Finlandia faz show de graça no CCSP com participação de Hélio Flanderse Guizado

por - 11:06

Finlandia

Finlândia é uma dupla formada pelo brasileiro Raphael Evangelista (violoncelo) e pelo argentino Mauricio Candussi (teclados, programação e acordeon). Atualmente, o duo está em uma tour pelo Brasil e se preparando para viajar pra gringa, levando seu último e recente disco, Mundo Rural, como base para o repertório dos shows. Aproveitando que eles tocam nesta quinta-feira (21) ali no Centro Cultural São Paulo, totalmente de graça e com participações do Hélio Flanders (Vanguart) e Guizado, conversamos com o Raphael sobre o álbum, a possível rivalidade entre Brasil e Argentina no Futebol, o porque do nome do grupo e o mercado musical em que eles se encaixam.

Como é misturar instrumentos da cultura popular (em ambos os países) com outros instrumentos ditos mais eruditos? Foi um caso pensado ou um caminho natural?

Foi um caminho natural e sincero. Ambos somos instrumentistas, eu (Raphael) passei pelo campo erudito inevitável por questão do timbre e origem do violoncelo. Porém, sempre fomos apaixonados e vivenciados pela cultura popular de nossos países e continente. Seguir pelo caminho da fusão com o popular seria algo certo e um caminho realizador profissionalmente. Era apenas questão de tempo e experiência. Logo quando surgiram os primeiros testes dessa fusão (que é o ingrediente principal do Finlandia) vimos que seria uma fórmula interessante para expor e principalmente para nós mesmos.

É música eletrônica, mas é contemplativa. Tem um pé no experimentalismo da música instrumental mais calma. Como vocês se vem no mercado da música?

Já fomos rotulados de muita coisa por aí. Porém tudo no que se refere em fusão entre popular e eletrônico está dentro da temática. Gostamos do termo Folk Eletrônica, por representar a cultura tradicional (e até um pouco folclórica no conceito original da palavra) inserida em um ambiente contemporâneo com bases em sons eletrônicos. E, claro, somos um duo basicamente instrumental que flerta com o lounge, chill out e outros estilos mais contemplativos. Nos vemos mais nesse tipo de mercado.

Num mesmo show vocês contaram com a participação de um artista do sopro (que transita mais na cena experimental brasileira) e outro que é um vocalista que permeia mais o universo mais indie/ pop. Como ocorreram tais parcerias?

Gostamos de transitar por diversos estilos e ver que frutos saem destas influências. Isso é algo que ocorre com este projeto que não sabemos muito bem explicar o por quê. Lembro de tocarmos em vários festivais onde o line up é 80% constituído de rock e indie/pop e lembro bem da excelente aceitação desse público com a nossa música. Talvez pela nossa performance onde tentamos quebrar um pouco as regras estéticas de tocar tais instrumentos, levando para um vigor mais energético. Eu (Rapha), por exemplo, venho de uma banda de rock onde passei bastante tempo. Talvez essa identificação venha daí e tal público se identifique também. No caso específico destes dois artistas, nos encontramos em alguns eventos, já dividi o palco com os dois onde eu era convidado também, ou seja, os estilos acabam se encontrando e se complementam e, claro, a amizade também, o que geram as parcerias musicais.


Por se tratar de um duo entre um brasileiro e um argentino, eu queria saber se vocês falam (ou tem rivalidade) no futebol.

Hahahaha... talvez por isso colocamos o nome de um país tão neutro e distante que não influencie em nada quem seria melhor ou pior no futebol!

O nome do disco é Mundo Rural, porém o som é bem mais contemporâneo e global, consigo até perceber características urbanas. Existe um conceito?

Sim... a idéia é exatamente essa, caracterizar o nosso mundo como qualquer mundo rural. Esse termo rural especifica as nossas vivências mais íntimas. No nosso caso de nossas infâncias tanto na Argentina como no Brasil. O seu mundo rural é aquele lugar onde você se encontra, onde tenha suas origens enraizadas. Os estilos musicais apresentados no disco foram pesquisados pegando o ponto de partida o interior de nós mesmos. Desde o arrasta pé até a milonga campera, tudo não teria sentido se não tivesse uma pitada de ambiente urbano, pois somos urbanos, vivemos em cidades, com o caos e a dinâmica acelerada. Este contraponto explicita o elo existente dentro de cada um de nós que busca uma ligação consigo mesmo, com suas próprias vivências.

O que vem depois do Mundo Rural?

Seguimos por uma longa tour e incansáveis projetos. Por agora só posso te adiantar as idéias, mas temos planos de lançar um material deluxe até o final do ano, contendo vídeos e áudios que complementem a conceito deste disco.

Por que Finlandia?

Bom... ao contrário da resposta anterior sobre futebol... Na verdade, o nome Finlandia vem como uma tentativa de representar o ambiente contemplativo e melancólico presentes nas músicas, que principalmente no início do projeto possuia uma música bem lounge, o que pode-se remeter às paisagens do país com este nome. Além da estética sonora do nome, procuramos também fazer uma homenagem ao país, pela sua cultura e sua arte... país este que tivemos o convite de tocar duas vezes na capital Helsinki e conhecer de perto seus detalhes.

Finlandia (com Hélio Flanders e Guizado)
Onde? 
Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade - São Paulo - SP (Literalmente ao lado da estação Vergueiro do metrô).
Quando? Quinta-feira, 21 de maio, às 21h.
Quanto? De graça.

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