Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

por - 11:06

Hand. Cannot. Erase. Hand. Cannot. Erase.

Steven Wilson

Kscope (2015)

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Hand. Cannot. Erase. é o quarto album na carreira solo do multi instrumentista, compositor e arranjador Steven Wilson (Porcupine Tree, Opeth, Blackfield, Pendulum, No-Man, Incredible Expanding Mindfuck, Continuum e Corrosion Orphaned Land). Se você não ficou impressionado pela quantidade de bandas, em gêneros diferentes, que este cara faz parte, saiba que ele acabou de remasterizar toda a discografia do Yes e do King Crimson, sim, dos dois gigantes do rock progressivo, para audio 7.1. Vale a pena procurar esses novos releases.

O álbum faz parte da categoria de discos progressivos experimentais, que te prendem a atenção em uma única história ao longo das faixas, como os velhos conhecidos Dark Side of the MoonMetropolis Pt.2. O registro foi feito após Steven ver o documentário Dreams of a Life sobre uma jovem inglesa, Joyce Carol Vincent, bonita e popular, que morreu em seu apartamento em 2003, e por três anos ninguém deu falta de sua presença, o que é bastante inquietante né? E apesar de ser sobre “amor”, Hand. Cannot. Erase. é uma masterpiece de como a falta dele pode perturbar uma pessoa.

Com influencias bem perceptíveis de grandes nomes do rock progressivo como Rush, Pink Floyd, Yes, King Crimson, e uma pegada mais moderna adicionando samples eletrônicos e também uma abordagem jazzística, menor que em seu álbum anterior, The Raven That Refused To Sing, com um toque de Deep Purple.

Todos os instrumentos e synths foram compostos por Steven Wilson, além das letras, escritas sob uma perspectiva feminina, deixando espaço para solos e complementações que encaixam harmônica e melodicamente de maneira perfeita por sua banda formada pelo notável Gutrhie Govan (The Artistocrats) na guitarra solo, Marco Minnemann (The Aristocrats, Paul Gilbert, Kreator, Joe Satriani), na bateria, Adam Holzman (Miles Davis Band) nos teclados e piano, Nick Beggs (Kajagoogoo) no baixo e Chapman Stick,  e Theo Travis nos sopros. Sim, a banda éfantástica! O álbum ainda contou com o vocal feminino de Ninet Tayeb e um boy chorus group com um solo angelical de Leo Blair na faixa “Routine”.

Aclamado pela crítica internacional e com nota de 89/100 no Metacritic, o álbum alcançou o primeiro lugar no UK Rock Album List (OCC), a segunda colocação na UK Independente Albuns (OCC) e na Dutch Albuns Chart (da Alemanha), além da notável 39ª posição na US Billboard 200, coisa que um disco de rock progressivo dificilmente alcança atualmente.


Faixa a faixa:

1 - “First Regret”: uma suave introdução.

2 - “3 Years Older”: o pau começa! Uma introdução a lá Rush e Dream Theater e uma abordagem bem interessante e nada entediante dos temas principais e o começo da história. Você é apresentado à persoangem e seus dilemas de maneira bem sútil e de volta ao virtuosismo.

3 - “Hand. Cannot. Erase”: música que dá título ao disco, auto-explicativa, escrita em terceira pessoa e carrega belos duetos vocais com o baixista Nick Beggs.

4 - “Perfect Life”: uma narrativa incomum, poética, e com parte lida do diário de Joyce Carol, faixa que deixa o registro um pouco mais pessoal e te conduz para um lindo chorus vocal com todos os membros da banda cantando o título da música.

5 - “Routine”: um resumo das rotinas de Joyce Carol e que se encaixam perfeitamente no “normal” do dia a dia de uma pessoa que vive sozinha em uma cidade grande como Londre. Solo vocal de Ninet e do corista que dá um toque angelical. Claras influências do Pink Floyd (mais precisamente do The Great Gig in the Sky).

6 e 7 – “Home Invasion” e “Regret #9”: Faixas instrumentais que se complementam e são bastante profundas. A primeira retrata musicalmente o momento em que Joyce Carol foi descoberta (se tiver curiosidade de ler a história ou ver o documentário, procure, é bem interessante). A música é escrita principalmente para o sintetizador que carrega influências claras do Deep Purple e Rush. Instigante e potente. A seguinte, “Regret #9” é uma peça complementar em relação a primeira, originalmente escritas para serem uma faixa só, possui o solo de guitarra mais forte e bonito do album.

8 - “Transience”: música mais morna do disco, não tem muito o que falar.

9 - “Ancestral”: bem obscura e pesada, com arranjos para flauta transversal (Theo Travis) e um belo solo de Guthrie Govan

10 - Happy Returns: é um final, feito em cima de uma carta escrita pela metade por Joyce Carol ao seu irmão, encontrada no seu apartamento perto de seu cadaver. É em primeira pessoa assim como a carta, e claro, adaptada para a música, mas com essência incrivelmente inquietante. Os acordes menores dão um feeling clássico das canções do Porcupine Tree.

11 - “Ascendant Here On…”: uma despedida suave e angelical.

Texto por Guilherme Bianchi Braga Nery.

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