamentos que estavam longe do nosso alcance. Por enquanto, estamos nos concentrando no nosso EP e, eventualmente, em algumas ideias para um novo álbum, se tudo der certo. Gostaríamos de fazer algo que fosse mais alternativo dessa vez e que propusesse uma discussão e reflexão maiores sem deixar a preocupação estética de lado.

Positividade, espiritualidade, é a mensagem da banda?

Matheus: Por enquanto, As Quatros Estações é um álbum mais leve cujo propósito é trabalhar certos questionamentos e conscientizar as pessoas sobre temas que achamos pertinentes abordar. Assim como bandas como Radiohead, que começaram de modo mais simples, porém sem deixar de tratar de temas de cunho político, e foram amadurecendo com o tempo sem perder a essência... Pretendemos fazer o mesmo, mas sem ficarmos ambiciosos demais, sem muita expectativa.

Johnny: Claro que o objetivo final seria algo relacionado com espiritualidade, positividade, um bem maior. Mas nos é mais interessante tratar sobre temas pertinentes à nossa sociedade, propondo debates, levantando questões de cunho mais social e interpessoal. "Outono" é uma música em que tentei mostrar como o homem se relaciona de forma destrutiva com a natureza, e "As Três Flautas" é uma música que fala sobre hipocrisia em diversos setores - há até mesmo um discurso de representantes do Greenpeace incutido na música que foi alvo de críticas. Mas há músicas de reflexões mais pessoais, sem contar que falar das estações é algo abstrato e que dá margem pra muitas reflexões diferentes. Diria que a mensagem primordial das nossas músicas é centrada na empatia e na sororidade entre as pessoas, que tem sido tão necessária nas relações sociais.

Vinícius: Esperamos que nossa música possa passar uma mensagem saudável pra todos. Que acrescente algo de bom à vida de quem ouve, como os legumes acrescentam em uma alimentação saudável.

Recado suave para todos...

 Vinícius: Vida longa e próspera a todos os nossos ouvintes.


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Beise é um projeto de música eletrônica, formada por Gustavo Brunoro, fazendo um som dançante, mas ao mesmo tempo, reflexivo.
Prefiro que defina em suas palavras o que é o som eletrônico do Beise...
O som do Beise é a tentativa de compor a trilha sonora de uma viagem intergalática, misturando aspectos de dream pop e shoegazing com elementos de tech e deep house. Os estilos tem uma interseção que, ao meu ver, ainda merece ser melhor explorada. Além disso, turismo espacial já é uma realidade!

Instrumentos análogos, VSTs, ou o que é a base da banda?
Principalmente VSTs. O ponto de partida são melodias usando sons de synths clássicos, como o Minimoog, o ARP 2600 e o Yamaha DX7 em combinação com pedais de efeitos de guitarra. Para o resto uso principalmente timbres de piano elétrico e de drum machines (TR707 e TR808). Eu sequencio e masterizo tudo no Ableton Live mesmo.

Tem feito shows?

Não com o Beise, mas tenho outro projeto em andamento focado em live sets de 1h usando só synths, drum machines, samplers e efeitos analógicos. Talvez até fim de 2015 eu já consiga a me virar no meio de tantos knobs e luzinhasao vivo.

Ora onírico, ora dançante... qual a sensação na vida que seu som gera?

"Onírico e dançante" descreve exatamente o que eu busco com o meu som. Algo que funcione na pista mas mantenha o clima étéreo e contemplativo das várias camadas de melodias carregadas de reverb e delay. O Al-sider é uma seleção de tracks que fiz ao longo de seis meses de experimentação. As faixas do EP caem em vários pontos nesse espectro entre o tech house e eletrônica mais "dreamy".

Recados básicos pra galera...

Façam música, coloquem seus sons online e me adicionem no soundcloud e bandcamp! Já produzo música há alguns anos mas muito raramente disponibilizava meu material online. Desde que coloquei o EP no ar, a troca de idéias com ouvintes e outros artistas enriqueceu muito a minha experiência como produtor e ouvinte. Em breve o Al-sider estará no bandcamp e disponível para download.

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Roberto Hollanda faz quadrinhos e zines desde 1997, tocou em várias bandas cover de Pearl Jam, organizou casa de show no Rio de janeiro em 2000, e agora além de publicar quadrinhos no mundo inteiro  toca no projeto Noise Pesadelo Portátil. A ideia é todas essas entrevistas saírem no formato de zine, ainda esse ano.

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