Hominis Patternum #1: O dia em que me tornei pai

por - 11:14

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Tempos atrás, antes mesmo do meu filho nascer, minha mulher me mostrou uma postagem no instagram com um relato de um pai falando quando realmente ele se tocou de que era pai, ou seja, quando a ficha realmente caiu. O filho dele tem o mesmo nome do nosso (mas com grafia diferente) e segundo ele, o momento banal que fez com que ele se assumisse enquanto pai aconteceu por volta dos sete meses de vida do filho fora da barriga da mãe. Qual foi o acontecimento? O simples ato do neném se inclinar pra frente e pedir colo pra ele, deixando de lado o colo da mãe.

Quando li o texto pensei: “Nossa, eu já me considero pai!” ou “Este camarada demorou a cair na real” e ainda: “Mó besteira isso de pedir braço, criança pode fazer isso com todo mundo”. A analogia usada pelo pai no texto, é como se ele tivesse percebido que ele é responsável por carregar alguém neste momento em diante de sua vida e ajudar para que seu filho cresça, se desenvolva de maneira saudável e feliz. Porém, uma coisa o texto dele tem muita razão, tudo o que sobra para o pai são momentos banais. Você não carrega o seu filho na barriga, você não é a fonte de alimento e conexão com o mundo de sua criança durante os primeiros meses de vida dela. Sendo assim, qualquer momento simples se torna um acontecimento de grande importância. O laço que une mãe e filhos é totalmente natural e já vem desde antes da criança vir ao mundo. Com o pai, o processo é mais lento, distante e complicado.

Por mais que eu tivesse lido 10 livros pro Téo (este é o nome do meu filho), a minha voz pode até ser comum para ele, mas a minha pessoa é bem diferente. Ele não sabia meu cheiro, ele não se alimentava do que eu me alimento. Então, tudo o que sobra para o pai são momentos simplórios. Até o ato de dar banho, que tem todo um grau de intimidade é pífio diante da alimentação do bebê. No caso de Téo, ele esconde o peito da mãe com uma das mãos e com a outra segura no braço da mesma. É um momento totalmente exclusivo deles, não existe mais nada ao redor que importe.

Passo longe de ser uma pessoa paranoica, mas entendo o porquê de diversos pais que eu conheço se colocarem como mero coadjuvantes e nem tentarem ser protagonista. Também compreendo a nóia do pai que quer ser reconhecido pelo seu papel de importância e ser o protagonista da vida de sua cria, as vezes até entrando em disputa com a parceira por conta disso. Provavelmente eu nunca irei fazer isso, mas também nunca me colocarei como secundário na vida de Téo.

Quanto ao momento em que você se torna pai, me refiro ao parto. Por mais que seja um momento único na vida (caso você tenha tido a oportunidade de acompanhar o nascimento do seu filho, como eu tive). Trata-se de um momento final da gestação e isso não te faz mais pai do que você já é durante todo o processo de crescimento do feto na barriga da mãe. Talvez por mais emocionante que tenha sido o parto de Téo, o que mais ficou foi o alivio/ susto que o momento traz. Pois trata-se do rompimento de uma barreira, do passar de uma etapa.

O meu momento banal que fez com que eu me sentisse pai veio por volta de um mês depois do nascimento do meu filho. Eu entrei no meu quarto para pegar alguma coisa, acredito que uma camisa, e minha mulher me alertou para o fato de Téo, que estava deitado em nossa cama, me acompanhar com os olhos para todos os locais que eu fosse no quarto. Por mais simples que isto seja, para um bebê de um mês ficar virando a cabeça de um lado para o outro, provavelmente eu era alguém que ele tinha algum apreço.

Deste dia em diante tenho pensado em começar esta coluna. Talvez pelo fato de ter me assumido pai, não tive tempo dentro dos meus afazeres domésticos, paternos, o trabalho, o blog, de dar início a ela anteriormente. Às vésperas do meu bebê completar dois meses, finalmente consegui terminar o primeiro texto. A ideia aqui não é criar um simples diário da minha vida enquanto pai, mas passar algumas ideias e questionamentos que estão cada vez mais presentes em minha cabeça após finalmente me aceitar enquanto pai. Será que eu vou conseguir? Será que esse mundo é bom o bastante? Será que eu sou um modelo a ser seguido e observado? Perguntas que junto com ações comuns do dia a dia me fazem refletir sobre o modo que eu quero viver e mais importante, como eu quero que meu filho cresça neste tal mundo moderno.

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1 comentários

  1. Nossa!!!!
    Um depoimento sensível, sincero, emocionante e bem escrito.
    Parabéns por ser Pai.
    Parabéns pela família, por Téo.
    Parabéns pelo texto tão interessante.
    Fico feliz por você!!!
    Beijãoooooooooooooooo

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