David Talley e a sua explosão de luz na fotografia

por - 11:06

David Talley

David Talley é um artista estadunidense que atualmente vive em Portland. Reconhecido pelas suas obras fotográficas, é educador, diretor e criador do Concept Collaboration, espaço colaborativo para que todos os artistas mostrem seus trabalhos. Nas suas fotografias, traz reflexões e sentimentos, em verdadeiras obras de arte. Atualmente está viajando por todo mundo com o workshop Create From Your Heart, e uma das paradas do projeto é o Brasil.

Conversamos com o David para saber um pouco sobre suas inpirações, a vinda dele ao nosso país e o mundo da arte. Chega mais!

David Talley

David, ao ler sobre você, percebi que você fala muito sobre o momento criativo, os sentimentos que são colocados nas fotografias, e isso está muito claro na sua arte. Pode nos contar o que te traz inspirações?

Lendo sobre mim? Eu estou honrado! Eu acredito que o melhor da arte vem de um lugar de emoção profunda e das experiências. Enquanto começava a crescer como artista durante meus primeiros anos como fotógrafo, eu reconheci um padrão que estava começando a surgir. Eu estava começando a fotografar em um momento específico – um momento que existia entre a resolução de um conflito e a ocorrência deste mesmo conflito. Melhor dito, “o momento mais escuro antes da explosão da luz”. Aquele momento obscuro é algo que todos nós nos identificamos e seguindo aquele momento obscuro, nós temos uma escolha – nós permitimos que isso nos consuma ou pegamos os pedaços e criamos alguma coisa bonita?

Antes de fotografar existe um plano de como vai ser a imagem e o que fazer para tentar passar o que deseja. Você diz que planejar é importante, mas que também pode te deixar muito fechado em uma ideia e acabar se fechando pra criatividade. O quanto se pode planejar algo sem que a criatividade seja afetada?

Ah, eu amo essa pergunta! Eu estava apenas conversando sobre isso com a minha namorada, uma grande fotógrafa de Sidney, Austrália. Eu acho que o que você pergunta não é um assunto sobre que tipo de shooting é mais efetivo, mas sobre o quão bonita a arte da fotografia é – que é um tanto planejada, desenvolvida e uma forma de arte estruturada, mas ao mesmo tempo, é espontânea, bonita, uma forma orgânica de trazer histórias à vida. Eu consigo planejar o quanto eu quero, mas eu amo que com essa espontaneidade natural da fotografia, eu geralmente consigo algo melhor do que estava planejando. Resumindo, eu sou sempre surpreendido agradavelmente. Planejar o máximo que eu posso, e deixar a realidade espontânea da fotografia tomar conta.

David Talley

Você acha que o crescimento artístico está ligado a sempre estar criando e tentando observar de uma forma diferente o que está ao seu redor?

Eu concordo com essa frase tanto quanto eu concordo que cada um está apreciando o mundo de uma forma diferente do outro. Ao mesmo tempo, eu posso ver cada artista que me deparo tentando se comunicar com alguma coisa mais coletiva – alguma coisa que nós todos entendemos lá no fundo, em um nível subconsciente. Eu amo isso. Isso é absolutamente lindo de ver a gente se comunicando e interpretando a natureza unificada do mundo de todas as nossas formas separadas.

No seu workshop, e o próprio nome do projeto, ''Create From Your Heart'' (Criando do seu coração), já diz muito como é que encara a arte. Hoje em dia você acha que as pessoas estão perdendo a sensibilidade e dando mais atenção para o equipamento?

Claro! Essa percepção tem existido há algum tempo, mas eu discordo completamente dessa ideia que o equipamento importa tanto quanto as pessoas querem acreditar que ele importa. Eu fotografo meu projeto inteiro de 365 dias de autorretrato em uma câmera muito barata, e eu aprendi tanto. Eu amo a história dos irmãos Wright, que inventaram o avião. Com pouco ou nenhum financiamento e equipamento, eles estavam dispostos a enfrentar e fazer uma incrível façanha: a de criar uma máquina que voava no ar, antes dos rivais estarem dispostos – rivais que tinham bastante financiamento, equipamento e maquinário para terminarem a tarefa de criar uma máquina voadora. O que os irmãos Wright tinham era a inspiração e a fidelidade para nunca desistirem, e aquilo os carregou para um longo caminho. Aquela quantidade de inspiração carregará você mais do que qualquer equipamento poderá um dia.

David Talley

Falando ainda sobre o workshop, o Brasil está na lista, além da Itália e da Índia. No Brasil tem alguma coisa que queria conhecer (não vale falar caipirinha, risos)? Tem algum fotógrafo/artista brasileiro que goste?

Capirinha, você diz o drink? (risos) Eu ouvi dizer que é bastante estranho, mas eu estou empolgado para experimentar. Eu amaria saber como o seu povo e cultura parecem pessoalmente. Eu conheço e tenho muitos amigos brasileiros, e vocês são tão legais. Eu penso que estou bastante empolgado para me divertir com vocês e com a sua cultura – investir tempo no seu país e me divertir bastante fazendo novos amigos. Atualmente, eu estou tendo algumas aulas de portugues e me preparando para a minha gulosema brasileira favorita – brigadeiros! Sobre os meus fotógrafos brasileiros favoritos... eu amo a @gmateus no Instagram. O trabalho documental da Gabriela combina com o visual surreal do dia a dia, e convida o espectador para criar seu próprio mundo ao redor de eventos simples. Coisa maravilhosa.

Em seus momentos de reflexão, tem algum som que gosta de escutar?

Puts, é difícil ter um foco. Eu passo por um monte de fases para o tipo de música que eu ouço, e isso geralmente é baseado em como eu me sinto ou como eu quero me sentir. Em um dia, eu posso ir da música clássica na manhã, para o folk perto da hora do almoço, para o rock no calor da tarde, ir para o indie de noite e voltar para o folk. Regue com um pouco de rap, música instrumental, além de música cinematográfica e você tem o meu gosto. Atualmente, eu estou curtindo o Flume e o Chet Faker, Alabama Shakes, Dustin Tebbut, Asgeir, Rhye, Andrew Bird e Novo Amor. Esses artistas são definitivamente indicativos para a minha abordagem visual atual; a inspiração visual que eu ganho ouvindo música é inigualável.

David Talley

Entre os seus projetos temos o Concept Collaboration, que é uma coleção colaborativa de mídia visual, que está aberto a todos os artistas que queiram mostrar seu trabalho. Por que criar um projeto pra desafiar a indústria e promover a colaboração entre os artistas? Você acha que existe uma certa carência de oportunidade na fotografia autoral?

Sim! O Concept Collaboration vem do desejo que eu tive de ver a indústria fotográfica mudar de uma maneira positiva. Eu vejo um monte de “competição” no mercado – vários artistas colocando eles mesmos antes da comunidade. Meu background artístico é entrelaçado com uma rica comunidade de fotógrafos de todo o mundo que eu conheci no Flickr, e ajuda o crescimento do trabalho dos outros. É uma coisa rara de ver nessa indústria, mas a faísca e o fogo da comunidade que cresceram no estágio inicial da indústria conceitual me mostraram exatamente o que é possível – e aquela indústria fotográfica não legaliza uma competição e preenche o espaço com ajuda, cooperação e encorajamento para os artistas envolta do globo.

David Talley

O David mandou avisar que se você gostaria de ter aulas com ele em um dos workshops internacionais que está fazendo no Brasil, Itália ou Índia, você pode se inscrever clicando aqui. O workshop dele tem como objetivo ajudar fotógrafos de vários locais do mundo a criarem beleza, story-driven e retratos, além de um modelo efetivo de negócios para a sua imagem e começar a gerar receita com as suas fotografias e seus dotes fotográficos através de um negócio e o crescimento de seus seguidores em redes sociais e comunidade. Esse é um curso de 3 dias feito tanto para profissionais como para iniciantes, com 30 horas de instrução e os insights por dentro do processo de David.

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1 comentários

  1. Sem palavras, ótima entrevista. Mr. Talley, é incrível demais, admiro muito o trabalho dele! Minha inspiração!

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